| SAN PEDRO LA LAGUNA - GUATEMALA |
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| Pouco parece ter mudado neste recanto do para�so, desde a chegada dos �conquistadores�. De dif�cil acesso, este bel�ssimo lugar tem mantido intactos os seus costumes e o seu modo de vida rural. |
| No cora��o dos altos planaltos da Guatemala, uma pequena estrada mal asfaltada, que serpenteia pela montanha, mergulha de repente numa descida vertiginosa e vai dar �s �guas geladas de um dos mais belos lagos do mundo: Atitl�n. Os seus 120 km de margens escarpadas, bordadas por uma cadeia de vulc�es que parecem guardar este lugar paradis�aco, oferecem um espect�culo grandioso, num cen�rio digno da cria��o do mundo, onde se misturam os quatro elementos. San Pedro la Laguna � uma aldeia plantada �s margens deste lago, mas tendo nas suas costas o omnipresente vulc�o San Pedro; os seus habitantes, divididos entre o medo e a venera��o, prestam-lhe um verdadeiro culto. Pouco parece ter mudado neste recanto do para�so, desde a chegada das tropas do �conquistador� Pedro de Alva-rado, em 1524. De dif�cil acesso, este bel�ssimo lugar tem vivido isolado do resto do mundo, conservando intactos os seus costumes e o seu modo de vida rural. Nas terras encavalita-das nos flancos do vulc�o, os camponeses continuam a cultivar o �milho divino� - de onde foi feito o primeiro homem � segundo a mitologia �quich�. Os �Qui-ch�s� s�o �ndios maias que fundaram, no s�culo XIII, um pequeno imp�rio nas terras que hoje conformam a actual Guatemala. Agricultores mas tamb�m pescadores, usando as mesmas canoas primitivas, escavadas num tronco de |
| �rvore, tal como os seus antepassados, eles enfrentam as vagas, por vezes alterosas, do seu mar interior, rico de alimento. Alguns conserva-ram mesmo as suas roupas t�picas, que permitiam distinguir os habitan-tes das diversas aldeias; as huipiles das mulheres, essas camisas sem mangas que elas usam desde tempos imemoriais, ainda hoje alegram, com as suas cores vivas, as tranquilas ruas da aldeia. Subindo em direc��o � igreja, podemos ver ainda algumas habita��es t�picas, patrim�nio milenar dos �ndios Tzuthulis; elas foram, contudo, dando lugar a casas �em duro�, onde proliferam agora prec�rias habita-��es cobertas com chapa de zinco. A recente abertura ao turismo per-mitiu-lhes desenvolver um pequeno artesanato, recebendo os poucos � raros! � visitantes com o seu lend�rio sentido de hospitalidade. No en-tanto, recusam-se a deixar-se colonizar por estes novos �conquistado-res�, preferindo sacrificar a promessa de lucros incertos � conserva��o de uma identidade tenazmente defendida, desde h� quase cinco s�cu-los. �Acuerdate de tu creador. Di�s te ama. Ven a Cristo�, s�o algumas das frases que se podem ler pelas paredes da aldeia, bem como �s portas dos lugares de culto, que est�o disseminados pela aldeia. Tais manifes- |
| ta��es de f� n�o s�o suficientes para ocultar o peso que ainda t�m as cren�as populares em divindades ancestrais; podemos aqui assistir a um espect�culo envolvente e espectacular, com um grande sincretismo de rituais pag�os e crist�os, em que homens e mulheres invocam Gucumatz, o �Poderoso do C�u�, atrav�s de instrumentos do culto cat�lico! Apesar desta capacidade de resist�ncia, os �ndios do Lago Atitl�n integram, lenta mas inexoravelmente, elementos da cultura e do modo de vida ocidentais. Tanto na escola como no ex�rcito, as crian�as aprendem os rudimentos da Rep�blica e da �modernidade�, nesta era de globaliza��o que, estou cada vez mais convencido, come�ou com a epopeia mar�tima de quinhentos! |
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