|
|
Nos vegetais
existem dois tipos de biossintéticos: as substâncias ativas provenientes do
metabolismo primário da fotossíntese e os provenientes do metabolismo
secundário, derivados essencialmente da assimilação do
nitrogênio.
Muitos dos
princípios ativos sintetizados pelas plantas ou grupos deles podem provocar
reações nos organismos. Algumas desses princípios podem, ou não, ser tóxicos,
isto depende muito da dosagem em que venham a ser utilizados. Assim,
considera-se como planta medicinal aquela que contém um ou mais princípio ativo
que lhe confere atividade terapêutica.
Em virtude da
facilidade de acesso, do baixo custo, da compatibilidade cultural com as
tradições populares, as plantas medicinais são comercializadas em larga escala.
Sallé (1996) acrescenta que a maior parte dos medicamentos sintéticos tem suas
origens nos componentes ativos das plantas
Nem sempre os
princípios ativos de uma planta são conhecidos, mas mesmo assim ela pode
apresentar atividade medicinal satisfatória e ser usada, desde que não apresente
efeito tóxico.
Características
dos princípios ativos em plantas medicinais e suas ações
terapêuticas
Nos vegetais,
o conjunto de princípios determina a utilidade dos fitoterápicos, não um só
princípio, os percentuais destes princípios nas plantas fazem com que cada
planta em particular tenha sua ação terapêutica
específica.
Sobre a
importância da identificação dos princípios ativos, Sallé (1996), Coimbra (1994)
e Simões et al. (1988) afirmam que estes constituintes vão nos dar as
propriedades da planta, a fim de conhecer-lhes as virtudes e suas aplicações
medicinais. Entretanto, essas citações são relativamente fáceis no tocante às
espécies já bem estudadas, o que já não acontece com apreciável número de
plantas, constituído, em grande parte, de espécies nacionais e cujos componentes
são mal conhecidos.
Por
oportuno e como subsídio para as discussões dos nossos resultados, destacam-se
aqui as características dos principais grupos de princípios ativos presentes nas
plantas medicinais, a saber:
·
Glicosídeos: Substância
freqüente no reino vegetal que por hidrólise dá um ou mais açucares, composta
por uma fração de grupamento de açúcar e outro de não açúcar (aglicona).
a)
Glicosídeo
cianogéticos - quando
hidrolisados liberam ácido cianídrico ou prússico, daí a ação de toxicidade,
representada pela amidalina, mandelonitrilo, prunasina e sambunigrina. Ação
sedativa e antiespasmódica. Ex: mandioca: Manihot utilissima, Pohl;
Sabugueiro, Sambucus nigra (pequena
quantidade nas folhas).
b)Glicosídeo
Cardiotônico e cardioativo – segundo
Claus e Tyler (1965) esse grupo se caracteriza por sua ação específica sobre o
músculo cardíaco, pois aumentam o tono, a excitabilidade e a contractilidade.
Plantas que possuem o glicosídeo cardiotônico: digital, Digitalis purpúrea L. possui digitoxina,
gitalina, digitonina, digoxina, lanatósido C, deslanósido. Estrofanto, Strophanthus hispidus DC. Possui
estrofantina, ou abaína. A cila, Urgines
maritima (L.) Baker, possui escilareno A. Espirradeira, Nerium oleander L. Chapéu de napoleão, Thevetia peruvianna Merril. Alamanda,
Allamanda
cathartica L.
c)
Glicosídeo
sulfurados - se caracterizam por conter enxofre em suas moléculas. Ação
anti-séptica, antibiótica, colerética, colagoga, rubefaciente, balsâmica,
anti-reumática e estimulante estomacal. São consumidosem saladas. Aplicação tópica,
pode causar irritação e vasodilatação. nabo (Brassica campestris), rabanete (Raphanus sativus), repolho (Brassica
oleracea).
d)Glicosídeo
lactônicos – As
cumarinas são substâncias derivadas da lactona do ácido cis-O-hidroxicinâmico.
Empregado no tratamento profilático das tromboses. Ação anticoagulante,
antiespasmódicas, antibióticas, venotônicas e profilático das tromboses (Diniz
et al., 1998).
