| CONTOS DA SELVA -1 |
dif�cil encontrar na Guiana um branco que conhe�a melhor a flores- ta. Pierre-Franck Dubernat percorre-a em todos os sentidos h� mais de vinte anos. Chefe de equipa do B.R.G.M., o Gabinete de Pesquisas Geo- l�gicas e Mineiras, ele abriu nas suas profundezas, nos anos setenta , v�- rios milhares de quil�metros de trilhos. A sua miss�o era recensear as zo- nas subterr�neas suscept�veis de abrigarem importantes quantidades de riquezas minerais: um trabalho de f�lego, realizado em condi��es extre- mas! A chuva, os mosquitos, a progress�o metro a metro, � catana, s�o para ele elementos mais que familiares; durante anos eles fizeram parte do seu quotidiano, num territ�rio acess�vel apenas depois de v�rios dias de piroga e de marcha for�ada atrav�s da espessa floresta. Mais de um quarto de s�culo de andarilhan�as nestas espessas sel- vas, consolidadas com err�ncias v�rias em todos os mares do globo a bordo do seu veleiro Solitaire, parecem-lhe suficientes: em 1980, Pierre- Franck decide pousar o seu saco de globe-trotter, e instala-se em Certitu- de, um antigo acampamento de pesquisadores de ouro perdido no meio da floresta. Encavalitada sobre uma pequena montanha, rodeada por al- guns picos mais elevados e por esta vegeta��o impenetr�vel que se con- funde com o horizonte, o lugar � em si mesmo um s�mbolo do isolamento absoluto, a v�rias dezenas de quil�metros de qualquer outro ser humano. �Nos primeiros dias, sente-se um certo abandono. . . no entanto, muito rapidamente, a solid�o instala-se e torna-se, a pouco e pouco, suport�vel; depois de alguns meses, acabamos por j� n�o sermos capazes de passar sem ela!� Pierre-Franck Dubernat escolheu viver plenamente o seu isolamento. Do seu reino, apenas algumas pessoas conhecem o lugar exacto: antigos colegas do B.R.G.M., ou ainda Patrick, o piloto do helic�ptero que, uma vez por ano, o aprovisio-na. De tempos a tempos, o eremita � obrigado a fazer uma visita � civiliza��o. Sobe at� Cayenne, reco-lhe a sua reforma de antigo militar, e tenta vender o seu quinh�o, algumas gramas de ouro extra�das em cada m�s da sua �concess�o de explora��o�. Algumas gramas de ouro que n�o chegam para alimentar um homem em plena floresta, mas que lhe permi-tem sobreviver. Pierre-Franck Dubernat escolheu viver plenamente o seu isolamento. Do seu reino, apenas algumas pessoas conhe-cem o lugar exacto: antigos colegas do B.R.G.M., ou ainda Patrick, o piloto do helic�ptero que, uma vez por ano, o apro-visiona. De tempos a tempos, o eremita � obrigado a fazer uma visita � civiliza��o. Sobe at� Cayenne, recolhe a sua re-forma de antigo militar, e tenta vender o seu quinh�o, algumas gramas de ouro extra�das em cada m�s da sua �conces-s�o de explora��o�. Algumas gramas de ouro que n�o chegam para alimentar um homem em plena floresta, mas que lhe permitem sobreviver. Do fundo do seu long�nquo isolamento, o eterno solit�rio n�o deixa de estar atento ao velho mundo: l� bastante, e capta no seu r�dio os programas em franc�s, em onda curta, da R�dio Moscovo Internacional. . . Ao longo dos anos, delimitou o seu territ�rio: no sop� da montanha, a �concess�o de explora��o�; no cimo, as planta-��es de bananas, de inhames ou de papaias, que lhe asseguram uma auto-sufici�ncia alimentar e fazem a alegria dos seus �nicos companheiros: as centenas de macacos, de tapires e de porcos-do-mato. Recluso no seu reino, Pierre-Franck Dubernat come�ou a escrever as suas mem�rias. Tem tamb�m um outro proje-cto que lhe enche o cora��o: construir um observat�rio cient�fico, com um telesc�pio, no alto da colina. Para melhor pre-encher a sua solid�o. . . |
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| Metade pesquisador de ouro, metade eremita, Dubernat escondeu o seu reino aos p�s da montanha. . . |
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