Juntamente com estes dados seria facilmente
observável a existência de algumas àreas de concentração
de mulheres e algumas de maior concentração de homens, ficando
para estes últimos as áreas relacionadas ao conhecimento
matemático, principalmente nos setores de pós-graduação.
Assim, quando cerca de 37% dos títulos de doutor em Ciências Sociais na França e nos Estados Unidos foram outorgados a mulheres em 1992, os valores equivalentes para a Física são apenas 19% na França e 12% nos Estados Unidos. Os números são ainda mais baixos para as Engenharias e para os países europeus de origem não latina: foram de 10% dos títulos de doutor nas várias Engenharias foram obtidos por mulheres na Alemanha e no Reino Unido em 1992.[VEL98, p.312]
Vários estudos já estariam
sendo realizados para a compreensão do processo de socialização
dos papéis sexuais no campo da Matemática (dentre outros)
[ENT94; ETH88; LEW71; LON90; apud. VEL98], sendo a diferença entre
os países mais e menos industrializados relativamente pequena.
Da mesma forma, mesmo após vencerem as barreiras de acesso à carreira acadêmica, as mulheres não estariam avançado dentro deste espaço da mesma maneira e na mesma velocidade que os homens, sendo utilizada para tanto a explicação tradicional de que as mulheres produzem, cientificamente, menos [VEL98, p.315]. No entanto, Eva Alterman Blay e Rosana R. da Conceição, no artigo intitulado "A mulher como tema nas disciplinas da USP "[ALT91] apontam para o fato de haver uma produção científica igualitária no corpo docente da USP, maior universidade brasileira, o que desbancaria o argumento apresentado por Léa Velho e Elena Léon de que as mulheres produzem menos. [ALT91, p.51]
Outra área de difícil acesso para as mulheres, segundo as autoras, seria a dos cargos administrativos dentro das Universidades, havendo uma valorização dos mesmos por parte dos homens, interessados nos privilégios obtidos através das estruturas internas de poder (tais como os critérios de avaliação de desempenho e a alocação dos recursos). [VEL98, p.131]
Procurando verificar se as afirmações acima apontadas condizem ou não com a realidade brasileira, o presente trabalho procurou levantar alguns dados junto ao corpo docente de uma instituição de Ensino Superior do Sul do Brasil. Optou-se, assim, pelo Estado de Santa Catarina pelo seu atual desenvolvimento e investimento na área tecnológica.
Como foco de estudo, optou-se pela realidade da Fundação Universidade Regional de Blumenau (Furb) por ser a mesma a maior universidade do interior do Estado de Santa Catarina e encontrar-se inserida no Vale do Itajaí, pólo das indústrias têxteis e de desenvolvimento de Software do Estado [PRE99]. Devido ao curto espaço te tempo para a realização da pesquisa, optou-se ainda pela restrição da mesma ao corpo docente do Centro de Ciências Exatas e Naturais, da qual fazem parte os departamentos de Física, Matemática, Química, Sistemas e Computação e Ciências Naturais.
Para atingir o objetivo proposto foram realizadas pesquisas junto ao setor de Registro Docente da Instituição escolhida e enviados questionários a todos/as os/as professores/as do Centro de Ciências Exatas e Naturais buscando encontrar respostas para as seguintes questões:
Após a implantação
de uma faculdade de Filosofia e Direito na cidade de Blumenau (em 1962)
uma série de palestras e movimentações foram realizadas
com o intuito de convencer autoridades regionais e a população
em geral para a importância de uma sede que abrigasse o Ensino Superior
na cidade. Através do trabalho de divulgação e do
levantamento de fundos, efetuou-se o convencimento de toda a região
de que a iniciativa traria benefícios para todos os 23 municípios
envolvidos com este objetivo. [PET92, p.36].