Ação
terapêutica das cumarinas:
De acordo com
Duke (2001) a cumarina possui atividade analgésica, antiagregante,
antiandrogênica, antibrucelose, anticâncer, antidiuretica, antiedemica,
antiinflamatória, antilipidemica, antimelanomica, antimetastática, antimitótica,
antimutagênica, antipsoriase, antitoxoplasmose, antitumor, bacteriostática,
preventivo do câncer, cardiotônico, emético, estrogênico, fungicida,
hemorrágico, hepatotoxico, hipnótico, hipoglicemiante, imunoestimulante,
narcótico, piscicida e sedativo.
Ex. cumaru,
Amburana cearensis (Arr. Cam.) A.C. Smith. Guaco, Micania glomerata Spreng.
e)
Heterosídios:
Glicosídeos
que, por hidrólise, não originam exclusivamente glicose. Variadas classes de
moléculas se apresentam nos vegetais, combinadas quimicamente com os açucares,
de tal maneira que a união se rompe pela ação hidrolítica dos ácidos ou de
enzimas que se encontram no mesmo vegetal. Os heterosídios consideram-se
heterogêneos que resultam de um número variável de moléculas de oses (pentoses,
hexoses, hexuloses, O-metiloses, desoxioses, e, ainda, ácidos urônicos). Existem
os fármacos com heterosídios resinosos, heterosídios cianogênicos, heterosídios
tioglicósidos, heterosídios aromáticos simples, heterosídios de núcleo cumarina,
heterosídios flavonóides, heterosídios antracênicos
ciclopentano-per-hidrofenantrênicos.
f)
Glicosídeo
Aldeídico e Salicílico - Os
primeiros descobertos foram os salinigrinas, encontrados nas cascas das árvores
Salix discolor, a helicina e
vanilina. Ação anti-reumática e antipirética.
·
Quinonas: Glicosídeo
antraquinônico – são compostos orgânicos que podem ser considerados como
produtos de oxidação de fenóis. Segundo Claus e Tyler (1965), por hidrólise
estes glicosídeos dão aglicona que são di, tri ou tetra-hidorxiantraquinonas ou
modificações destes compostos. De acordo com Simões et al. (2000), são
caracterizados pela presença de dois grupos carbônicos que formam um sistema
conjugado com pelo menos duas ligações duplas C-C. Atualmente, três grupos
classificam as principais quinonas: benzo-nafto-
antraquinonas.
Ação
terapêutica das quinonas: Segundo
Simões et al. (2000), a maioria dos fitoterápicos que possuem quinona tem ação
purgante, catártica ou laxante possuindo, também, atividades digestiva,
antibacteriana, bactericida, antibiótica, colagoga, colerética, antifúngica,
antitumoral, antileucêmica, além de atividade antiprotozoária, principalmente
contra Trypanosoma cruzi. Excita os
movimentos peristálticos do intestino grosso e corrige a constipação
intestinal.
·
Saponinas
(Glicosídeo saponosínico): Os saponósidos ou saponinas formam um grupo
particular de heterosídios. O termo provém do fato de formarem espuma abundante
quando agitados na água, à semelhança do sabão. São heterosídios formados por
constituintes aglicônicos de natureza esteróide ou triterpênica, conhecidos
usualmente por sapogêninas, ligadas a longas cadeias glucídicas.As saponinas podem ser saponósidos
esteróides ou saponósidos triterpenóides, São grupos de glicosídeos descritos
como triterpenos. São tensoativos naturais e produzem uma solução coloidal em
água que faz muita espuma quando agitados.
Ação
terapêutica das saponinas:
Ação tóxica,
se injetadas diretamente na corrente sangüínea. Aumenta a absorção e utilização
de certos minerais, inclusive o silício. São muito usados na limpeza do corpo e
dos cabelos. Possuem ações anti-séptica
e cosmética comprovadas (ZAGO, 1998). De acordo com Costa (1975b), Teske e
Trentini (1995) e Simões et al. (2000), as saponinas possuem ações monolíticas,
hemolíticas, tóxicas, necrosante, expectorante, emética, sudorífica, diurética,
depurativa, laxante, antimicrobiana, cicatrizante, antimicótica e
dentrifícia.
