CAPÍTULO 4
Na segunda-feira, Katrina mal jantou. Estava ansiosa para seu
"primeiro encontro" com Snape. Era assim que falava.
Ela, na verdade, não precisava de reforço nenhum
em Poções. Estava se saindo muito bem, mas esse
era a melhor desculpa que tinha inventado para se aproximar
dele.
Chegando na biblioteca, Snape já estava lá sentado,
com os livros abertos, fazendo anotações. Katrina
sentou ao seu lado.
- Pensei que não viesse mais. - ele murmurou.
- Eu demorei porque tive que ir ao banheiro... desculpe. -
Claro, uma garota, antes de encontrar seu futuro pretendente,
sempre tem que dar uns retoques na frente do espelho!!!
- Vamos começar logo, pois tenho muitas tarefas para
terminar ainda esta noite. Quais são suas dúvidas?
Katrina citou alguns itens da matéria e Snape explicou
tudo. Ele realmente era muito bom nisso. Ficaram mais de uma
hora estudando. Ela, enquanto Severus explicava, observava suas
mãos, seus lábios, sentia um aroma de ervas...
"Ele não é tão ruim assim, apesar
do mau-humor. Acho que ficar com ele pode ser bastante... interessante..."
- pensou, enquanto tentava controlar um sorriso maroto.
- Entendi tudo, Severus. Você é ótimo,
explica muito bem. Daria um ótimo professor. Acho que
vou tirar um "O" no teste.
Ele esboçou um sorriso enquanto guardava seu material.
- Eu vou indo então, boa noite.
Ele já havia saído da biblioteca e Katrina foi
atrás dele.
- Ei, Severus, espere!
- Sim? - ele se virou.
- Posso lhe fazer mais uma pergunta?
- Fale. - ele revirou os olhos.
- Você...já tem companhia para o baile?
- Por que quer saber?
- Acho que a resposta é meio óbvia, não?
- Não sei se vou ao baile.
- Por que?
- Eu não sei dançar. - ele respondeu num tom
firme, sem olhar nos olhos dela.
- Só por isso? Se quiser, posso te ensinar.
- Não sei se é uma boa idéia... e... por
que faria isso?
- Bem, primeiro porque te devo um favor, segundo porque...
eu gostaria que me acompanhasse ao baile.
- Acredita que eu iria ao baile acompanhado de uma grifinória?
- Qual é o problema? Iria ficar estranho se você
chegasse ao baile de braço dado a um garoto...isso sim...
Snape corou, mas permaneceu sério.
- Ok. Como então você vai me ensinar? Precisa
de um lugar discreto...
- Eu conheço um local perfeito.
- Onde?
- Vem, vou lhe mostrar. - Katrina levou Snape até corredor
do terceiro andar.
- Aqui estamos!
- Pretende me ensinar a dançar aqui no corredor?
- Não, claro que não. - ela parou em frente à
parede de pedra - Olha só: Eu preciso muito de uma sala
para fazer aula de dança. Onde será que tem uma
sala nesse castelo? - repetiu essas frases algumas vezes.
De repente surgiu uma porta...
- Que sala é essa?
- Você não conhece a Sala de Requisição?
Entre, vamos.
Snape abriu a porta meio desconfiado. Entraram e ele fechou
a porta. Rapidamente olhou para Katrina e segurou-a fortemente
pelo braço, empurrando-a contra a parede. Encarou-a nos
olhos, sacou sua varinha e encostou no pescoço dela.
- Onde você quer chegar? - ele falou entre os dentes.
- O que foi, Severus? - os olhos de Katrina transmitiam espanto.
- Você acha que eu sou algum idiota? Por que está
se aproximando tanto de mim? O que você e seus amiguinhos
estão aprontando? Vamos, fale!!
- Eu ... não estou aprontando nada, Severus. - ela afastou
a varinha dele com a mão, mas ele não largou o
braço dela. - Por que acha que estou do lado deles? Só
porque sou uma grifinória? Eu não suporto aquela
gente! São muito metidos, só sabem falar em quadribol,
nada mais...
- Então o que quer?
- Eu já disse, quero que me acompanhe ao baile, só
isso.
- Ah sim, e você quer que eu acredite nisso! Você
é uma das garotas mais disputadas da escola. Para querer
ir ao baile comigo tem que haver algum motivo bem especial...
E... vai me dizer que ninguém te convidou?
- Convites? Recebi vários, inclusive daquele grupinho
o qual você odeia. Mas esses garotos não têm
nada na cabeça. Queria ir ao baile com alguém
diferente...
- Ahh, diferente... entendi...