O Movimento Pró Sede Própria foi uma das maiores iniciativas do gênero registradas no Vale do Itajaí desde os seus primórdios. Tendo por objetivo arrecadar recursos para a consolidação da Universidade Regional, organizou-se um trabalho de conscientização sem precedentes, envolvendo trabalhadores, agricultores, empresários, estudantes, políticos de todas as correntes partidárias, prefeitos municipais, igrejas, líderes sindicais e classistas, enfim, a população do Vale do Itajaí por inteiro. [PET92, p.35]
Uma série de Instituições
Isoladas de Ensino Superior estavam surgindo no Estado instituídas
pelos poderes políticos locais que subvencionava a sobrevivência
das mesmas (e as subordinavam ao poder político municipal). Ao analisar
o processo de surgimento destas instituições, Genuíno
Bordignon observa que as forças ambientais (caracterizadas pelo
sistema de valores que dirigem o comportamento dos indivíduos e
grupos) tiveram especial destaque na fixação dos objetivos
destas organizações educacionais [BOR78], que se destinavam
à fixação da mão-de-obra na região e
ao desenvolvimento cultural e político da mesma. Além disso
o ensino superior funcionava como um instrumento de ascensão social
e assumia um papel de ordem política ao contribuir na formação
das elites dirigentes do Estado [HW99, p.60].
Atualmente a Universidade Regional de Blumenau é a maior Universidade do interior do Estado de Santa Catarina com oito campi, 32 cursos de graduação, 45 cursos de especialização, 6 programas de mestrado e abrigando cerca de 14 mil estudantes, mais de 650 professores e 366 servidores técnico-administrativos. [HIS01]
Tabela 1: Quadro dos/as professores/as do CCEN da FURB - 2000
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Efetivos/as
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Substitutos/as
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Total
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Gráfico 1: Número de professores/as do CCEN por departamento.
De acordo com a tabela 1, é possível observar a total ausência de mulheres no departamento de Sistemas e Computação. No entanto, já houve no passado uma docente fazendo parte do quadro de professores deste departamento, tendo sido a mesma uma das responsáveis pela implantação do curso de Ciências da Computação na Universidade, ainda assim, ela acabou por se desligar do Centro de Ciências Exatas e Naturais para se integrar ao Centro de Ciências Tecnológicas.
Uma possível explicação para o não surgimento de novas docentes na área de Sistemas e Computação pode ser a da supervalorização da área para a região e da conseqüente afluência de homens para a mesma. Blumenau tem sido reconhecida nos últimos anos não apenas como um pólo têxtil mas também como um pólo de Software, havendo uma grande procura de profissionais para este setor (em sua maioria homens) e uma valorização social e salarial.2
De acordo com a pesquisa realizada pela socióloga Dr. Eva Alterman Blay, trabalho domesticado: a mulher na indústria paulista, a ausência de mulheres em determinado setor da sociedade pode ser explicado na correlação entre as condições de absorção e concorrência no mercado de trabalho com a procura de determinados cursos e profissões por parte de homens e mulheres: quando ocorre uma alta na valorização salarial de uma determinada profissão, ela passa a ser procurada pelos homens, quando há uma queda os homens a abandonam e as mulheres passam a ocupar este espaço. [BLA78]
Este fenômeno também pode ser observado na área da Química, setor este que já havia ocupado maior destaque na região pela sua demanda dentro da indústria têxtil, e que anda perdendo status para a computação). Até o ano de 1994, o departamento de Química contava com 2 mulheres e 9 homens, á partir de 1995 mais 14 docentes foram incorporadas ao quadro de professores, dentre eles estavam 7 mulheres. Atualmente as mulheres representam 37,5% do total de professores neste departamento.
Na Matemática houve, nos últimos
6 anos, a contratação de mais mulheres que homens para o
corpo docente, fazendo com que as mesmas sejam hoje 48,48% do total de
professores. O departamento de Ciências Naturais, por sua vez, possui
em seu quadro 41,66% de mulheres, tendo as mesmas se integrado à
docência da Universidade praticamente no mesmo período que
as docentes do departamento de Matemática (a partir de 1990). Na
Física, apesar do baixo número de professoras, 3 (num total
de 10), são as mulheres que se encontram a mais tempo dentro da
Instituição, conforme demonstra a tabela 2.
