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O
(IR)RESPONSÁVEL
Há
muito
o
guri brincalhão
que
vive em mim
dá
socos no ar
esperneia
e grita
desejando
uma chance
de
extravasar.
E
na minha rudeza
ele
é sufocado
torturado
por
fim contido;
aí
ele volta
e
se deita
e
se deixa dominar.
Este
pequeno sedento
queria
apenas
correr
na chuva
pisar
descalço
pular
valetas
ouvir
os pássaros
sorrir
do nada.
E
por um momento
eu
o liberto
e
ele se perde
na
própria alforria,
talvez
quisesse
brincar
de pique
comigo
mesmo.
E
extasiado
fico
a observar
sua
robustez,
nem
se parece
com
a pequenez
do
homem frágil
que
habita em mim.
E
pela liberdade
repentinamente
conquistada
ele
se deleita
agradecido
e
bate palmas
para
o seu amo.
E
foi assim
que
eu me tornei
um
pouco menino
e
um tanto
(ir)responsável.
Cat.,13/06/00
– ILCSILVA
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