- Ai, Severus, não é isso... Eu acho você
muito interessante, inteligente, parece que tem a cabeça
no lugar, entende? Por isso acho você diferente...
Ele largou o braço dela e se afastou.
- Sabe... seria muito bom você me levar ao baile. Os
outros poderiam ficar com inveja...
Ele olhou para ela sem responder.
- E... também... você poderia inventar alguma
coisa, tipo... que me enfeitiçou, que me obrigou, que
estou pagando uma dívida de uma aposta...sei lá...
- Você quer tanto assim minha companhia?
- Quero. - Ela olhou nos olhos dele.
- Tudo bem... mas se você estiver planejando alguma coisa,
vai se arrepender pelo resto da vida.
- Não estou planejando nada, eu juro.
- Então está combinado, mas, por favor, evite
usar vestido vermelho...
- Não pretendia mesmo. E quanto à dança,
vai querer que eu te ensine ou não?
- Não é necessário, eu danço muito
bem.
- Sério?
- Sim, por quê? Está duvidando?
- Se essa for uma boa desculpa para você me mostrar o
que sabe agora... sim.
Snape largou sua mochila no chão e se aproximou dela,
mirando-a nos olhos. Katrina também deixou cair sua mochila
e permitiu que ele, com a mão, segurasse em sua cintura,
conduzindo-a com passos leves à uma dança sem
música.
Enquanto dançavam, o silêncio tomou conta do lugar.
Nenhuma palavra, só troca de olhares expressivos como
se estivessem hipnotizados. Katrina sentia seu corpo todo arrepiar
pelo toque macio das mãos de Snape. Sentia o calor que
vinha da respiração dele. Tentava fixar o olhar
nele para tentar descobrir o que Snape sentia, mas ele desviava
o olhar, como se estivesse escondendo alguma coisa...
E realmente estava, embora não quisesse admitir, nem
para si mesmo, Severus se sentia cada vez mais atraído
por aquela bela bruxa. Já fazia algum tempo que ele a
observava, mas nunca chegou a alimentar esperanças a
respeito. Além de linda e atraente, ela era uma grifinória,
isso sempre complicava qualquer aproximação. Mas,
parecia que agora tudo iria mudar...
Escutaram, de repente, um trovão, anunciando que iria
chover. Isso bastou para eles "despertarem". Os dois
ainda estavam com seus corpos próximos, como se ainda
estivessem dançando. Com o trovão, eles se olharam
e se afastaram, num impulso. Snape logo se virou para que ela
não reparasse no seu rosto, que parecia queimar de constrangimento.
Katrina sorriu e seu rosto também ficou levemente corado.
- Bem... - disse Snape, pegando sua mochila - acho que já
está ficando tarde...
- É... amanhã temos aula. Temos que ir dormir.
- Katrina olhava para ele, mas Severus não a encarava.
Snape abriu a porta e ficou esperando que Katrina pegasse suas
coisas e saísse. Ao cruzar a porta ela olhou nos olhos
dele por alguns segundos e depois saiu.
- Boa noite, Severus. - Katrina saiu pelo corredor e não
olhou mais para ele.
- Boa noite. - Snape fechou a porta e foi caminhando com passos
lentos, apenas observando-a de longe. Ele ficou impressionado
com o que aconteceu, mas tentava se convencer de que tudo não
passava de uma brincadeira de uma grifinória. Severus
nunca havia sido assediado por uma garota de Hogwarts. Na verdade
nunca teve muita sorte com as garotas da escola. Katrina para
ele não passava de um sonho. Quem poderia ficar com uma
garota tão linda, tão atraente? Ele não
acreditava que isso poderia lhe acontecer algum dia.
****
O sábado chegou. James Potter colocou para jogar em
seu lugar uma menina do quarto ano, Wilma. Ela já o havia
substituído em outra vez quando teve que passar uma semana
na enfermaria vítima de um feitiço que Lily havia
lançado.
Todos já haviam ido para o campo de quadribol. Lily
já estava sentada à mesa, no salão comunal,
aguardando James. Ele não demorou muito a chegar. Estava
visivelmente nervoso. Não só pelo fato de ter
que ficar sem ao menos olhar o jogo, como também por
ter finalmente uma chance de ficar a sós com ela.
- Oi, Lily. - Ele falava suavemente, estava visivelmente deprimido.
- Oi, Potter! Eu realmente não acredito que você
está aqui.
- É... eu estou... - ele se sentou ao lado dela, colocando
seus livros em cima da mesa.
- Vamos começar, então.