Tabela 2: Tempo de serviço dos/as professores/as que atuam no CCEN - 2000
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Matemática
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2 homens |
7 homens |
4 homens |
2 homens |
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Física
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2 homens |
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Química
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7 homens |
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1 homem |
4 homens |
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Ciências
Naturais
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11 homens |
1 homem |
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Sistemas
e Computação
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Total
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29 homens |
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Tempo de serviço
Gráfico 2: Contratações de professores/as que formam o CCEN.
Observando a tabela 2 e o gráfico 2, referente ao tempo de serviço dos/as professores de cada departamento, é possível perceber o aumento gradativo de mulheres no corpo docente, chegando o mesmo a dar um salto quantitativo nos últimos cinco anos. Até o início de 1995 havia 15 mulheres distribuídas pelos cinco departamentos que hoje incorporam o CCEN (sendo este número resultante de um processo de 20 anos - 1975 a 1995), de 1995 até o ano de 2000 este número saltou para 43, com mais 28 mulheres se integrando ao quadro de professores/as num período de apenas seis anos.
Até 1995, a média de contração de mulheres havia sido em torno de 5,5 mulheres a cada 5 anos (entre 1985 até 1994) e em torno de 2 no período anterior ao de 1985. Neste mesmo período a média de contratação dos homens se mantinha praticamente a mesma, em torno de 14 contratações entre 1975 e 1995. Até 1995 havia um total de 57 homens divididos nos 5 departamentos, tendo sido contratados apenas mais 28 para os seis anos seguintes.
Tabela 3: Titulação dos/as professores/as pertencentes ao Quadro do CCEN - 2000
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Matemática
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1 mulher |
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Química
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Física
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Ciências
Naturais
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Sistemas
e Computação
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Total
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1 mulher |
Ao se levar em consideração a titulação do corpo docente de cada departamento, as mulheres acabam se sobressaindo no departamento de Física, sendo que duas das três docentes já detêm o título de doutorado, contra 2 dos 7 homens. Na Matemática e na Química, elas são a maioria dos mestres no Departamento, enquanto os homens são a maioria dentre os/as docentes com o título de doutorado. No entanto, a porcentagem de mulheres com stricto senso (mestrado e doutorado) é superior à dos homens em ambos os casos: na Matemática são 56,25% das mulheres e 35,29% dos homens, na Química são 88,88% das mulheres e 80% dos homens.
No departamento de Ciências Naturais a situação se inverte, mestres e doutores homens são a maioria e representam 85,71% dos docentes do departamento, contra 73,33% das mulheres. No departamento de Sistemas e Computação, onde há apenas homens, a porcentagem de professores com os títulos de mestrado e doutorado, corresponde a 69,56% do total de docentes.
A diferença constatada, que aponta para uma melhor titulação das mulheres em relação aos homens, pode ser atribuída ao fato da maioria das mulheres haver ingressado na Instituição recentemente, no período em que a política de contratação passou a privilegiar doutores/as e mestres.
A pontuação dos/as professores é calculada com base em sua titulação, seu tempo de serviço e a sua Produção Científica. Cargos administrativos e carga horária também são levados em consideração. Doutores/as recebem uma pontuação superior à dos/as que possuem o título de mestrado (30 e 20 pontos, respectivamente) e estes, por sua vez, recebem uma pontuação superior à dos/as especialistas (que é de 10 pontos). O tempo de serviço é contabilizado com 1 ponto a mais por cada ano de trabalho prestado à Instituição.
A produção científica de cada professor/a também é pontuada e avaliada, sendo que para tal cada professor/a remete uma cópia de seus trabalhos à Sessão de Registro Docente para que seja avaliada por uma comissão. Após a devida avaliação o material recebe a seguinte pontuação: Livros (3 pontos), publicação internacional (2 pontos), artigos em revista especializada (1), artigos em revista não especializada (0,25) e comunicações (0,25).
