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Faltava uma semana para o Natal. Naquela
manhã Neville Longbottom recebeu uma coruja de sua avó
avisando que ele não poderia ir passar a semana com ela,
pois teria que ficar em St. Mungus para fazer alguns exames
de rotina.
Na véspera de Natal, à
tarde, o diretor de Hogwarts, Albus Dumbledore, chamou Neville
para uma conversa em sua sala.
- O senhor me chamou? - o garoto entrou
na sala do diretor com os olhos arregalados, imaginando o que
havia feito de errado.
Logo que entrou, avistou a presença
de seu professor de Poções, Severus Snape, e suas
pernas cambalearam. Snape estava quieto e sério, sentado
bem próximo ao diretor. Seus olhos observavam discretamente
Neville, mas ao contrário do que geralmente acontecia,
não demonstrava raiva nem desprezo. Snape estava com
uma expressão diferente e Neville não sabia o
porquê.
Dumbledore sorriu e pediu para que sentasse
na cadeira que estava vazia. Neville sentou e ainda mantinha
a expressão de pavor em seus olhos.
- Tenho algo muito importante a lhe falar
- disse o diretor. - É a respeito de sua família.
- O que houve com a minha vó?
- seus olhos arregalaram ainda mais.
- Sua avó está bem... fique
tranqüilo - ele sorriu. - O que tenho a lhe dizer é
algo que pode mudar sua vida...
Neville tentava não olhar para
Snape, mas estava se sentindo incomodado. Dumbledore percebeu
isso, mas continuou o que tinha a dizer.
- Você, assim como Harry Potter,
nasceram em uma época de guerra. O clima do mundo bruxo
estava muito tenso com a presença de Voldemort. Sua mãe,
logo que soube da gravidez, sentiu muito medo, não queria
que nada lhe acontecesse. Ela não queria que Voldemort
soubesse que iria ter um filho... Pensou em várias coisas
que pudesse fazer...fugir, por exemplo, mas sabia que ele a
encontraria em qualquer lugar que estivesse.
- Mas a minha mãe não fugiu...
- Bem...vou direto ao ponto - ele endireitou
os óculos de meia-lua. - Sua mãe, junto com seu
pai, era uma comensal da morte, uma serva do Lord das Trevas.
Os olhos do garoto se encheram de lágrimas,
mas ele não conseguia falar. O diretor continuou a falar
calmamente.
- Então... por sua causa ela resolveu
procurar a mim. Criamos uma "cena" para que Voldemort
pensasse que sua mãe tivesse morrido. Até aí
não tivemos problemas. Tínhamos pensado em deixá-la
morando aqui na escola pelo tempo que precisasse, mas...infelizmente..
- ele respirou fundo - sua mãe não resistiu ao
parto...
- Mas... ela não morreu...
- Neville... Frank e Alice Longbotton,
aqueles que estão em St. Mungus, não são
seus pais verdadeiros. Eles, na verdade, são seus tios
por parte de mãe. Foi o melhor que pudemos fazer... Não
tínhamos como deixá-lo aqui sozinho... Sinto muito...
As lágrimas escorriam dos olhos
do garoto. A angústia consumia seu coração.
Já nem lembrava mais que seu mais temido professor estava
ao seu lado. A única coisa que pensava era em sua mãe
verdadeira... Quem era? Como era? Se sentia sozinho, enganado,
angustiado...
- Mas... então quem era a minha
mãe? E o meu pai? - falava entre soluços de choro.
- É nesse ponto que eu queria
chegar - o diretor olhou para Snape e depois voltou seu olhar
para Neville.
O garoto saiu do estado de choro meio
desesperado, para uma expressão de pânico, olhando
para aquele homem o qual sentia ódio e medo. Severus
Snape era seu pai, Dumbledore havia deixado isso bem claro com
seu olhar. Neville sentiu um nó na garganta. Seus sentimentos
se confundiam. Não sabia mais se deveria continuar sentindo
medo e ódio por aquele homem, ou se deveria amá-lo.
Snape permanecia em silêncio. Seus
olhos estavam estacionados em Neville, observando-o desde o
início da conversa.
O diretor se levantou.
- Eu vou deixá-los a sós.
Acredito que vocês têm muitas coisas para conversar.
- Obrigado, Albus. - Snape falou quase
que num sussurro.
Severus voltou seu olhar para Neville
e aproximou sua cadeira do garoto.
- Eu imagino o que deve estar sentindo,
é difícil até para mim falar sobre isso,
mas acho que lhe devo explicações sobre...tudo.
Neville nada disse, mas seus olhos estavam
vermelhos de tanto que já havia chorado. Snape continuou.
- Eu e sua mãe, Lisa...sim...esse
era o nome dela, nos amávamos muito. Começamos
a namorar quando éramos muito jovens, ela também
pertencia à Sonserina. Tudo estava indo muito bem até
termos a má idéia de nos juntar àquele
grupo que buscava um pouco de poder... Não sabíamos
que era um caminho sem volta... - ele baixou a cabeça
por um segundo, para tomar fôlego.
- Vocês eram casados? - finalmente
Neville falou, com a voz falhada do choro.
- Sim. Logo depois que nos formamos em
Hogwarts, casamos. Já éramos comensais na época.
- Então foi por isso que ela procurou
Dumbledore...
- Sim, só ele poderia protegê-la
do Lord das Trevas.
- Foi por isso que...o senhor...ficou
do lado de Dumbledore?
- Eu não suportava mais ser um
comensal... Foi por causa dele que não pude criar você...
Era a única maneira de livrá-lo dessa vida. Se
você tivesse sido criado por mim, acabaria sendo um comensal...
assim como Draco Malfoy, entende? Era uma imposição
dele.
- Talvez tivesse sido melhor assim mesmo...
- Neville disse meio sem pensar. Suas palavras transmitiram
todo o sentimento de angústia e humilhação
o qual havia passado por todos esses anos com seu então
professor de Poções.
Snape entendeu o que aquelas palavras
queriam dizer e não o reprimiu. Queria se aproximar do
garoto, mas se deu conta que era tarde demais para isso. Cometeu
vários erros... desde sua juventude... Além disso,
nunca soube exatamente lidar com as pessoas, nunca teve jeito
para demonstrar seus sentimentos... Só Lisa sabia como
era Snape, só ela entendia o que cada olhar dele queria
dizer.
Fim