Tiffany Brooks e Nora Collins eram amigas
inseparáveis. Estudavam no quinto ano na escola de Magia
e Bruxaria de Hogwarts e pertenciam à casa da Sonserina.
Nora era magra e alta. Tinha os cabelos
ruivos e encaracolados. Era muito inteligente e um pouco tímida.
Tiffany era mais extrovertida. Tinha um corpo bonito, fazia
o tipo atraente, e adorava exibir seus cabelos louros e lisos,
que procurava sempre deixar bem sedosos.
- Tif, o que temos de aula hoje?
Tiffany exibiu um sorriso e seus olhos
brilharam.
- Ah... já sei! Pela sua cara,
só pode ser Poções.
- Terça e sexta-feira são
meus dias favoritos! Na verdade... gostaria de ter aula de Poções
todos os dias!
Tiffany era simplesmente a aluna mais
aplicada da aula de Poções. Fazia de tudo para
agradar seu professor preferido, Severus Snape. Sempre tomava
muito cuidado para não abusar nas suas bajulações,
pois ele nunca gostou de ser paparicado. Mas, apesar disso,
o máximo que ela recebia como retribuição
era um pobre e sem graça "Parabéns, Srta.
Brooks.".
Naquele dia, depois da aula...
- Nora... assim não dá...
- O que houve, Tif?
- Ele não me olha direito... Nunca
me coloca em detenção... nada!
- Também, você é
a melhor aluna! E...nem é da Grifinória para ele
fazer isso...
- Mas... eu queria ficar a sós
com ele... que ele... bem, você sabe...
- Ele é um professor muito correto.
Parece que nunca perde a compostura.
- Deve ter um jeito... - Tiffany ficou
pensativa.
- Olha... acho que nem uma superpoção
funcionaria para amaciar aquela "casca dura" do Snape.
- Isso! Poção!!!
- O que você está pensando?
- Vou fazer uma poção...
Uma poção do amor... ou quase isso...
- Eu não acredito! Você
tá louca? Sabe que ele odeia poções de
amor... Jamais vai querer beber qualquer coisa que não
saiba a procedência...
- Mas... eu tenho uma idéia. Minha
avó andou me ensinando algumas coisinhas nas férias...
- Sério? Que tipo de coisas?
- Você vai ver... Ele nem vai perceber...
- Tudo bem...mas como você vai
fazer? Tem que conseguir um lugar para preparar a poção
e... conseguir os ingredientes também...
- Eu vou mandar hoje mesmo uma coruja
para minha vó. Ela vai me enviar tudo que eu preciso...
Minha vó é super!!!
- Você tá louca mesmo...
Quero ver a cara dele quando descobrir!!
- Ele não vai descobrir, fique
tranqüila.
**
E a encomenda chegou...
- Então Tif, ela mandou tudo?
- perguntou Nora, curiosa.
- Sim, tudinho! Pó de diamante,
essência de verbena, mel em pó...
- E como é que se faz?
- Tenho que colocar esses ingredientes
para ferver durante uma semana, depois é só coar.
Isso vai virar um pó e tenho que fazer com que a pele
dele entre em contato...
- Onde você vai preparar? No quarto
não dá... podem desconfiar... E...como vai fazer
para ele...quer dizer...a pele dele entrar em contato com o
tal pó?
- Vou preparar a poção
naquele banheiro onde fica a Murta-que-Geme, lembra?
- Sim.
- E...bem que eu gostaria de passar o
pó nele...mas vou ter que pedir a algum elfo doméstico
colocar na cama dele. No outro dia pela manhã, a primeira
pessoa que ele enxergar na sua frente, será a felizarda.
Nesse caso, serei eu, claro! Vou bem cedo ao quarto dele...
- Será que vai dar certo?
- Claro que vai! Minha vó me garantiu
que essa poção é a melhor que existe!
**
Uma semana depois, à tarde, o
elfo doméstico colocou o pozinho na cama de Severus Snape,
por baixo do cobertor. Quando ele foi se deitar, apesar de toda
sua experiência, de tão cansado, não notou
nada de diferente na sua cama.
No outro dia, Tiffany acordou bem cedo,
o sol nem havia raiado ainda. Arrumou-se e foi direto para o
quarto do seu professor. Os corredores estavam completamente
vazios. Todos ainda estavam dormindo.