·
Fenóis: Os
Glicosídeos fenólicos são compostos que tem um grupo hidroxila ligado
diretamente ao anel benzênico. Assim, o fenol, nome usual para hidroxi-benzeno,
é o nome geral para a família de compostos derivados do hidroxi-benzeno. De
acordo com Simões et al. (2000), os compostos fenólicos pertencem a uma classe
de compostos que inclui uma grande diversidade de estruturas simples e
complexas, que possuem pelo menos um anel aromático no qual, ao menos, um
hidrogênio é substituído por um grupamento hidroxila. Segundo Costa (1975c), os
fenóis e éteres fenólicos são reconhecidos nas essências, apresentando-se em
vários compostos aromáticos naturais, particularmente aldeídos (benzóico,
salicílico, cumínico, cinâmico, metoxicinâmico), outras provenientes da oxidação
das cadeias laterais dos éteres fenólicos (vanilal, piperonal, aldeídos anísico
e asarílico).
Ação
terapêutica dos fenóis: de acordo
comSimões et al. (2000), os
compostos fenólicos são economicamente importantes pela utilização como
flavorizante e corantes de alimentos e bebidas. Apontados como possuidores de
atividade antibacteriana e antiviral, expectorante, colerético,
hipocolesterolêmico, redutores de lipídios e colesterol, indicados para alívio
temporário de neuralgias periféricas, em casos de artrite reumatóide e
osteoartrite. Apresentam potente atividade antimicrobiana, anti-séptica,
antiinflamatória sobre os órgãos urinários, são encontrados nos óleos
essenciais. Exemplos: salicilatos - propriedades antiinflamatórias; ácidos
fenólicos - propriedades antioxidantes, anti-sépticas, anti-radicais livres,
calmantes e suavizantes. (Costa 1975a; Claus e Tyler,1965; Roger,
1998).
·
Pigmentos:Podem ser classificados
como:
a)
Clorofila: de
acordo com Raven et al. (1992), as clorofilas são pigmentos que dão aos vegetais
sua cor verde característica. Existem as clorofilas a, clorofila
b, clorofila
c, clorofila
d, clorofila
e, que diferem
quanto a pequenos pontos na molécula e suas propriedades específicas de
absorção.
b)
Carotenóides:
são pigmentos de coloração vermelha, laranja e amarelos encontrados em todos os
cloroplastos e nas cianobactérias. Os carotenóides dividem-se em dois grupos:
carotenos e xantofilas.
c)
Eritrofila: a
ficocianina, pigmentos azuis e ficoeritrina, de cor
vermelha.
·
Flavonóides – A
etimologia da palavra vem do latim flavus, que significa amarelo, são
conhecidos mais de 4.200 tipos de flavonóides. Segundo Raven (1992), são
compostos encontrados, provavelmente, em todas as angiospermas, responsáveis
pela maioria dos corantes amarelos, roxos, vermelhos e azuis
naturais.
