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SUBSTÂNCIAS ATIVAS E PRINCÍPIOS ATIVOS: OS METABÓLITOS VEGETAIS

 

Nos vegetais existem dois tipos de biossintéticos: as substâncias ativas provenientes do metabolismo primário da fotossíntese e os provenientes do metabolismo secundário, derivados essencialmente da assimilação do nitrogênio.

Muitos dos princípios ativos sintetizados pelas plantas ou grupos deles podem provocar reações nos organismos. Algumas desses princípios podem, ou não, ser tóxicos, isto depende muito da dosagem em que venham a ser utilizados. Assim, considera-se como planta medicinal aquela que contém um ou mais princípio ativo que lhe confere atividade terapêutica.

Em virtude da facilidade de acesso, do baixo custo, da compatibilidade cultural com as tradições populares, as plantas medicinais são comercializadas em larga escala. Sallé (1996) acrescenta que a maior parte dos medicamentos sintéticos tem suas origens nos componentes ativos das plantas

Nem sempre os princípios ativos de uma planta são conhecidos, mas mesmo assim ela pode apresentar atividade medicinal satisfatória e ser usada, desde que não apresente efeito tóxico.

 

Características dos princípios ativos em plantas medicinais e suas ações terapêuticas

Nos vegetais, o conjunto de princípios determina a utilidade dos fitoterápicos, não um só princípio, os percentuais destes princípios nas plantas fazem com que cada planta em particular tenha sua ação terapêutica específica.

Sobre a importância da identificação dos princípios ativos, Sallé (1996), Coimbra (1994) e Simões et al. (1988) afirmam que estes constituintes vão nos dar as propriedades da planta, a fim de conhecer-lhes as virtudes e suas aplicações medicinais. Entretanto, essas citações são relativamente fáceis no tocante às espécies já bem estudadas, o que já não acontece com apreciável número de plantas, constituído, em grande parte, de espécies nacionais e cujos componentes são mal conhecidos.

Por oportuno e como subsídio para as discussões dos nossos resultados, destacam-se aqui as características dos principais grupos de princípios ativos presentes nas plantas medicinais, a saber:

 

·      Glicosídeos: Substância freqüente no reino vegetal que por hidrólise dá um ou mais açucares, composta por uma fração de grupamento de açúcar e outro de não açúcar (aglicona).

a)  Glicosídeo cianogéticos - quando hidrolisados liberam ácido cianídrico ou prússico, daí a ação de toxicidade, representada pela amidalina, mandelonitrilo, prunasina e sambunigrina. Ação sedativa e antiespasmódica. Ex: mandioca: Manihot utilissima, Pohl; Sabugueiro, Sambucus nigra (pequena quantidade nas folhas).

b)Glicosídeo Cardiotônico e cardioativo – segundo Claus e Tyler (1965) esse grupo se caracteriza por sua ação específica sobre o músculo cardíaco, pois aumentam o tono, a excitabilidade e a contractilidade. Plantas que possuem o glicosídeo cardiotônico: digital, Digitalis purpúrea L. possui digitoxina, gitalina, digitonina, digoxina, lanatósido C, deslanósido. Estrofanto, Strophanthus hispidus DC. Possui estrofantina, ou abaína. A cila, Urgines maritima (L.) Baker, possui escilareno A. Espirradeira, Nerium oleander L. Chapéu de napoleão, Thevetia peruvianna Merril. Alamanda, Allamanda cathartica L.

c)  Glicosídeo sulfurados - se caracterizam por conter enxofre em suas moléculas. Ação anti-séptica, antibiótica, colerética, colagoga, rubefaciente, balsâmica, anti-reumática e estimulante estomacal. São consumidosem saladas. Aplicação tópica, pode causar irritação e vasodilatação. nabo (Brassica campestris), rabanete (Raphanus sativus), repolho (Brassica oleracea).

d)Glicosídeo lactônicos – As cumarinas são substâncias derivadas da lactona do ácido cis-O-hidroxicinâmico. Empregado no tratamento profilático das tromboses. Ação anticoagulante, antiespasmódicas, antibióticas, venotônicas e profilático das tromboses (Diniz et al., 1998).

Ação terapêutica das cumarinas:

De acordo com Duke (2001) a cumarina possui atividade analgésica, antiagregante, antiandrogênica, antibrucelose, anticâncer, antidiuretica, antiedemica, antiinflamatória, antilipidemica, antimelanomica, antimetastática, antimitótica, antimutagênica, antipsoriase, antitoxoplasmose, antitumor, bacteriostática, preventivo do câncer, cardiotônico, emético, estrogênico, fungicida, hemorrágico, hepatotoxico, hipnótico, hipoglicemiante, imunoestimulante, narcótico, piscicida e sedativo.