Ela estava visivelmente nervosa. Tinha
receio de que algo não desse certo... Chegou em frente
à porta e respirou fundo, como se quisesse tomar fôlego
para o que viria a acontecer. Bateu na porta.
Antes de Snape abrir a porta, Tiffany
sentiu a presença de alguém ao seu lado...
- Hum...hum...
- S...senhora...Umbridge... - os olhos
de Tiffany ficaram paralisados diante daquela mulher. Dolores
Umbridge era professora de Defesa Contra as Artes das Trevas,
também nomeada como a Alta Inquisidora de Hogwarts pelo
Ministério da Magia. E agora... o que iria fazer?
- O que a senhorita faz acordada tão
cedo? - A professora perguntou com uma voz firme, num tom de
desconfiança.
- Eu...
- E o que faz na porta do quarto de seu
professor?
- Eu...
- Bem... depois a senhorita me explica.
Agora tenho um assunto urgente a tratar com o Prof. Snape. Mais
tarde você resolve seu assunto com ele. Por favor, me
dê licença.
- Mas...
- Eu disse para sair, menina...agora!
- Tiffany não conseguia falar e também não
queria sair dali. - Saia! Ou vai querer uma detenção?
- a professora lançou um olhar de desafio.
Tiffany saiu dali bufando e ficou atrás
de um pilar, assistindo o terrível resultado...
- Senhorita Umbridge, o que... - ele
parou de falar e fechou os olhos por um momento. A poção
estava fazendo efeito.
- Prof. Snape, está se sentindo
bem?
Ele balançou a cabeça.
- Estou bem...quer dizer... - Ele olhou
para a professora, observando seus cabelos, seu corpo... - Alguém
já lhe disse que a senhorita está muito elegante
hoje?
- Ora, professor! O senhor me respeite,
hein? Eu vim aqui porque tenho algo importante a tratar e não
tenho tempo para esse tipo de brincadeiras.
Ele se deu conta do que havia dito. Aquela
frase havia saído de seus lábios sem controle
nenhum... O que estava acontecendo? Ele não sabia...
Só estava se sentindo leve e... por algum motivo... começara
a reparar naquela mulher que estava à sua frente....
Olhou para seu corpo, que estava longe de ser parecido com o
de uma miss. Dolores Umbridge era baixinha e gordinha. Tinha
os cabelos louros, encaracolados e curtos. Ele se perguntava
porque não havia notado antes que ela era tão...
atraente... O que ela havia feito? Será que usou algum
perfume especial? Snape não sabia responder... Só
sabia que estava se sentindo extremamente atraído por
aquela mulher.
Seus pensamentos voltaram ao normal e
ele então abriu a porta para que ela entrasse em seu
escritório - que ficava anexado ao seu quarto.
Dolores olhou para Snape ainda achando
que ele estava com uma expressão diferente.
- Tem certeza de que está se sentindo
bem? O senhor está com um comportamento tão estranho...
Sempre foi um exemplo de conduta....pelo menos na frente dos
alunos... - ela olhava para ele com desconfiança.
Ele respirou fundo e tentou se recompor,
mas mesmo assim não conseguia parar de observá-la
por inteira.
Ela sentou no sofá próximo
à lareira e tratou de resolver o assunto logo. Não
queria demorar muito tempo, estava se sentindo incomodada com
aquela situação. Notava o olhar dele estacionado
o tempo todo em seu corpo.
Umbridge saiu da sala meio confusa. O
que houve com Snape? Será que andou bebendo? Será
que dormiu bem à noite? - ela se perguntava. Chegou no
seu quarto e foi se admirar no espelho. Virou para um lado,
depois para o outro. Ajeitou os cabelos, depois a roupa. Achou-se
realmente elegante... Severus Snape é muito gentil -
pensou.
**
Passaram alguns dias. Snape não
conseguia segurar seus olhares para cima de Dolores. Sentava
ao lado dela na hora das refeições no salão
principal. Sempre que tinha oportunidade, fazia elogios, não
só na maneira como ela se vestia, como também
pelos seus atos, pelas suas decisões, sua conduta como
professora...
Dolores já tinha percebido quais
eram os reais interesses de Snape e estava se aproveitando disso.
Ele estava sendo, quase sem perceber, o assessor direto dela.
Fazia tudo que ela pedia. Dolores realmente estava gostando
daquela situação.
Tiffany estava cada vez mais irritada.
