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ABORTO
Sou
eu o impuro do cristal
sou
eu o grito de terror
sou
eu o inseto do mal
que
levará a diante a dor.
Sou
eu o estanho da bala
que
fará parar o seu coração
sou
eu a voz que fala
nos
lugares de assombração.
Sou
eu um pedaço do céu
que
cairá do além-mundo
para
por fim na humanidade.
Sou
eu a desprezada
alma
do morto
daquele
feto do aborto
que
a mulher do casarão
optou
por matar
sem temer
a crueldade.
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