MEC , FINALMENTE, VAI ABRIR CONCURSO PARA PROFESSOR: DUAS MIL VAGAS NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS FEDERAIS DE TODO O PAÍS
 
 
 

O Ministério da Educação anuncia até o fim de abril a abertura de concurso público para o preenchimento de duas mil vagas de professor nas Universidades Federais. A iniciativa, determinada pelo ministro Paulo Renato Souza, ainda depende de aval da equipe econômica do governo. O concurso tem caráter emergencial. Há seis anos o governo não autoriza os concursos e as Universidades lançam mão de professores substitutos. As Universidades públicas brasileiras tem sete mil vagas de professor. A contratação emergencial de professores é uma reivindicação da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que reune as 52 Universidades públicas federais.
''Um concurso público emergencial atenuaria a situação das Universidades. O professor substituto não é um pesquisador. Ele apenas dá aulas e isso estrangula o sistema'', observa o reitor da Universidade Federal do Paraná, Carlos Roberto Antunes dos Santos. Do corpo docente da Universidade paranaense, 15% são professores substitutos. O índice sobe para 30% na Universidade Federal de Pernambuco.
''Sabemos que as Universidades precisam urgentemente contratar professores'', diz o secretário de Educação Superior, Antonio MacDowell, diante da evidencia de que o crescimento das instituições nos últimos anos não corresponde ao aumento do corpo docente. O Ministério da Educação quer incluir no edital do concurso uma cláusula que destine vagas preferencialmente a professores doutores. A distribuição das vagas nas Universidades dependerá, entre outros ítens, da relação aluno/professor.
Outra medida que pode ser adotada pelo MEC - no pacote destinado às Universidades - á a ampliação do prazo de contrato dos atuais professores substitutos. Atualmente, eles são contratados por um ano, renovável por mais um ano. O mesmo professor só pode ser recontratado depois de 24 meses. A idéia é ampliar o período de contratação para 36 meses, com interrupções e renovações a cada seis meses. Esgotado o contrato, esse professor poderá ser contratado depois de um ano. O Ministério da Educação anunciará também uma gratificação (Retribuição Adicional Mensal) para os técnicos administrativos das Universidades. O valor da gratificação vai variar de acordo com a carreira de nível médio, superior ou de apoio, e com a remuneração bruta do funcionário. A intenção é diminuir as diferenças salariais entre os que tiveram ganhos por decisão judicial e aqueles que não foram beneficiados. Do pacote constará o estabelecimento de regras para o Fundo de Infra-Estrutura, destinado a melhorar as condições das instituições públicas. O fundo é gerido pelos ministérios da Educação e da C&T. Outra medida é o projeto que será encaminhado ao Congresso, com mudanças no vínculo empregatício dos novos professores. ''É um conjunto de medidas articuladas que beneficiam as Universidades, dando flexibilidade administrativa e possibilidade de formulação de políticas acadêmicas e de pessoal'', diz o secretário de Educação Superior.
Projeto muda contrato de trabalho. O projeto que o Ministério da Educação pretende enviar ao Congresso
alterando o vínculo empregatício para os novos professores que ingressarem nas Universidade Federais deve provocar polêmica. O MEC quer implantar o regime de emprego público regido pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Isso significa a perda da estabilidade e da aposentadoria integral. Pelo  projeto, os atuais professores continuariam regidos pelo Regime Jurídico Único. A proposta do ministério não encontra respaldo na Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Segundo o reitor da Universidade Federal do Paraná, Carlos Roberto Antunes dos Santos, a entidade é ''por princípio'' a favor da estabilidade e da aposentadoria integral. Ele ressalta, entretanto, que a Andifes não se nega a debater o emprego público e que anunciará sua posição oficial no mês que vem.
A proposta do governo estabelece avaliações de desempenho para os professores e técnicos  administrativos. Eles poderão ser demitidos depois de reiteradas avaliações negativas. As avaliações seriam realizadas de dois em dois anos pelas próprias Universidades. ''Não há ameaça ao emprego. O que há é que a reiterada avaliação negativa pode possibilitar a demissão'', abranda o secretário de Educação Superior, Antonio MacDowell. Pelo projeto, as Universidades teriam de administrar duas carreiras:
a nova e a atual. ''Não há como discutir alterações na atual carreira ao mesmo tempo'', afirma o secretário de Educação Superior, Antonio MacDowell. Caso o governo autorize a abertura de concurso, os aprovados serão contratados pelo atual regime. A Andifes pediu à sua Comissão de Política de Recursos Humanos uma proposta sobre o emprego público. O debate dessa proposta resultará na posição oficial da Andifes. Segundo o presidente da comissão, o reitor da Universidade do Paraná, a proposta inclui unificação das carreiras - ao contrário do que pretende o MEC -, criação de um piso salarial unificado para os novos e atuais professores e técnicos e eliminação dos desvios de função entre os técnicos.
O MEC pretende encaminhar o projeto ao Congresso em abril e aprová-lo ainda este ano. Caso não consiga, enfrentará dificuldades ainda maiores em 2002, quando os políticos evitarão aprovar propostas polêmicas por causa das eleições.
 
 

Fonte: Jornal do Brasil, 22/03/2001
 
 
 
 

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