Ao todo são 8 níveis, havendo uma pontuação específica para o ingresso em cada um deles. A cada 12 pontos adquiridos o/a professor/a passa ao nível subseqüente do Plano de Carreira (0 a 11 pontos = A1; 12-23 = A2, etc.) com exceção da passagem dos níveis A para os níveis B, onde são necessários 12 pontos a mais (A4 = 36; B1 = 60).
De acordo com estes dados, os/as professores/as
do CCEN encontram-se da seguinte forma distribuído/a dentro do Plano
de Carreira:
Tabela
4: Nível dos/as professores/as do CCEN dentro do plano de Carreira
- 2000
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| AA1 |
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| AA2 |
1 mulher |
3 mulheres |
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4 mulheres |
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| AA3 |
4 mulheres |
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4 mulheres |
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| AA4 |
4 mulheres |
1 mulher |
4 mulheres |
5 mulheres |
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14 mulheres |
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1 mulher |
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1 mulher |
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| BB2 |
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2 mulheres |
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| BB3 |
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| BB4 |
1 mulher |
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2 mulheres |
Observando a tabela 4 podemos perceber que há uma grande concentração de homens e mulheres ocupando o estágio intermediário do plano de carreira da Universidade (no nível A4). Levando em consideração a tabela 2, que aponta para o fato de haver 9 mulheres e 39 homens trabalhando na Instituição a mais de 10 anos, poderia-se esperar que estes homens e mulheres estivessem ocupando os níveis superiores do Plano. No entanto, há apenas 22 homens e 5 mulheres no nível B. A hipótese, nesse caso, pode ser de que não havia titulação ou publicações suficientes para um maior avanço destes/as professores/as.
Analisando cada departamento individualmente, percebe-se que 2 das 3 mulheres do departamento de Física encontram-se, uma, no topo (B4) e outra no nível B2. Ambas as docentes estão na Instituição desde o final da década de 70, possuem publicações e procuraram obter titulação (uma delas possui o doutorado e a outra possui o mestrado). A terceira mulher deste departamento ingressou no ano de 1997, possui o título de doutorado e já se encontra no estágio intermediário, ou seja, no nível A4, em condições de ingressar no nível B1. Quanto aos homens, há apenas um deles no nível B, tendo o mesmo ingressado na primeira metade da década de 80. Cinco docentes encontram-se no estágio intermediário, dois ingressaram na década de 80, um no início dos anos 90 e os demais nos últimos quatro anos.
Na Matemática há duas mulheres em situação semelhante às da Física, ocupando exatamente o mesmo lugar no plano de carreira (B2 e B4), com a diferença de que uma delas entrou na Instituição no início da década de 80 (B2) e a outra no início da década de 90 (B4). Observando a situação dos homens deste departamento e que se encontram no nível B, percebemos que a maioria deles está trabalhando na Furb já há mais tempo. Dois, dos três que estão na categoria B4, chegaram à Instituição na segunda metade da década de 80 e o terceiro deles no início da década de 90. O docente que se encontra na categoria B3 se encontra na Universidade desde o final da década de 70 e o da categoria B2 ingressou no início da década de 90. O mesmo ocorre no estágio intermediário, onde há 5 homens e 4 mulheres. As mulheres chegaram à Instituição no final da década de 80 e início da década de 90 (87, 88 e 91), os homens deste nível chegaram, respectivamente, em 79 (2), 84, 86 e 91.
No departamento de Química não há mulheres ocupando os níveis B do plano de carreira. Cinco das 9 mulheres do departamento são substitutas (todas contratas a menos de três anos), e as demais ingressaram, respectivamente, duas no final da década de 90, uma no final da década de 80 e a outra no início da década de 80. Ainda assim, todas as mulheres do quadro já se encontram no estágio intermediário do plano de carreira (A4). Dos homens que se encontram na categoria B, um deles ingressou na Furb no início da década de 70 (B1); dois deles na década de 80 (B1 e B4) e o último deles ingressou no ano de 91 (B2).