Não agüentava mais ver Snape "caído"
pela Profª. Umbridge. Pensou até em ir falar com
o diretor, Albus Dumbledore, mas infelizmente ele havia se afastado
da escola e Dolores passou a ser a diretora substituta. A única
solução que aparecia era ir contar tudo para Snape.
Mas...será que ele acreditaria?
**
Certa noite, após o horário
de aulas, Dolores foi até o escritório de Snape.
Ele a recebeu com um discreto sorriso nos lábios.
- Entre, Professora Umbridge. Sinta-se
à vontade.
- Obrigada.
Logo após ela entrar, Snape fechou
a porta. Ela se sentou e ele ficou parado de pé na frente
dela.
- Em que posso lhe ajudar?
- Tenho observado que os alunos da Sonserina
são muito bem...digamos... educados.
- Obrigado. - ele sorriu.
- Estive pensando em organizar um grupo
de alunos para me ajudar na fiscalização dos comportamentos
aqui da escola. Pensei que seus alunos da Sonserina seriam perfeitos
para isso.
- É uma idéia muito inteligente.
- Eu sei... - ela sorriu. - E, claro
que seria melhor que fossem os maiores, digo...do quinto ano
em diante.
- Com certeza, mas...vai pedir também
aos alunos das outras casas?
- Talvez... Estou pensando que talvez
algum da Cornival...mas ainda não tenho certeza. Os mais
aptos para essa obrigação são realmente
os da Sonserina.
- Eu concordo.
Ela sorriu e se levantou.
- Vou terminar de organizar tudo e depois
lhe informo. Obrigada pela ajuda, professor. - Ela se dirigiu
à porta.
- Um momento, madame...
- Sim? - ela se virou.
- O que vai fazer agora?
- Agora? Bem... vou ler um pouco e pensar
nos meus planos...talvez...
- Não aceitaria...me acompanhar
num cálice de vinho?
Dolores ficou estática por alguns
segundos. Há muito tempo nenhum homem a convidava para
nada deste tipo... Deveria aceitar? Não pareceria um
pouco precipitado? Uma dama não deveria aceitar um convite
logo de primeira... - pensava. Olhou para ele e deu um sorriso
um pouco forçado.
- Talvez outra noite, professor. - disse
num tom suave enquanto mexia no cabelo.
- A senhorita precisa relaxar um pouco...
Tem trabalhado demais... Acredito que uma taça de vinho
lhe cairia muito bem e, além disso... amanhã é
sábado...
- É... - ela tentava controlar
sua ansiedade - o senhor tem razão. - Voltou a se sentar
no mesmo lugar.
Snape sorriu. Foi até o fundo
de sua sala e serviu duas taças de vinho. Entregou uma
taça à ela e sentou-se próximo à
Dolores.
- Como está se sentindo tendo
que dirigir uma escola com tantos alunos? - Snape tentava iniciar
uma conversa agradável, insinuando uma aproximação.
- Sim, gosto de ter bastante trabalho
e aqui eu não posso me queixar. Em Hogwarts há
muito o que se fazer, muitas coisas para se organizar...
Eles continuaram conversando. Dolores
falou sobre seus projetos na escola, seus trabalhos anteriores,
sobre as coisas que lhe tiravam do sério...
Os dois já estavam quase no fim
da segunda garrafa de vinho e o papo continuava. Snape já
estava sentado bem mais próximo à ela e tentava
tornar o assunto cada vez mais íntimo. Dolores não
contrariou...
- O senhor não sente falta de
uma companhia durante a época de aulas? São muitos
meses trancados aqui nessa masmorra.... Não se sente
sozinho às vezes?
- Já estou um pouco acostumado
com isso. Sempre tive como companhia inseparável meus
livros, meus ingredientes e minhas poções. Contudo
confesso que existem momentos que a solidão parece tomar
conta de mim... Mas...nada que um copo de whisky não
resolva... E a madame?
- Eu? Bem... Eu não gosto de ficar
só, mas nunca tive muita sorte com os homens... Dificilmente
alguém me convida para sair ou algo assim...
- Existem coisas que acontecem que eu
realmente não entendo. - Snape chegou mais perto dela.
- Como é possível um homem não perceber
uma pessoa tão... interessante... como a madame?
O rosto de Umbridge parecia pegar fogo
e ela sentiu um arrepio percorrer todo seu corpo. Sorriu, sem
saber o que dizer.
