MOÇA QUE PASSA

moça que passa

dê-me uma frase

e eu lhe darei um poema.

Meus versos são brancos,

sem forma e sem rima,

são frágeis e sem metrificação.

Combinam porém,

com esse olhar de menina,

ingênua e desprotegida...

moça que passa

quem enlaça-te nos braços?

 

moça que passa

de sorriso e graça

e de pele aveludada.

Seus cabelos cor de mel

e com passos divinais;

seu olhar enfeitiça, atiça...

e deixa sofrendo

toda mulher de cada

vivente anônimo

desta rua, quando você

desconhecida passa.

 

moça que passa

fala-me onde se esconde

quando não passa.

Deusa da beleza

leve este pobre poema

deste perdido poeta

que voltou a ser menino

depois que viu passar

a moça que passa

sempre na minha rua.

  março de 2000

 

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