O (IR)RESPONSÁVEL

 

Há muito

o guri brincalhão

que vive em mim

dá socos no ar

esperneia e grita

desejando uma chance

de extravasar.

 

E na minha rudeza

ele é sufocado

torturado

 por fim contido;

aí ele volta

e se deita

e se deixa dominar.

 

Este pequeno sedento

queria apenas

 correr na chuva

pisar descalço

 pular valetas

ouvir os pássaros

sorrir do nada.

 

E por um momento

eu o liberto

e ele se perde

na própria alforria,

talvez quisesse

brincar de pique

comigo mesmo.

 

E extasiado

fico a observar

sua robustez,

nem se parece

com a pequenez

do homem frágil

que habita em mim.

 

E pela liberdade

repentinamente

conquistada

ele se deleita

agradecido

e bate palmas

para o seu amo.

 

E foi assim

que eu me tornei

um pouco menino

e um tanto

(ir)responsável.

 

Cat.,13/06/00 – ILCSILVA

   

 

© Copyright 2002. Direitos reservados ao autor, proibido a utilização para qualquer fim. 
Hosted by www.Geocities.ws

1