Snape, não percebendo nenhuma
reação contrária dela, aproximou-se ainda
mais. Seus corpos estavam tão próximos, que quase
se encostavam. Ele passou seu braço por trás de
Dolores e foi chegando seu rosto mais perto do dela, até
o ponto de sentir o calor de sua respiração.
Eles estavam quase se beijando quando
escutaram alguém bater à porta. Rapidamente eles
se afastaram, tentando se recompor. Umbridge ajeitou sua saia
e seus cabelos. Snape levantou para ver quem era. Não
gostou nem um pouco de ser interrompido.
- Senhorita Brooks, algum problema? -
O professor lançava para sua aluna um olhar quase que
mortífero.
- Eu gostaria de falar com o senhor.
- Ela esticava seu olhar para dentro da sala dele. Podia sentir
o cheiro de Dolores.
- Não pode deixar para amanhã?
- Não, professor. Desculpe.
Dolores escutou a voz da aluna e, aproveitando
o instante de lucidez e razão que lhe passava pela cabeça
naquele momento, resolveu ir embora.
- Tudo bem, professor. - disse Umbridge
sem olhar diretamente para ele. - Eu já estava de saída
mesmo.
- Podemos continuar nossa conversa amanhã?
- Talvez. Tenho que ver como vai estar
a minha agenda. - Ela saiu sem nem olhar para a aluna nem para
ele. Sentia-se envergonhada, confusa... Tinha receio de acabar
se precipitando e deixar-se levar pela situação.
Snape estava carrancudo. Queria que desse
tudo certo com Dolores, mas infelizmente sua aluna estragou
tudo. Se fosse uma Grifinória, provavelmente ficaria
um mês de detenção, mas...como era sua melhor
aluna...e da Sonserina...
- Entre, Srta. Brooks. - Ela entrou e
viu, próximo ao sofá, duas taças de vinho
vazias. Percebeu o que quase havia acontecido. Sentiu um alívio
por ter chegado na hora certa. - Seja breve, pois tenho assuntos
para resolver ainda esta noite.
- Estou com um problema sério,
professor. É particular, mas só alguém
extremamente perito em poções pode me ajudar...
- Então fale. - Ele revirou os
olhos e sentou-se numa cadeira, olhando para Tiffany.
- Eu... bem... gosto de um... garoto...
aqui da escola e...
- A senhorita não veio até
aqui me pedir receita de poção de amor, veio?
Uma Sonserina não faria isso...
- Eu não vim lhe pedir uma receita,
porque já tenho uma... e pelo que pude perceber, é
ótima. Minha vó me ensinou nas férias...
- Então qual é o problema?
Desistiu do garoto? Não ficou satisfeita com o resultado?
Eu sempre falo que poções do amor não deveriam
existir...
- Não foi isso. O que aconteceu
é que, como o feitiço dessa poção
se dá por contato visual, em vez dele ter visto a mim
primeiro... ele, sem querer, acabou dando de cara com outra
pessoa e... aconteceu. O senhor pode me ajudar a desfazer esse
mal-entendido?
- Qual é a poção?
Mostre-me a receita.
Ela entregou um papelzinho para Snape,
que leu atentamente.
- Essa poção é muito
antiga. Posso afirmar que é muito difícil de se
conseguir a reversão de seu feitiço. Só
um bruxo muito poderoso e experiente tem como desfazer.
- E então?
- A senhorita deve me dizer quem é,
para eu ver o que posso fazer.
- Não posso. - Ela baixou a cabeça.
- Eu não conto nada para ele,
se não quiser.
- Eu sei, professor... confio no senhor,
mas não dá. O caso é muito sério...
Queria só que me dissesse o que pode ser feito...
- Sem ver a vítima, impossível.
Até porque a senhorita ainda não tem poderes para
realizar este tipo de feitiço. Qual é o problema?
Vai me dizer que é um Grifinório... O Potter,
será? Isso seria extremamente humilhante...
- Não, professor. Só o
que posso lhe afirmar é que ele é um Sonserino.
- Ok, mas mesmo assim preciso vê-lo.
Terei que usar minha varinha para saber como foi a reação
do corpo dele à poção. Só assim
saberei o que fazer.
- Então... acho que ele vai acabar
se casando com ela... Sinto muito...
Snape respirou fundo, tentando se acalmar.
- Srta. Brooks, hoje é sexta-feira.