Ex. cumaru, Amburana cearensis (Arr. Cam.) A.C. Smith. Guaco, Micania glomerata Spreng.

e)  Heterosídios: Glicosídeos que, por hidrólise, não originam exclusivamente glicose. Variadas classes de moléculas se apresentam nos vegetais, combinadas quimicamente com os açucares, de tal maneira que a união se rompe pela ação hidrolítica dos ácidos ou de enzimas que se encontram no mesmo vegetal. Os heterosídios consideram-se heterogêneos que resultam de um número variável de moléculas de oses (pentoses, hexoses, hexuloses, O-metiloses, desoxioses, e, ainda, ácidos urônicos). Existem os fármacos com heterosídios resinosos, heterosídios cianogênicos, heterosídios tioglicósidos, heterosídios aromáticos simples, heterosídios de núcleo cumarina, heterosídios flavonóides, heterosídios antracênicos ciclopentano-per-hidrofenantrênicos.

f)   Glicosídeo Aldeídico e Salicílico - Os primeiros descobertos foram os salinigrinas, encontrados nas cascas das árvores Salix discolor, a helicina e vanilina. Ação anti-reumática e antipirética.

·      Quinonas: Glicosídeo antraquinônico – são compostos orgânicos que podem ser considerados como produtos de oxidação de fenóis. Segundo Claus e Tyler (1965), por hidrólise estes glicosídeos dão aglicona que são di, tri ou tetra-hidorxiantraquinonas ou modificações destes compostos. De acordo com Simões et al. (2000), são caracterizados pela presença de dois grupos carbônicos que formam um sistema conjugado com pelo menos duas ligações duplas C-C. Atualmente, três grupos classificam as principais quinonas: benzo-nafto- antraquinonas.

Ação terapêutica das quinonas: Segundo Simões et al. (2000), a maioria dos fitoterápicos que possuem quinona tem ação purgante, catártica ou laxante possuindo, também, atividades digestiva, antibacteriana, bactericida, antibiótica, colagoga, colerética, antifúngica, antitumoral, antileucêmica, além de atividade antiprotozoária, principalmente contra Trypanosoma cruzi. Excita os movimentos peristálticos do intestino grosso e corrige a constipação intestinal.

·      Saponinas (Glicosídeo saponosínico): Os saponósidos ou saponinas formam um grupo particular de heterosídios. O termo provém do fato de formarem espuma abundante quando agitados na água, à semelhança do sabão. São heterosídios formados por constituintes aglicônicos de natureza esteróide ou triterpênica, conhecidos usualmente por sapogêninas, ligadas a longas cadeias glucídicas.As saponinas podem ser saponósidos esteróides ou saponósidos triterpenóides, São grupos de glicosídeos descritos como triterpenos. São tensoativos naturais e produzem uma solução coloidal em água que faz muita espuma quando agitados.

Ação terapêutica das saponinas:  Ação tóxica, se injetadas diretamente na corrente sangüínea. Aumenta a absorção e utilização de certos minerais, inclusive o silício. São muito usados na limpeza do corpo e dos cabelos.  Possuem ações anti-séptica e cosmética comprovadas (ZAGO, 1998). De acordo com Costa (1975b), Teske e Trentini (1995) e Simões et al. (2000), as saponinas possuem ações monolíticas, hemolíticas, tóxicas, necrosante, expectorante, emética, sudorífica, diurética, depurativa, laxante, antimicrobiana, cicatrizante, antimicótica e dentrifícia.

·      Fenóis: Os Glicosídeos fenólicos são compostos que tem um grupo hidroxila ligado diretamente ao anel benzênico. Assim, o fenol, nome usual para hidroxi-benzeno, é o nome geral para a família de compostos derivados do hidroxi-benzeno. De acordo com Simões et al. (2000), os compostos fenólicos pertencem a uma classe de compostos que inclui uma grande diversidade de estruturas simples e complexas, que possuem pelo menos um anel aromático no qual, ao menos, um hidrogênio é substituído por um grupamento hidroxila. Segundo Costa (1975c), os fenóis e éteres fenólicos são reconhecidos nas essências, apresentando-se em vários compostos aromáticos naturais, particularmente aldeídos (benzóico, salicílico, cumínico, cinâmico, metoxicinâmico), outras provenientes da oxidação das cadeias laterais dos éteres fenólicos (vanilal, piperonal, aldeídos anísico e asarílico).

Ação terapêutica dos fenóis: de acordo comSimões et al. (2000), os compostos fenólicos são economicamente importantes pela utilização como flavorizante e corantes de alimentos e bebidas. Apontados como possuidores de atividade antibacteriana e antiviral, expectorante, colerético, hipocolesterolêmico, redutores de lipídios e colesterol, indicados para alívio temporário de neuralgias periféricas, em casos de artrite reumatóide e osteoartrite. Apresentam potente atividade antimicrobiana, anti-séptica, antiinflamatória sobre os órgãos urinários, são encontrados nos óleos essenciais. Exemplos: salicilatos - propriedades antiinflamatórias; ácidos fenólicos - propriedades antioxidantes, anti-sépticas, anti-radicais livres, calmantes e suavizantes. (Costa 1975a; Claus e Tyler,1965; Roger, 1998).