Nas Ciências Naturais há apenas uma mulher ocupando lugar no nível B, sendo que a mesma passou ao quadro de professores no início da década de 90 (B1). Quanto aos homens, sete deles fazem parte desta categoria, cinco ingressaram na Instituição na década de 70 (dois estão no nível B3 e os demais no B1) e dois no início da década de 80 (ambos B1). No estágio intermediário há 5 mulheres e 3 homens. Dentre as docentes uma ingressou no final da década de 80, uma na primeira metade da década de 90, duas no final desta década e uma no ano de 2000. Dos homens um ingressou em 1975, um no início da década de 90 e outro em 2000.
No departamento de Sistemas e Computação há 6 homens fazendo parte do nível B do plano de carreira, dois deles se encontram no nível B2 e ingressaram, respectivamente, em 77 e 87. Os demais se encontram no nível B1 e ingressaram, 3 deles, no início dos anos 90 e um deles no início dos anos 80. Dos professores que se encontram no estágio intermediário, dois iniciaram sua carreira na década de 70, 1 na década de 80 e os demais na década de 90.
De acordo com os critérios adotados
pela Seção de Registro Docente, seguem as tabela da produção
científica do corpo docente do CCEN:
Tabela 5: A produção científica dos professores do CCEN da Furb - 2000
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Revista
Especializada
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Revista
não
Especializada
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Publicação
Internacional
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Comunicações
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Matemática
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Física
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Química
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Ciências
Naturais
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Sistemas
Computação
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Total
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Tabela 6: A produção científica das professoras do CCEN da Furb - 2000:
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Revista
Especializada
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Revista
não
Especializada
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Publicação
Internacional
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Comunicações
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Matemática
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Física
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Química
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Ciências
Naturais
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Total
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De acordo com as tabelas 5 e 6 acima, a grande maioria dos/as professores/as do CCEN tem publicado material em revistas não especializadas (205 publicações) e revistas especializadas (184 publicações). Há ainda 86 publicações internacionais e 29 livros. As comunicações totalizam 803 e são em maior número que as publicações (ao todo 504). Vinte e seis professores/as não possuem nenhuma publicação ou comunicação (6 homens e 4 mulheres da Matemática, 4 e duas mulheres das Ciências Naturais e 5 homens do departamento de Sistemas e Computação) o que equivale a 22,22% das mulheres e 27,94% dos homens.
As mulheres (que são em número de 27 e se encontram, em sua maioria, a bem menos tempo na Instituição que os homens) são responsáveis por 25,2% das publicações do Centro de Ciências Exatas e Naturais (23,36% das publicações em revistas especializadas, 23,9% das publicações em revistas não-especializadas, 24,13% dos livros publicados, 32,55% das publicações internacionais e 39% das comunicações). Os homens, por sua vez, são responsáveis por 74.8% das publicações. Contabilizando desta forma tem-se a impressão de que as mulheres estão produzindo menos que os homens, o que pode ser falsamente interpretado diante de todo um departamento onde não há mulheres contribuindo para com a produção científica do CCEN. No entanto, ao se observar cada departamento em particular, é outra a imagem que se forma.
Dividindo a quantidade de publicações dos homens e das mulheres de cada departamento pelo número de homens e mulheres que cada departamento possui, obtem-se as seguintes informações: No departamento de Matemática há 15 homens responsáveis por 128 publicações, o que dá uma média de 8,5 publicações para cada um. Há também 63 publicações para serem divididas entre 11 mulheres, o que dá uma média de 5,7 publicações para cada uma. Na Física são 16 publicações para 7 homens, o que equivale a 2,28 publicações para cada um. As mulheres, por sua vez, são em número de 3 e possuem 33 trabalhos publicados, 11 para cada uma. Na Química existem 33 publicações para 12 homens (equivalendo a 2,75 por docente) e 13 para 4 mulheres (equivalendo a 3,25 por docente). Nas Ciências Naturais 14 homens produziram 34 trabalhos (2,43 para cada um) e 9 mulheres produziram 18 trabalhos (2 para cada uma).