Aproveite o fim-de-semana para analisar as conseqüências
de seus atos e me procure na segunda-feira após a aula,
sim?
- Tudo bem, professor.
**
Depois da conversa com Snape, Tiffany foi conversar com sua
amiga Nora.
- E então, Tif, o que ele disse?
- Ele quer que eu leve o garoto para
retirar o feitiço.
- Que garoto?
- Nora! Eu tive que inventar! Disse que
a poção era para um garoto da escola, não
para ele. Ele não iria acreditar...
- Ah... entendi. Pensei que contaria
tudo para ele.... Mas e agora, o que vai fazer?
- Sinceramente? Não tenho a mínima
idéia. O Diretor não dá, sabe Merlin quando
ele vai voltar. Aquela "sapa" não me serve
para nada, nem como professora, muito menos como diretora....
Acho que o único jeito é esperar que Dumbledore
volte...
- E se ele não voltar? Você
vai permitir que Snape se case com aquela "coisa"?
- Não... Isso não... -
ela baixou a cabeça.
- Então não tem escolha,
Tif. Ou você toma coragem e conta tudo prá ele
ou vai ver seu professorzinho querido casando com uma baranga.
- Você tem razão. Segunda-feira
eu conto.
- Vai esperar até segunda? Até
lá muita coisa pode acontecer...
- Eu sei...mas...tenho que me preparar
psicologicamente. Ele vai virar uma fera quando souber... Vou
ver se me acalmo o suficiente e vou no domingo...
**
O domingo amanheceu nublado. O tempo
estava úmido e frio. Tiffany ficou na cama até
mais tarde. Estava agoniada. Não sabia sequer como iria
iniciar uma conversa com Snape. Levantou perto do horário
do almoço, se arrumou e foi para o salão principal.
Chegando lá não viu nem Snape...nem Umbridge.
- Onde eles estão, Nora?
- Não sei...- Nora falou num tom
de mistério com uma leve dose de ironia. - Talvez...
estejam conversando na masmorra...
- É... espero que não passe
disso...
- Tif! Você vai resolver isso hoje,
não? Não pode ficar aí parada! - lançou
um olhar sério para Tiffany. - Então... hoje à
tarde?
- Vou à noite, é melhor...logo
após o jantar.
- Você que sabe.
**
Conforme havia dito, Tiffany, assim que
terminou de jantar, foi direto para a masmorra, para a sala
de seu Mestre de Poções.
Ela bateu e Snape abriu a porta.
- O que deseja, Srta. Brooks?
- Posso entrar?
Ele deixou-a entrar e logo após
fechou a porta.
- Eu...gostaria de...continuar aquele
assunto...
- Sobre a poção?
- Sim.
- Srta. Brooks, eu havia lhe dito que
deveria voltar na segunda-feira para continuarmos com esse assunto.
Agora eu tenho...um compromisso...e estou de saída.
- O senhor vai sair? Com quem? - Tiffany
permitiu que as perguntas escapassem de seus lábios sem
nenhum controle.
- Quem a senhorita pensa que é
para fazer esse tipo de pergunta? Não lhe devo satisfações!
- Ele falou num tom ríspido, fuzilando-a com o olhar.
- Desculpe...eu não queria...
- Amanhã teremos uma longa conversa,
senhorita - disse num tom maligno. - Temos que rever seu comportamento.
Não está nada adequado a uma aluna da Sonserina.
Tiffany entendeu que se dissesse mais
alguma coisa poderia piorar sua situação. Achou
melhor ficar calada e ir embora. Snape olhava-a com fúria,
mas mesmo assim tentava se controlar. Respirou fundo e foi até
aporta. Ela levantou e saiu sem olhar nos olhos de seu professor.
Logo que ela saiu, Snape fechou a porta
e sentou-se no sofá em frente à lareira. Ficou
pensativo. "Preciso agir com mais discrição..."
- pensou, enquanto passava sua mão direita sob o braço
esquerdo.
**
A reunião entre os comensais da
morte já estava quase no fim. Lord Voldemort notou que
havia um de seus súditos um pouco distraído. Não
havia participado quase, parecia totalmente aéreo. Resolveu
chamá-lo para ver o que estava acontecendo.
- Severus Snape, aproxime-se.
- Sim, Mestre.
- Você está bem, Severus?
Parece que está tão distante... Seu olhar parece...perdido...
- Estou me sentindo muito bem. Não
tenho nada.