Eles já haviam estudado uma hora. Não dava para
escutar nenhum ruído do jogo, Lily havia enfeitiçado
a sala para que nenhum som da rua fosse escutado. Isso de certa
forma tranqüilizou James, que conseguiu direcionar seus
pensamentos aos estudos... e a Lily.
Lily parou um pouco para pegar uns biscoitos que havia separado
para um lanchinho.
- Quer um?
Ele pegou um biscoito.
- Você vai mesmo ao baile comigo? Não vai voltar
atrás na decisão?
- Eu combinei isso, Potter.
- Mas... vamos só como amigos ou.. você... vai
me dar alguma chance...
- Devagar, Potter. Você já feriu meus sentimentos
e me tirou do sério várias vezes. Antes de mais
nada, você tem que mudar esse seu jeito. Tem que crescer,
Potter. Você é muito infantil. Tem que parar um
pouco, por exemplo, de falar só em quadribol.
- Você não gosta mesmo de quadribol, não
é?
- Não é isso, é que você só
sabe falar nisso, ou então em "como infernizar a
vida do Ranhoso". Fora esses dois assuntos, você
não fala mais nada! Estamos quase nos formando, daqui
a pouco termina essa brincadeira de Sonserina e Grifinória...
pense nisso.
- Então... se eu melhorar... você fica comigo
de verdade? Você estaria disposta a ser minha namorada,
Lily?
- Talvez... tudo depende exclusivamente de você, Potter.
- Eu vou fazer o possível, eu juro... mas será
que pelo menos por enquanto você pode me chamar de James?
- Tudo bem. De qualquer forma, hoje já foi um bom começo...
continue assim. Podemos marcar mais vezes para estudar. Temos
que tirar boas notas no NIEM'S, não esqueça disso.
Os dois ficaram estudando até que o salão comunal
foi invadido pelos grifinórios que vieram do jogo. Estavam
todos com olhares deprimidos e o time inteiro parou na frente
de James Potter, com expressões de desânimo.
James pulou da cadeira e deu um grito.
- Eu não acredito, vocês perderam!!! Como vai
ser? Vamos ter que nos ferrar no próximo jogo contra
a Sonserina!! Vocês são... são... - ele
bufava de raiva.
- Pois é, James... - falou suavemente Sirius, olhando
nos olhos dele - nós... por uma diferença de 175
pontos... GANHAMOS!!! - ele gritou a última palavra com
toda a força que tinha.
Depois que Sirius contou a verdade, todos começaram
a rir da cara de Potter. Eles fizeram todo aquele teatro para
deixá-lo enlouquecido. E conseguiram.
James olhou para Lily e sorriu. Chegou a se aproximar dela,
quase abraçou-a, mas recuou no último segundo.
Ela sorriu, baixou a cabeça e saiu do salão.
***
Anne desta vez foi até o corujal de Hogwarts e pegou
uma coruja da escola para enviar seu segundo bilhete. Na mesma
noite Sirius estava com seus colegas em seu quarto e escutou
uma batida na janela. Peter foi até a janela ver o que
era.
- Olha só Sirius, é prá você.
- Coruja de Hogwarts? Estranho... - ele pegou o bilhete e foi
logo abrindo.
" Sirius:
Que bom, fico feliz com a sua decisão! Você não
vai se arrepender, eu te garanto!
Bem... vamos a mais algumas pistas:
* Para seu alívio, eu não sou uma sonserina.
* Também não sou nenhuma acromântula como
Potter comentou, ok?! Já disse, você vai gostar
quando me ver.
Bem... por hoje é só.
Outro dia te conto mais coisas... mas... para isso você
deve confirmar que irá comigo ao baile. No café,
amanhã, segure seu chapéu na mão direita
se você aceita realmente a minha companhia.
Só após a sua confirmação receberá
mais um bilhete meu com mais pistas.
Beijinhos da sua
Donzela da Lua"
Sirius leu e foi direto ao salão comunal da grifinória
mostrar para James.
- James, leia isso! Recebi agora, é da Donzela, de novo.
- ele entregou o bilhete. - Não sei como ela ouviu a
nossa conversa da última vez. Sabe que você supôs
que deveria ser feia como uma acromântula. Como isso?
- Estávamos no salão principal, isso não
é difícil... - Potter olhava para os lados com
desconfiança. As únicas pessoas além deles
que estavam no salão comunal era um grupo de garotas
que conversavam perto da lareira. Sim, elas mesmas! Katrina,
Anne e Lily.
- Continuo sem ter a mínima idéia de quem seja.
- Vai continuar com esse jogo?
- Claro! Eu não agüento de curiosidade! - ele se
aproximou de James e falou baixinho - Já estou até
louco para agarrá-la!
- Você não tem jeito mesmo Sirius...
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