O Brasil entrou em um ciclo fatal que levará, invariavelmente, a desconstrução de sua malha científica, arduamente construída nos últimos 30 anos. Eficientemente este governo está criando uma cratera de anos na renovação dos corpos docentes das universidades públicas,  induzindo acomodação e perda de qualidade. O futuro mercado de trabalho, principalmente de profissões ainda novas e menos agressivas no mercado, como a de biólogo, depende profundamente de cursos fortes, sérios e produtivos e de renovação nas instituições de pesquisa.

É de conhecimento da maioria o descaso, e a displicência com que o governo e as próprias IFES (Instituições Federais de Ensino Superior) tem levado o problema das contratações de novos professores. Amarrados pelos acordos e critérios castradores do MEC, os Reitores se encontram fracos e sem poder de barganha. A discussão circula sem sucesso em torno de ter ou não regime celetista, e com este propósito vamos para o quarto ano sem contratações e efetivações de pessoas concursadas para vagas novas. Cursos criados por pressão do MEC entram na inoperância. Há casos de cursos entrando no sexto período com apenas dois professores efetivados para o mesmo, e sem perspectivas de oferta de disciplinas eletivas! Do outro lado, nós, desempregados, e treinados ao nível máximo possível. Nunca antes o mercado profissional no Brasil esteve tão bem provido de candidatos, e nunca foram tão poucas as ofertas de emprego na ciência, e nem tão desesperadoras as perspectivas futuras! Ainda representamos apenas 1,2 % da produção científica mundial, e detemos apenas 0,06 % das patentes, mas o governo prefere não investir no fortalecimento da comunidade científica brasileira. De 1998 para 1999 a inclusão de doutores nos quadros efetivos das IFES foi de 1.481 (a maioria pelo treinamento do corpo já existente), contra o total de 8.790 novos títulos obtidos por brasileiros (Fonte: INEP/MEC) ! Os números falam por si só.

Toda uma bagagem acadêmica, imprescindíveis conexões dentro da comunidade internacional, estão ameaçadas pela falta de estabilidade e chance de progressão de centenas de doutores brasileiros recém formados, nesse país e no exterior. Nem as demandas internas, nem o amadurecimento da comunidade científica nacional, em padrões internacionais, a de acontecer na próxima década diante deste quadro. O corpo docente efetivo já não é suficiente para o trabalho, e muitos departamentos e núcleos de pesquisa estão envelhecendo precocemente devido à falta de renovação. Aos cientistas por vocação, restou lutar mais uma vez, ou, como muitos, abandonar e contribuir para o conhecimento em países com políticas científicas coerentes.

Recentemente, após manifestações publicadas no JCE-mail (29 de novembro de 2000) e no jornal diário Estado de Minas (13 de dezembro de 2000), um grupo de recém doutores e doutorandos de último ano, no país e no exterior, se juntaram para discutir o problema e tentar criar uma reação nacional, em cadeia, de forma a pressionar o governo e as universidades para que saiam desta inércia em que se encontram, e resolvam o impasse das contratações. Um manifesto internacional, visando provocar reações em nosso favor por parte de contrapartidas científicas estrangeiras foi também escrito.
Convidamo-lo a aliar-se aos nossos esforços, e divulgar estes textos, e manifestar sua opinião nos meios de comunicação possíveis.

Segue abaixo um manifesto, que caso você concorde, por favor, repasse para pesquisadores, formadores de opinião e brasileiros recém formados e outros na busca de apoio.
 
 
 
 
 

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