QUANDO O AMOR MORREU

 

Quando o amor morreu entre nós,

naquela noite

não houve ruído do vento

nas folhas do canavial;

não houve luar nem estrelas,

na realidade não existiu nem noite.

Somente um tempo insano

delirante entre dois instantes distintos;

um, antes do finar-se daquele amor

e outro meio morto surgido após

o óbito do nosso amor.

 

Quando o amor morreu entre nós

entre os homens da Vila houve algazarra,

sons de assobio e soar de tamborins.

Celebravam o principiar do sofrer

de dois novos entes,

antes venturosos e vibrantes.

Depois, meio acabados como

o amor que ultimou-se;

meio folhas de canavial sem

saber por onde pender-se,

sem saber porque dobrar-se.

 

Quando o amor morreu entre nós

morreu em nós os sonhos,

foram-se os ruídos e as vibrações,

ficamos iguais a copos

descartáveis, vazios e sem uso;

... canaviais que nas noites não sentem

o balançar dos ventos nas folhagens.

Continuam vivos mas,

vão seguindo sem o prazer da vida.

 

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