Os 20 homens do Departamento de Sistemas e Computação, por sua vez, produziram cerca de 163 publicações, o que dá uma média de 8,15 publicações por professor. É possível observar ainda, que houve um aumento significativo no número de publicações desta parcela do corpo docente nos últimos anos, fato este que acompanha a criação do Seminário de Computação (destinado a divulgar a produção científica desta área no sul do país e que publica anualmente seus Anais).
De acordo com as informações
acima arroladas, obtem-se o seguinte quadro (cf. Gráfico 3): A parcela
de professores/as do CCEN que mais tem produzido publicações
é a das mulheres do departamento de Física (em média
11 para cada uma), em segundo lugar encontram-se os homens da Matemática
e os da Computação (com uma média de 8,5 e 8,15),
em seguida vêm as mulheres do departamento de Matemática (com
5,7) e as mulheres da Química (3,25). Os professores dos departamentos
de Química, Ciências Naturais e Física estão
com uma média de produção de 2,75, 2,45 e 2,28, respectivamente.
Por fim encontram-se as professoras das Ciências Naturais, com uma
média de 2 publicações para cada uma.
Gráfico 3: Número de publicações por departamento do CCEN.

Além das questões abordadas na seção anterior, os/as professores/as forneceram respostas relativas ao interesse de cada um/a em ascender ou não no plano de carreira; quanto aos empecilhos e inventivos para tal; o papel da família na carreira acadêmica; o interesse (ou não) por funções administrativas; a produção científica de cada um/a e o interesse dos/as mesmos em continuar produzindo material científico e orientar projetos de pesquisa dentro da Universidade (conforme pode ser observado no questionário aplicado. Anexo 1)
Mediante a pergunta pelos incentivos de cada um/a em continuar neste processo, 1 mulher e 8 homens não responderam. Houve ainda quem respondesse haver poucos incentivos (1 mulher) ou nenhum (1 homem). Dez homens e duas mulheres descreveram os pré-requisitos da Instituição para a ascensão no plano de carreira (fazer doutorado/mestrado e publicar artigos)
Dentre as demais respostas dos homens há 9 referências à questão financeira como motivadora no plano de carreira. A auto-motivação é apontada três vezes e o medo de ser reconhecido como alguém acomodado surge uma vez. Há ainda a citação desse processo poder ser encarado como um novo desafio e uma nova oportunidade.
As mulheres apontaram a possibilidade de crescer profissionalmente e a vontade de trabalhar como um incentivo à ascensão no plano de carreira. Uma delas se refere à família e aos colegas de trabalho como incentivadores/as e outra, que não se encontra ainda dentro do quadro de professores efetivos, se vê motivada a terminar sua dissertação para prestar concurso em 2001.
Perguntados/as pelos possíveis empecilhos na ascensão do plano e carreira, 9 homens não deram resposta e alguns alegaram não haver empecilho nenhum. Seis homens se referem à falta de tempo como um fator complicador, tanto para efetuar mais estudos como para produzir mais trabalhos escritos. A baixa titulação e produção científica de alguns foi descrita como empecilho juntamente com a dificuldade de conseguir uma vaga junto às instituições de Ensino Superior que possuem cursos de mestrado e doutorado. Três professores apontaram ainda a falta de recursos financeiros destinados à pesquisa e um deles apontou para os "empecilhos naturais a qualquer avanço: outros profissionais também desejando galgar novos postos".
As mulheres, por sua vez, também citaram a falta de tempo (3 vezes) e de recursos da universidade (4 vezes), refletida na baixa contratação de professores/as (resultando na sobrecarga dos/as que se encontram na Instituição). Uma docente se referiu à falta de uma política de incentivo à pesquisa e outra citou a falta de apoio, "tanto do governo como da instituição". Não por último, as funções familiares e a gestação foram apontadas por uma mulher casada e com filhos, como empecilho para a ascensão no plano de carreira.
