| PARA�SOS / A COSTA DOS ESQUELETOS |
| osta dos Esqueletos. . . um lugar m�gico mas tenebroso, lindo mas aterrador, sa�do de hist�rias ver�dicas de marinheiros que ali naufraga-ram, e que tiveram a sorte que n�o coube � maioria: escapar com vida para contar a sua odisseia. Este � um lugar povoado por correntes mar�timas trai�oeiras, associadas a gigantescos bancos de nevoeiro, resultante do encontro do ar quen-te do deserto da Nam�bia com o ar frio do Oceano Atl�n-tico. E se por um lado se encontra o imenso oceano de �guas geladas � ali passa a cor -rente fria de Benguela � por outro est� o n�o menos aterrador e inco-mensur�vel oceano de areias escaldantes, que se encarrega de dar um destino cruel aos marinheiros se sal-vem com vida do naufr�gio mar�ti-mo, h�mido e frio, encarregando-se de os fazer sucumbir ao calor e � se- de neste trecho de costa �rida e des�rtica significava - e significa! - estar |
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| Estamos em �frica, mesmo por cima do Tr�pico de Capric�rnio (ver mapa), mas se algu�m esperar encontrar uma paisagem id�lica, com um convidativo mar azul e coqueiros, a desilus�o ser� grande: este � um lugar frio e h�mi do, com ondas cinzentas, que rebentam na praia em grandes molhos de espuma. Mais parece o Mar do Norte em Novembro! A arquitectura de Swakopmund, de estilo alem�o dos finais do s�culo XIX, des-toa um pouco nesta paisagem. As inscri��es em letras g�ticas, nas montras e le-treiros, aparecem misturadas com an�ncios em ingl�s ou afrikaans. Em Walwis Bay a atmosfera � completamente diferente. Esta antiga base de ca�adores de baleias � o �nico porto de �guas profundas em toda a costa da Na-m�bia; as suas imensas lagoas formam um dos principais habitats africanos para as aves aqu�ticas. Pelicanos e flamingos, entre outras, juntam-se aos milhares, a-cotovelando-se aqui aves migradoras de proced�ncias t�o diversas como a Euro-pa ou a Sib�ria, tendo como fundo um cen�rio de guindastes, armaz�ns e instala-��es portu�rias. Os namibianos t�m uma concep��o muito pragm�tica da protec��o da natureza: as �guas dos esgostos da sua capital, Walwis Bay, bem como os de Swakop-mund, n�o s�o deitados para o mar, mas sim em esta��es depuradoras situadas em pleno deserto, onde s�o regeneradas biologicamente. |
| Estes reservat�rios tiveram tal sucesso junto de patos e outras aves de passagem que houve necessidade de classific�-los como reservas naturais! � volta de Swakopmund foram constru�das ilhas artificiais sobre estacas onde os corvos-marinhos se v�m reproduzir aos milh�es. Todos os anos, no fim da esta��o de reprodu��o, estas plataformas est�o cobertas por uma camada de vinte a trinta cent�metros de guano, o qual � recolhido e exportado para a Europa como adubo para a agricultura. A col�nia de ot�rias (focas) de Cape Cross deve o seu nome ao navegador portugu�s Diogo C�o, que aqui desembar-cou em 1486; enganado pelo nevoeiro, ele ter� confundido as formas negras que se movimentavam nos rochedos com seres humanos. Esta col�nia conta hoje com 600.000 cabe�as! Ela est� concessionada a um curtidor de peles, o qual tem o direito de usar na sua ind�stria apenas uma percentagem fixa dos b�b�s que nascem em cada ano. Ao norte de Swakopmund, a Costa dos Esqueletos est� aberta ao turismo numa extens�o de duzentos quil�metros. Este � um destino muito procurado por alguns fan�ticos da pesca � linha, os quais se agrupam em acampamentos muito rudi-mentares, instalados a uma dist�ncia de 40 a 50 km uns dos outros. Durante este percurso encontram-se in�meras car-ca�as de barcos naufragados, adornados com corvos-marinhos (ver foto acima). Pode-se andar de jeep pela praia, na mar� baixa, mas h� que ter em aten��o �s areias movedi�as! Por uma quest�o de seguran�a � prefer�vel usar um caminho - de sal � que corre paralelo � costa, a certa dist�ncia. A partir da embocadura do Rio Ugab, a Costa dos Esqueletos foi transformada em reserva natural, com um acesso muito regulamentado. Pode-se ficar instalado em Terrace Bay, num acampamento de prospectores de diamantes, hoje trans-formado em abrigo. Est� interdito circular de carro pelo Parque, mas os passeios pedestres s�o permitidos. Cursos de �gua subterr�neos atravessam o Parque e criam o�sis longil�neos. Para montante, estes rios s�o ref�gio dos c�lebres elefantes e rinocerontes do deserto; encontram-se ainda oryxes, cabras springbok, avestruzes e le�es. Na praia encon-tram-se com facilidade pegadas de hienas e chacais. A Costa dos Esqueletos �, seguramente, um santu�rio de vida selvagem �nico no planeta: um dos poucos lugares on-de as quentes areias de um deserto v�m beijar os l�bios de um oceano bravio, trai�oeiro e frio! |
| votado a uma morte certa, visto n�o haver �gua pot�vel num raio de 1100 km, que � a dist�ncia que separa a desembo-cadura do Rio Cunene, a norte (fronteira da Nam�bia com Ango-la), da do Rio Orange, na fronteira com a �frica do Sul. Mas, se n�o h� absolutamente nada para matar a sede, o mesmo se passa com a comida. . . exceptuando alguns ca-d�veres de focas e tubar�es que se encontram espalha-dos ao longo da costa. Jamais se deve pensar em visitar a Costa dos Esqueletos de barco. S� os ousados marinheiros das frotas pesqueiras russa e sul-africana se aventuram nestas �guas riqu�ssimas em peixe. Ser� sempre por terra que se deve che-gar at� estas paragens. Desde Windhoek, capital da Nam�bia, uma estrada para norte, e v�rias picadas para sul, permitem chegar a Swakopmund. Atravessam-se os altos planaltos de Khomas Highland, verdadeira cicatriz que testemunha a separa��o da �frica e da Am�rica do Sul. A partir daqui a estrada dirige-se agora para o deserto da Nam�bia. Rola-se num universo mineral, sem pontos de refer�ncia, at� que ao longe aparecem as manchas cinzen-tas dos bancos de nevoeiro que indicam j� estarmos perto da costa. |
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