O ROCEIRO

 

nasceu com cheiro de chão

cresceu com o gosto

de terra vermelha na boca;

foi poeira bendita

forjado no tempo

com sol a pino ou chuva fria.

 

II

lavrou aquele chão

como quem revirava ouro;

plantou aquela semente

como quem plantava sonhos;

colheu aqueles grãos

como pedaços de vida.

 

III

brigou com aquelas ervas

como numa guerra campal;

lutou com aquelas pragas

como fosse disputa no ringue;

venceu a todos e a tudo

como fosse um campeão.

 

IV

plantou exemplos no chão

do peito de quem amava;

rogou que a chuva bendita

os regasse a cada dia;

colheu as flores nos atos

de cada filho amado.

 

V

levantou a cada tropeço

aprendeu a cada lição

perdoou a cada desgosto;

viveu como quem brincava

sofreu como quem gostava

venceu como quem precisava.

 

VI

cresceu no conceito de Deus

como fosse um pregador;

percorreu cada caminho

como fosse sua trilha;

brincou com a sua dor

como se não fosse nada.

 

VII

sorriu das mazelas da cidade

agradeceu por ser um roceiro;

passou horas matutando

e chegou a conclusão:

nasceu para ser feliz,

mesmo que o mundo

a cada dia lhe dissesse não.

 

28 de Fevereiro de 2000.

 

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