Dentre os homens que responderam, várias foram as justificativas para assumir uma função administrativa na Universidade: a necessidade estrutural, a impressão de que isto "faz parte" do trabalho de um/a docente; a união do trabalho acadêmico com a prática administrativa; a possibilidade de implantar uma nova filosofia de trabalho, chamada de científico-pedagógica; etc. No entanto, a principal justificativa acabou sendo a de "contribuir com a instituição", melhorando os cursos e os departamentos.
Dentre as duas mulheres que demonstraram interesse pelo trabalho administrativo a resposta foi de encontro à percepção de possuir qualidades que poderiam ser utilizadas para estes fins. Uma delas respondeu achar "que levava jeito" e a outra possuía experiência administrativa adquirida fora da Universidade. Houve ainda a manifestação de desejar contribuir com os cursos, o departamento e o próprio CCEN.
Quanto à falta de interesse pelos cargos administrativos da Universidade, as principais respostas dos homens foram: desejo de se aposentar, falta de preparo, estar ocupando cargo administrativo fora da instituição, não querer participar de questões políticas, não identificar na instituição um comportamento empreendedor e a falta de remuneração adequada ao cargo. Além disso, quatro dos 16 professores que emitiram opinião sobre este assunto manifestaram a sua preferência pela atividade docente, sendo esta a principal razão para não assumirem funções administrativas.
As mulheres, por sua vez, manifestaram um maior interesse, não só pela docência, mas também pela pesquisa. Como demonstram os seguintes depoimentos: "Tenho mais afinidade como trabalho de pesquisa e docência do que pelo administrativo". "Me identifico mais com a pesquisa e na maioria das vezes estas coisas são incompatíveis". Além destes, dois outros motivos foram apontados como argumentos para que estas docentes não assumissem funções administrativas: a falta de interesse em "gerenciar atividades alheias" e a falta de interesse por "cargos políticos".
Perguntados/as se já haviam assumido anteriormente algum cargo desta natureza, três mulheres e 19 homens responderam que sim, sendo que as principais razões apontadas pelas mulheres para exercer o cargo foram: gostar do desafio, ter mais conhecimento do assunto e estar a mais tempo na instituição (neste caso a resposta foi dada com base em cargo ocupado fora da Furb).
Dentre as respostas dos homens, as principais razões foram as seguintes: necessidade financeira5, indicação dos/as colegas de departamento, "revezamento natural"6, aprendizado, a relevância do trabalho, objetivos acadêmicos, dever, vocação "natural" para a política, e desejo de melhores condições de trabalho. Além destas razões, a que mais se sobressaiu foi a de poder contribuir com a Instituição, incrementando-a.
Mediante a solicitação
em descrever a família como um incentivo ou um empecilho à
carreira todos os homens casados e divorciados responderam representar
a mesma um incentivo. A grande maioria destes professores acabou por citar
a família como aquela que apoia em todos os aspectos (emocional,
afetivo, financeiro), não interferindo, incentivando nos momentos
difíceis, garantindo estabilidade, compreendendo o esforço
pelo avanço na carreira, incentivando o crescimento e ficando satisfeita
com as realizações do homem/professor. Houve ainda a citação
da família como razão da existência e o sucesso profissional
como algo que contribui para o conforto e o sucesso familiar (precisando
ser mantido para garantir a qualidade de vida dos/as familiares).
Apesar de todas as referências à família como "'grande incentivadora", percebeu-se em algumas respostas a tensão existente entre trabalho e vida familiar. Em alguns momentos essa tensão surge decorrente das "ausências" do homem do convívio em família e em outros momentos ela surge na consciência do homem que se vê trabalhando em excesso (em detrimento da família), como exemplifica o depoimento abaixo:
Seria impróprio falar do tempo que ela (a família) nos absorve. Embora me sinta bastante pressionado, e até mesmo angustiado pelas dificuldades em gerar e publicar meus trabalhos científicos, a vida não é só trabalho (a minha esposa não irá acreditar no que estou escrevendo!), podendo o trabalho tornar-se uma prática de isolamento.