De acordo com
Teske e Trentini (1995), Claus e Tyler (1965), Simões et al. (2000) e Lopes et
al. (2001), os flavonóides estão formados por distintas agliconas, a
saber:
a)
Flavona,
flavonóis e seu C-heterosídeos: copigmentação das flores, amarelo, branco e
incolor: flavonóis são flavonas substituídas na posição c-3 por uma hidroxila,
as flavonas são derivadas da 2-fenilcromona e os flavonóis da
3-hidróxi-fenilcromona: acacetina, apiína, apigenina, crisina, crisoeriol,
diosmetina, escutelareína, luteolina, tricetina, tricina; flavonóis:
astragalina, canferol, isetina, galangina, gossipetina, herbacetina,
isoramnetina, miricetina, miricitrina, morina, quercetina, quercitrina,
ramnetina rutina; flavonóides C-heterosídeos: lucenina-2, orientina,
schaftosídeo, scoparina, vicenina-1, vicenina-2, vicenina-3, violantina,
vitexina;
b)
antocianina e
antoxantina (de coloração laranja, rosa, azul, vermelha e violeta): cianina,
cianidina, delfinina, delfinidina, malvidina, mirtilina, pelargonidina,
peonidina, etunidina;
c)
chalcona:
apresenta coloração amarela que passa a vermelho em meio alcalino, possue um
núcleo fundamental o 1,3-diarilpropano, modificado pela presença de uma ligação
olefínica, de um grupamento cetona e/ou de um grupo hidroxila: buteína,
coreopsina, flavokawina-B, isoalipurposídeo, isoliquiritigenina, mareína e
okanina;
d)
aurona:
apresenta a cor do ouro, é derivada de 2-benzilidenocumaranona. A presença de
uma ligação olefínica introduz, nessa estrutura, a isomeria geométrica:
aureusina, aureusidina, cernuosídeo, cernuosídeo, leptosina, meiritimeína,
maritimetina, sulfureína e sulfuretina;
e)
di-hidroflavonóide:
apresenta como característica comum, uma ligação simples entre os carbonos 2 e
3, ou seja, alfa e beta para as di-hidrochalconas, em seu núcleo fundamental
(hidrogenado), ao contrário dos outros flavonóides: alpinetina, alpinona,
ampelopsina, aromadendrina, astilbina, butina, citromitina, di-hidromorina,
eriodictiol, farrerol, garbanzol, glabranina, hesperetina, hesperidina,
lecontina, liquiritigenina, naringenina, naringina, pinobanksina, pinocembrina,
pinostrobina, prunina, sakuranetina, strobobanksina, taxifolina;
f)
isoflavonas
(incolor): caracterizada por uma cadeia arila-C3-arila, mas do tipo
difenil-1,2-propano: genisteina, daidzeína;
g)
neoflavonóides:
caracterizados por um grupo de compostos de origem natural, contendo 15 átomos
de carbono, que são associados estruturalmente e biogeneticamente aos
flavonóides e isoflavonóides: 4-arilcumarina, 3-arilbenzofurano, dalbergiona;
h)
flavonona
(incolor para um amarelo pálido): eriodictiol, hesperidina, neohesperidina,
naringina, naringenina;
i)
flavonóis
(amarelo pálido): canferol, quercetina, rutina, mircetina, canferol,
proantocianidina (catequina);
j)
biflavonóides
se constituem uma classe de flavonóides dímeros, diferenciando-se de outros
oligômeros como as proantocianidinas, devido à sua origem biogenética comum de
flavona e flavonona, raramente chalcona: amentoflavona, agathisflavona,
cupressoflavona, hinokiflavona, robustaflavona;
Ação
terapêutica dos flavonóides: Segundo Teske
e Trentini (1995), Alonso (1998), Simões et al. (2000) e Lopes et al. (2001),
possuem ações antiinflamatórias, antimicrobianas e antivirais. Fortalecem os
vasos capilares, agindo na redução da fragilidade dos capilares. Aplicados em
doenças circulatórias, hipertensão, como tônico sobre o coração e circulação
venosa, melhorando os intercâmbios de substâncias nutritivas e de oxigênio que
circulam entre o sangue e os tecidos. Os flavanóides são cofatores da vitamina
C, antialérgicos, antiescleróticos, antidermatosos, antitumores, anticâncer,
antiplaquetários, dilatadores de coronárias, diuréticos, anti-hepatotóxicos,
coleréticos, estimulante da circulação, imunomoduladores, antioxidantes,
estimulante genético, anti-edematoso, antiespasmódica. Pesquisas recentes
demonstraram que alguns flavonóides atuam na inibição da replicação viral do
agente causador da Síndrome de Imunodeficiência Humana –
HIV.
Citando
Hladovec (1986b), Lin et al. (1986), Kirk
et al. (1998), Lopes (2001) relata que os flavonóides podem inibir vários
estágios dos processos que estão diretamente relacionados como inicio da
aterosclerose, como ativação de leucócitos, adesão, agregação e secreção de
plaquetas, além de atividades hipolipidêmica e aumento de atividades de
receptores de lipoproteína de baixa densidade (LDL)
·
Taninos: Segundo
Costa (1975a) e Claus e Tyler (1965), os taninos não se definem propriamente
pela sua composição química, demasiadamente variável, mas por um conjunto de
propriedades devidas, em grande parte, à presença de hidróxilos fenólicos nas
suas moléculas. De acordo com Simões et al. (2000), são classificados segundo
sua estrutura química em dois grupos: taninos hidrolisáveis e taninos
condensados.