- Chegue mais perto. - Snape se aproximou
ainda mais de seu mestre e Voldemort olhou profundamente nos
olhos, como se entrasse dentro do corpo dele.
- Ah! Já sei! Você está
sob efeito de um feitiço, Severus! - Ele arregalou os
olhos. - Agora me responda, como um comensal tão experiente
como você deixou que isso acontecesse?
- Como? Enfeitiçado eu? Não...não
pode ser...
- Sim, você está.
- Mas eu não estou sentindo nada,
estou ótimo!
- Então me responda só
uma coisa: está apaixonado por alguém?
Snape estranhou um pouco aquela pergunta...mas
não poderia esconder de seu mestre.
- Eu estou interessado numa pessoa...
Algum problema nisso?
- É esse o ponto, meu caro Severus.
Alguém lhe jogou um feitiço de amor. Que coisa
magnífica, não?! - O Lord das Trevas olhava para
os outros comensais e ria. Snape estava sério, não
entendia direito o que estava acontecendo.
- Mas...eu teria percebido... Eu não
bebi nenhuma poção que não fosse preparada
por mim...não fiz nada diferente... Realmente não
acredito que isso possa ser verdade.
- Não acredita? Então vou
lhe mostrar. - Voldemort sacou a varinha e encostou-a levemente
no braço de Snape. Quando esta encostou na pele dele,
acendeu uma luz rosa brilhante na ponta da varinha. - Esta vendo?
Essa luz ... rosa... quer dizer que você está enfeitiçado.
E...se eu não me engano, isso foi feito com uma receita
muito antiga... O famoso Pó do Amor, conhece?
Nesse momento passou, em uma fração
de segundos, na mente de Snape, a imagem de sua aluna, Tiffany
Brooks, lhe contando sobre um feitiço que não
dera certo...
- Sim, Mestre, eu conheço.
- Bem, não vamos mais discutir
sobre isso. Precisamos livrá-lo dessa situação
o mais rápido possível. Lucius, vá até
meu laboratório e me traga aquele vidro com a essência
verde e uma caixinha dourada que está ao lado, rápido.
Lucius não demorou a atender ao
pedido de seu mestre.
Voldemort serviu uma boa dose daquele
líquido verde numa taça e entregou para Severus.
Ele bebeu até o final, sem questionar seu mestre. Pensando
que realmente tudo aquilo poderia realmente ser verdade.
Depois o Lord das Trevas abriu aquela
caixinha dourada. Pegou com a mão direita um punhado
de um pó dourado que havia dentro e assoprou na direção
de Snape. Ele fechou os olhos e cambaleou. Balançou a
cabeça, esfregou os olhos e depois olhou para seu Mestre.
- Então, Severus? Sente-se bem
agora?
- Sim... acho que sim... Na verdade sinto-me
estranho...
- Ainda está apaixonado? - risos.
- Não...bem....creio que terei
que resolver esse assunto...
- Está liberado, Severus, pode
ir embora. Mas...por favor...tenha mais atenção!
Eu não quero ver meus comensais enfeitiçados.
- Obrigado, mestre.
**
Snape chegou bem tarde em Hogwarts. Teria
poucas horas para descansar antes do horário das aulas.
A segunda-feira seria longa...tinha muitos assuntos para resolver
**
No horário do almoço, a
Prof. Umbridge sentou-se ao lado de Snape. Estava com um perfume
doce e enjoativo e exibia um sorriso enquanto olhava para ele.
Severus engoliu a seco. O feitiço era realmente poderoso
para me fazer ficar apaixonado por essa.... - pensou.
- Dormiu bem à noite, professor?
- Sim, muito bem. - ele respondeu secamente.
- Temos que combinar uma noite dessas
para continuarmos nossa...conversa...
- Conversa? - ele se fez de desentendido.
- Aquela que começamos na sexta-feira,
lembra?
- Ah...sim. - ele revirou os olhos.
- Então... que tal hoje após
o jantar?
- Sinto muito, marquei uma detenção
com uma aluna.
- Ah...entendo... E, quando pode ser,
então?
- Bem... esta semana estou com muito
trabalho. Tenho três alunos com detenção,
aulas para preparar, trabalhos para corrigir...isso sem falar
nas poções que tenho que fazer para a enfermaria...
- E no fim-de-semana? - Dolores já
estava com a voz um pouco desanimada.
- Terei que ir a Londres para comprar
mais ingredientes. Sinto muito...