Esta tensão entre trabalho e família também se faz sentir no depoimento de duas das 4 mulheres casadas que responderam ao questionário, refletindo o desejo das mesmas em trabalhar mais e a angústia de ter que ceder para o ambiente familiar (principalmente para os/as filhos/as). Uma delas se refere aos filhos como um empecilho ao plano de carreira (ela possui uma criança pequena e pretende gestar outra) e a outra cita a independência atual dos filhos como algo que lhe incentiva (ou deixa livre) para avançar no plano de carreira. As demais mulheres casadas responderam, respectivamente, ser a família um incentivo e sempre apoiar suas iniciativas.
Quanto às mulheres solteiras, todas se referiram ao núcleo familiar como grande incentivador de suas escolhas, e aos familiares (irmãos, pais, filha) como aqueles que ajudam, admiram e apoiam a seguir em frente. Por outro lado, 2 dos 4 homens solteiros não emitiram opinião sobre a família e um deles se referiu à mesma como algo hipotético, que pode vir a ser um incentivo "por poder apoiar em todos os momentos e ser a finalidade maior do motivo de se trabalhar." O solteiro restante se referiu à família como aquela que lhe dá afeto, o que se reverte em incentivo.
Quanto aos cargos administrativos, descritos por Léa Velho e Helena Léon como áreas de maior interesse dos homens (por serem cargos de poder) e de maior dificuldade de acesso para as mulheres, o CCEN tem se constituído novamente em exceção ao ser dirigido por uma mulher e possuir mais três mulheres em função de chefia (todas na Matemática e na Física).
A crença na menor produtividade da mulher e de sua lenta progressão no plano de carreira também parece não encontrar respaldo no corpo docente do Centro de Ciências Exatas e Naturais. Apesar das mulheres ainda serem responsáveis por uma pequena parcela do que vem sendo produzido no campo científico de cada departamento, a grande maioria delas vem acelerando o processo de produção, chegando a produzir, em alguns casos, bem mais que seus colegas homens.
A crescente produção científica das mulheres acaba se refletindo no plano de carreira através da pontuação atribuída ao trabalho de cada docente. Além disso, muitas mulheres tem ingressado na Instituição munidas de uma titulação superior à de alguns dos homens que já se encontram trabalhando na Universidade há algum tempo, o que dá a elas a possibilidade de se encaixar diretamente em níveis superiores do plano de carreira.
A família, por sua vez, continua sendo apontada como área de conflito para homens e mulheres, sendo um território de cobrança para ambos, ainda que de forma diferenciada (homens são cobrados pela ausência e as mulheres pelas exigências do mundo doméstico). No entanto, os questionários pareceram apontar para algo que pode estar passando desapercebido (mas que carece de uma checagem mais acurada): a diferença entre homens e mulheres solteiros dentro do corpo docente de uma universidade. Aparentemente o número de mulheres solteiras pode ser maior do que o de homens e a atribuição/relação de cada sexo à sua família de origem pode ser bastante diferenciada.
O presente trabalho apresenta ainda algumas falhas e pontos fracos. A elaboração de um questionário não se mostrou eficaz para se obter informações de cunho mais pessoal e que viessem a responder algumas das questões propostas (tais como: o papel da família na carreira de cada docente, as dificuldades em ascender no plano de carreira, os interesses diretamente relacionados às funções administrativas e as experiências no campo administrativo e/ou científico). Para tal, a prática de entrevistas seria o recomendado.
Ficaram faltando ainda algumas informações que teriam sido de grande utilidade, como as relativas a faixa etária e ao estado civil de cada docente, informações estas que poderiam ter revelado, dentre outras coisas, o tipo de constituição familiar da maioria das docentes e a média de idade de homens e mulheres por ocasião da sua contratação.
Por último, sentiu-se a falta de
um corpo teórico bem constituído, principalmente no que diz
respeito à avaliação dos dados coletados (tanto do
registro docente como do questionário).