Os taninos
hidrolisáveis são caracterizados por um poliol central, geralmente b-D-glucose,
cujas funções hidrolixilas são esterificadas com o ácido gálico e pelo composto
b-1,2,3,4,6-pentagaloil-D-glucose,
precursor imediato para os taninos hidrolisáveis (galotaninos e
elagitaninos). São exemplos de taninos:
distenina, afzelequina, catequina, galocatequina, fuiborutinidol, fisefinidol,
robinetinidol, oritnia, emsquitol, flavana, leucoantocianidina, proantocianidina
(incolor): epicatequina, luteoforol e procianidina.
Formam um
grupo heterogêneo fenólico que possui propriedades características destes
compostos aromáticos, amorfos, raríssimas vezes cristalinas, circunstância que
dificulta o seu isolamento e estudo, notadamente por precipitarem proteínas. São
bastante solúveis em água e álcool. Não devem sofrer processo de fervura
prolongado e podem ser usados interna e externamente.
Ação
terapêutica do tanino: as ações
comprovadas dos taninos, segundo Claus e Tyler (1965), Costa (1975a), Teske e
Trentini (1995), Duke (1992), Panizza (1997) e Simões et al. (2000), são:
adstringente, antidiarréico, antidisentérico, antienterítico, antigingivitico,
anti-hemorróidal, anti-herpético, anti-séptica, antifaringitico, antirinítico,
tonificante, anticololitico, antidecubítico, antídoto de metais pesados,
antidermatótico, anti-viral, bactericida, citotóxico, emético, hemostático,
pesticida e antimicrobiana. Empregados em diversas enfermidades orgânicas, tais
como: diarréia, hipertensão arterial, reumatismo, hemorragias, feridas,
queimaduras, problemas estomacais (azia, náusea, gastrite e úlcera gástrica),
problemas renais e do sistema urinário e processos inflamatórios em
geral.
Ingeridos em
doses elevadas, os taninos podem impedir a absorção de certos minerais como o
cálcio e o ferro.
·
Alcalóides:
São
princípios heterogêneos de substâncias orgânicas de origem básica ou alcalina e
amina ou amida. Formam um grupo heterogêneo de substâncias orgânicas contendo
nitrogênio, carbono, hidrogênio e oxigênio, em particular de origem vegetal,
característica básica, definido pela função amina que dão aos seus
constituintes, propriedades químicas próprias as quais aliam uma toxicidade
elevada e, muitas vezes, também uma atividade farmacológica notável.
Segundo
Bacchi (2000), os alcalóides estão divididos em três grandes
grupos,:
a)
Alcalóides
tropânicos: que se caracterizam por apresentarem em sua estrutura bicicícla,
denominada tropano (8-metil-8-azabiciclo[3,2,1]octano), cujo anel tropano é
constituído pelos anéis pirrolidina e piperidina. São conhecidos cerca de 40
alcalóides tropânicos, entre eles destacam-se: atropina, escopolamina,
hiosciamina, cocaína, higrina, cuscohigrina, nicotina, ecgonina e
cinamoilcocaína.
b)
Alcalóides
indólicos: segundo Schripsema et al. (2000), são conhecidos cerca de 2000
alcalóides indólicos, subdivididos em dois grupos:
-
O grupo
maior, com os alcalóides indólicos monoterpênicos, derivados de triptamina e do
monoterpeno (iridóide) secologanina;
-
Os demais
alcalóides indólicos. Neste grupo enquadram-se os derivados do triptofano, como
a triptamina e a serotonina.
c)
Alcalóides
esteroidais: derivados geneticamente do acetato, como conseqüência da ruptura do
isopentenilpirofostato. Encontrado na natureza livre ou como glicosídios, por
isso são denominados glicoalcolóides esteroidais. São compostos isolados de
vegetais ou animais e em geral, são tóxicos ou muito
tóxicos.