Umbridge não falou mais nada.
Abaixou a cabeça e tratou de terminar de almoçar.
Entendeu que Severus Snape estava dispensando-a. Poderia não
ter muita experiência com homens, mas sabia quando não
era mais ...digamos...desejável.
**
Após o jantar, Snape estava trabalhando
na sua escrivaninha quando alguém bateu na porta. Ele
sabia quem era e, com a varinha, abriu a porta, sem se levantar.
- Posso entrar, professor?
- Sim, Srta. Brooks. Entre e sente-se
naquela cadeira.
Ela fez o que ele disse. Snape ficou
ali na sua mesa por um bom tempo anotando, de cabeça
baixa, sem sequer olhar para Tiffany. Ela já estava se
sentindo mal, mas sabia que aquilo era um "jogo" de
seu professor.
Finalmente ele largou a pena e levantou,
olhando-a seriamente.
- Então, Srta. Brooks. Não
tem nada para me falar? Procurou-me ontem à noite para
me contar alguma coisa...estou esperando. - Ele cruzou os braços
e parou de pé na frente dela.
- Eu queria lhe falar sobre aquela poção.
- Vai me falar quem foi a vítima?
Quero que saiba que isso que a senhorita fez é muito
sério. Lidar com os sentimentos dos outros não
é brincadeira. A senhorita tem idéia do que poderia
ter causado? - Ele andava de um lado para outro, tentando não
encará-la.
- Poderia? Então o senhor...
- Sim, eu já sei de tudo.
- Mas...como...
- Não importa como, e sim que
eu já me livrei de seu feitiço. - Ele pegou uma
cadeira e sentou na frente dela, olhando-a nos olhos. - Quero
saber o porquê disso tudo. A senhorita deve ter se divertido
muito, acredito.
- Eu não...
- Quero que me dê um bom motivo
para eu não expulsá-la hoje mesmo da escola. Vamos,
fale! - Os olhos dele brilhavam de raiva e sua voz passava raspando
pela garganta.
- Professor...eu não fiz isso
para lhe causar problemas...muito menos para fazê-lo passar
por qualquer constrangimento...
- Então por quê?
- Bem...já faz algum tempo que
eu...me sinto...atraída pelo senhor. - Snape levantou
uma sobrancelha, incrédulo. - Tenho feito de tudo para
que o senhor me olhe, qualquer coisa... Mas nada. O senhor mal
fala comigo, mesmo eu pertencendo à Sonserina, mesmo
eu sendo a melhor aluna de Poções. Nada...o senhor
nunca me fala nada... Eu queria que tivesse dado tudo certo...então
agora estaríamos bem...mas aquela...aquela "sapa"
tinha que aparecer para estragar tudo...
- Não estaríamos bem nem
se aquela... - ele se corrigiu - se a Prof. Umbridge estivesse
aparecido. De qualquer forma, a senhorita não deveria
ter feito isso. Eu vivo falando para que não usem feitiços
de amor. Eu esperava isso de qualquer aluno, menos de uma Sonserina...
- Desculpe, professor. Eu só queria...
- ela baixou a cabeça.
- E... - ele tentava buscar as palavras
- de qualquer forma, senhorita, temos que observar que eu sou
seu professor, nada além disso. Temos certas regras a
cumprir.
Snape levantou da cadeira. Não
conseguia mais olhar nos olhos de Tiffany. Aquilo de certa forma
tocou no seu coração de pedra. Uma aluna apaixonada
por mim? Não me lembro disso ter acontecido alguma vez...
- pensou. Voltou a olhar para ela. Uma menina...ele não
poderia...
Tiffany ergueu o olhar para Snape.
- Então professor, vai mesmo me
expulsar?
Snape pensou por um segundo.
- Não agora, Srta. Brooks. Acredito
que a senhorita deva aprender a ter um comportamento digno de
uma aluna da Sonserina.
- Eu vou voltar a ser a melhor aluna.
- Espero que sim. - ele tentava esboçar
um sorriso.
- Posso ir para meu quarto agora?
- Sim, mas...esteja aqui amanhã
no mesmo horário. A senhorita ficará em detenção
por pelo menos um mês.
Tiffany levantou da cadeira sorrindo.
Pensou em abraçar seu professor, mas...era uma atitude
um pouco precipitada. Estava feliz... Agora teria sua primeira
detenção!
FIM
