| CONTOS DA SELVA - 4 |
| omo todos os Wayanas, ele usa um calimb� vermelho, a tanga tradicional dos �ndios do interior. Como eles, ca�a, pesca e pratica uma agricultura itinerante sobre terra queimada... mas Andr� Cognat � um palassissi, um homem branco. . . Em 1961, com vinte e tr�s anos, escolheu uma outra forma de vida. Nada o fazia prever: nem a sua inf�ncia, partilhada entre os arredores de Lyon e uma pequena aldeia de Is�re, nem o seu emprego de oper�rio metal�rgico nas f�bricas Berliet. A ruptura seria brutal. Recusando o mundo moderno e com uma enorme sede de liberdade, Andr� decide deixar tudo. Azimute: a floresta amaz�nica! No entanto a aventura acaba mal: um naufr�gio numa piroga nos r�pidos do Alto-Maroni e o jovem li- on�s encontra-se, de golpe, imerso em plena selva... mas na situa��o de n�ufrago. Foi um grupo de �n- dios Wayanas que veio em seu aux�lio. Recolhido por estes para se recuperar durante apenas alguns dias, Andr� nunca mais os deixou. �Enamorei-me pelos �ndios. A sua incr�vel harmonia com a �gua, a terra, a floresta, tudo isso me fascinou imediatamente. Soube desde o in�cio que iria viver uma situa��o de n�o-retorno. . .� Desde ent�o o rapazinho de Lyon bate-se para salvaguardar a identidade dos Wayanas, cerca de 600 �ndios indestrut�veis. Completamente integrado na comunidade amer�ndia, ele criou a sua pr�pria aldeia: Antecume Pata, "a aldeia de Antecume". Ao fim de pouco tempo uma vintena de fam�lias Wayana tinha vindo instalar-se na sua aldeia. Andr� construiu uma escola, bem como um dispens�rio onde pratica os primeiros-socorros, assegura as vacina��es, ajuda aos partos. . . A escola e o dispens�rio foram constru�dos por Andr� sem nenhuma ajuda exterior, pois desde h� cerca de vinte anos que as suas rela��es s�o dif�ceis com as autoridades locais. A administra��o central recusa-se a financiar projectos em terri-t�rio �ndio, pois a maioria dos Wayana recusou, no come�o dos anos 70, a nacionalidade francesa: a Guiana � o seu territ�rio desde a noite dos tempos e n�o far�o deles estrangeiros. �Os �ndios encontram-se agora a um quarteir�o de dist�ncia da "civiliza��o", explica Andr� Cognat. Eles t�m novas necessidades, em armas, muni��es ou motores para as canoas. Mas devem, a todo o custo, conservar o seu modo de vida e as suas tradi��es. Os Wayana s�o os �nicos homens desta regi�o da floresta a terem preservado uma certa iden-tidade, e eu lutarei at� ao fim para defender a sua �diferen�a�. . .� Instalado h� j� trinta anos (1990) em Antecume Pata, Andr� transp�s definitivamente a fronteira que o separa do �mundo vermelho�, o mundo dos �ndios. Casado, pai de duas crian�as, Lanaki, 12 anos, e Koulilou, 6 anos, Andr� re-gressou a Fran�a h� tr�s anos, ap�s dezanove de aus�ncia, com toda a sua fam�lia. Para que os seus filhos compreen-dam, um dia, a sua outra vida. . . |
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| Escolheu ser �ndio entre os �ndios. J� n�o se chama Andr� Cognat mas sim "Antecume"... |
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