São divididos
em três sub-grupos:
Ø
aminopregnano
(pregnano, vaganina A, conanina, cosessina e kurchamida),
Ø
piperidilpregnano
(piperidina), sub-divididos em: espirosolanos (tomatidina, solanodina,
soladulcidina); solanidanos (leptinidina, demissidina, solanidina, solanina,
chaconina), solanocapsinas (solanocapsina, pimpifolidina, issopimpifolidina) e
piperidinas (veralkamina, obliginina) .
Ø
alcalóide com
esqueletos anormais (veratramina, protverian).
Segundo
Chiesa et al. (2000), a maioria dos alcalóides esteroidais, seja glicosado ou
não, possuem diversos graus de toxicidade para os
mamíferos.
Ação
terapêutica dos alcalóides: De acordo com
Costa (1975
a) e Duke (1992), os alcalóides possuem ação muito
diversificada, alguns podem ser antitumorais, calmantes, sedativos,
estimulantes, analgésicos e anestésicos.
Preconizam
Simões et al. (2000), que os fitoterápicos que contêm alcalóides tropânicos são
utilizados para a diminuição de cólicas no ureter e aquelas provocadas por
cálculos renais; em espasmos brônquicos, nos casos de asma brônquica, também
utilizados em espasmos do trato gastrintestinal, contra cólicas e em
hipersecreção gástrica.
·
Óleos
essenciais: são
substâncias líquidas, oleosas, voláteis e aromáticas. A composição química das
essências é variável, dependendo da planta e da sua natureza química. Segundo
Alonso (1998), os óleos essenciais são divididos em quatro
grupos:
a)
Compostos
terpênicos: que se subdividem em: monoterpenos (e - pineno, limoneno, canfeno,
mirceno); sesquiterpenos (-cariofileno,·-farneseno, germacraneno); monoterpenóis
(-terpineol, citronelol, nerol, geraniol, linalol, borneol); sesquiterpenóis
nerolidol, espatulenol, (fenchol); ésteres terpênicos (acetato de nerilo,
geranilo e bornilo, 1,8 cineol).; óxido terpênicos (óxido de cariofileno);
cetonas terpênicos (tuiona); aldeído (citrais, fotocitrais); lactona
sesquiterpênicas (crispólida); monoterpenonas (alcanfor); fenóis terpênicos
(carvacrol); hidrocarbonos sesquiterpênicos (santanelos,
curcumenos)
b)
Compostos com
núcleo benzênico; hidrocarbonetos (tolueno); fenóis derivados (timol, anetol,
eugenol, apiol); álcoois (benzóico, cinâmico, salicílico); aldeídos (benzóico,
cinâmico) e ácidos (esteres de ácido benzóico, cinâmico).
c)
Compostos
alifáticos de cadeia reta: inclui-se o ácido acético, acido fórmico, acido
isovaleriânico, acido isobutíilico, aldeído dicíclico, meitilheptona e
estearopteno.
d)
Componentes
sulfurados e nitrogenados heterociclos. No grupo sulfurado incluem-se
isotiocianato de alilo e sulfuro de dialilo. Entre os nitrogenados, incluem-se o indol, o furfurol e o escatol.
Ação
terapêutica dos óleos essenciais:
De acordo com
Teske e Trentini (1995), Alonso (1998), Simões et al. (2000), Cruz (2001), Davis
(1996) e Worwood (1995) os óleos essenciais, possuem ação carminativa,
anti-séptica, diurética, antiinflamatória, bactericida, antivirótico,
antiparasitária, antihistamíntica, cicatrizante, analgésico, relaxante,
expectorante, antiespasmódico, estimulante do aparelho digestivo, aperiente,
hipertensor, revulsiva, estimulante do Sistema Nervoso Central (SNC), depressora
do SNC, anestésica local e anti-séptica, adstringente, analgésico,
antidepressivo, antipirético, antiviral, bactericida, bacteriostático, béquico,
citofilático, desodorante, estimulante, fungicida, fungistático e
imunoestimulante.
·
Terpenos: um dos
grupos químicos mais encontrados na natureza, sendo a principal fonte os óleos essenciais.
Exemplos: monoterpenos - limoneno, canfeno, geraniol, mentol; sesquiterpenos -
propriedades antiinflamatórias e suavizantes (camomila); tetraterpenos -
carotenos, de propriedades absorventes de radiação U.V. e anti-radicais-livres
.
·
Óleos
Graxos: segundo
Alonso (1998) os óleos vegetais, desempenham importante função nas plantas como
reserva energética, impermeabilização e revestimento celular, em sua composição
encontra-se ácido linoléico, ácido araquidônico, ácido ricinoleico. Possui ação
no organismo animal colagoga, laxante, reumatológica e dermatológica.
·
Resinas: são
produtos das secreções de células resiníferas, que exsuda espontaneamente ou
mediante incisões. As resinas são amorfas, espessas, sólidas ou semi-sólidas,
insolúveis em água e não voláteis. Sua composição é complexa, resultante da
polimerização e oxidação de terpenos. Na natureza, a resina é composta de
glicídios, ácidos orgânicos, essências, terpênicos, álcoois e ésteres.
Atuam como
purgantes, antibacterianas, expectorante, anti-séptica urinária,
antiparasitária, depurativa, antiespasmódicas, rubefacientes e
anti-reumáticas.
·
Mucilagens: são
semelhantes às gomas do ponto de vista químico. São princípios constituídos de
vários polissacarídeos, heterogêneos e ácido urônico, sendo que os primeiros
predominam sobre o segundo, com água formam uma solução coloidal, viscosa e não
adesiva, não devem sofrer ebulição prolongada, pois o calor diminui a atividade
biológica.
Ação
terapêutica das mucilagens: de acordo com
Costa (1977b) e Alonso (1998), possuem atividade protetora das mucosas
inflamadas, das vias digestivas e respiratórias, genito-urinárias. Impedem a
atividade de substâncias irritantes, anti-tussivo, laxante mecânico,
cicatrizante, antiinflamatório, expectorante e antiespasmódico. Agem como
inativadores de algumas toxinas, diminuem a irritabilidade da pele atuam como
calmante e suavizante.
·
Antibióticos
vegetais: As
percentagens de antibióticos existentes nas plantas são muito pequenas, o que
dificulta sua produção e comercialização. São compostos sulfurosos com
atividades bacterianas, as naftoquinonas com propriedades vermífugas, fungicidas
e antimicrobianas. Outras atividades desempenhadas pelas plantas antibióticas
são desinfetantes, anti-séptica e antimicrobiana.
·
Sais
minerais:
são
indispensáveis aos processos vitais do organismo, comportando-se como
reconstituintes e oxidantes, tendo funções específicas.
·
Vitaminas: de acordo com Goodman et al. (1974),
são substâncias essenciais, para manter as funções metabólicas normais. Não são
produzidas pelo organismo humano e devem ser absorvidas, principalmente, pelo
consumo de vegetais, de preferência frescos e crus. As mais encontradas no reino
vegetal são A, C e E.
AVitamina A é encontrada na forma de
alfa e beta caroteno. A vitamina C é encontrada em frutas cítricas e em rosa
mosqueta. A Vitamina E é encontrada na forma de tocoferol em muitos óleos
vegetais, tendo ação antioxidante e anti-radicais livres.
·
Pectinas: são heteroglicídeos macro molecular,
constituídas por 30% de açúcar e por 70% de uma fração urônica, concentrados nas
paredes dos vegetais.
·
Lignana: segundo Zago (1998),são dímeros oxidativos de álcoois
cinamílicos e ácidos cinâmicos e apresentam o carbono gama oxidado. O ácido
possui ação carminativa, digestiva, analgésica, germicida, fungicida e
detergente (ZAGO, 1998).
·
Esteróides.
De acordo com Diniz et al. (1998), os esteróides são frações de lipídios de
plantas e animais, são reguladores biológicos, apresentam efeito fisiológico
desastroso quando administrado a organismos vivos (DINIZ et al., 1998).
|