·      Pigmentos:Podem ser classificados como:

a)  Clorofila: de acordo com Raven et al. (1992), as clorofilas são pigmentos que dão aos vegetais sua cor verde característica. Existem as clorofilas a, clorofila b, clorofila c, clorofila d, clorofila e, que diferem quanto a pequenos pontos na molécula e suas propriedades específicas de absorção.

b)  Carotenóides: são pigmentos de coloração vermelha, laranja e amarelos encontrados em todos os cloroplastos e nas cianobactérias. Os carotenóides dividem-se em dois grupos: carotenos e xantofilas.

c)   Eritrofila: a ficocianina, pigmentos azuis e ficoeritrina, de cor vermelha.

·      Flavonóides – A etimologia da palavra vem do latim flavus, que significa amarelo, são conhecidos mais de 4.200 tipos de flavonóides. Segundo Raven (1992), são compostos encontrados, provavelmente, em todas as angiospermas, responsáveis pela maioria dos corantes amarelos, roxos, vermelhos e azuis naturais.

De acordo com Teske e Trentini (1995), Claus e Tyler (1965), Simões et al. (2000) e Lopes et al. (2001), os flavonóides estão formados por distintas agliconas, a saber:

a)  Flavona, flavonóis e seu C-heterosídeos: copigmentação das flores, amarelo, branco e incolor: flavonóis são flavonas substituídas na posição c-3 por uma hidroxila, as flavonas são derivadas da 2-fenilcromona e os flavonóis da 3-hidróxi-fenilcromona: acacetina, apiína, apigenina, crisina, crisoeriol, diosmetina, escutelareína, luteolina, tricetina, tricina; flavonóis: astragalina, canferol, isetina, galangina, gossipetina, herbacetina, isoramnetina, miricetina, miricitrina, morina, quercetina, quercitrina, ramnetina rutina; flavonóides C-heterosídeos: lucenina-2, orientina, schaftosídeo, scoparina, vicenina-1, vicenina-2, vicenina-3, violantina, vitexina;

b)  antocianina e antoxantina (de coloração laranja, rosa, azul, vermelha e violeta): cianina, cianidina, delfinina, delfinidina, malvidina, mirtilina, pelargonidina, peonidina, etunidina;

c)   chalcona: apresenta coloração amarela que passa a vermelho em meio alcalino, possue um núcleo fundamental o 1,3-diarilpropano, modificado pela presença de uma ligação olefínica, de um grupamento cetona e/ou de um grupo hidroxila: buteína, coreopsina, flavokawina-B, isoalipurposídeo, isoliquiritigenina, mareína e okanina;

d)  aurona: apresenta a cor do ouro, é derivada de 2-benzilidenocumaranona. A presença de uma ligação olefínica introduz, nessa estrutura, a isomeria geométrica: aureusina, aureusidina, cernuosídeo, cernuosídeo, leptosina, meiritimeína, maritimetina, sulfureína e sulfuretina;

e)  di-hidroflavonóide: apresenta como característica comum, uma ligação simples entre os carbonos 2 e 3, ou seja, alfa e beta para as di-hidrochalconas, em seu núcleo fundamental (hidrogenado), ao contrário dos outros flavonóides: alpinetina, alpinona, ampelopsina, aromadendrina, astilbina, butina, citromitina, di-hidromorina, eriodictiol, farrerol, garbanzol, glabranina, hesperetina, hesperidina, lecontina, liquiritigenina, naringenina, naringina, pinobanksina, pinocembrina, pinostrobina, prunina, sakuranetina, strobobanksina, taxifolina;

f)   isoflavonas (incolor): caracterizada por uma cadeia arila-C3-arila, mas do tipo difenil-1,2-propano: genisteina, daidzeína;

g)  neoflavonóides: caracterizados por um grupo de compostos de origem natural, contendo 15 átomos de carbono, que são associados estruturalmente e biogeneticamente aos flavonóides e isoflavonóides: 4-arilcumarina, 3-arilbenzofurano,  dalbergiona;

h)  flavonona (incolor para um amarelo pálido): eriodictiol, hesperidina, neohesperidina, naringina, naringenina;

i)   flavonóis (amarelo pálido): canferol, quercetina, rutina, mircetina, canferol, proantocianidina (catequina);

j)    biflavonóides se constituem uma classe de flavonóides dímeros, diferenciando-se de outros oligômeros como as proantocianidinas, devido à sua origem biogenética comum de flavona e flavonona, raramente chalcona: amentoflavona, agathisflavona, cupressoflavona, hinokiflavona, robustaflavona;

Ação terapêutica dos flavonóides: Segundo Teske e Trentini (1995), Alonso (1998), Simões et al. (2000) e Lopes et al. (2001), possuem ações antiinflamatórias, antimicrobianas e antivirais. Fortalecem os vasos capilares, agindo na redução da fragilidade dos capilares. Aplicados em doenças circulatórias, hipertensão, como tônico sobre o coração e circulação venosa, melhorando os intercâmbios de substâncias nutritivas e de oxigênio que circulam entre o sangue e os tecidos. Os flavanóides são cofatores da vitamina C, antialérgicos, antiescleróticos, antidermatosos, antitumores, anticâncer, antiplaquetários, dilatadores de coronárias, diuréticos, anti-hepatotóxicos, coleréticos, estimulante da circulação, imunomoduladores, antioxidantes, estimulante genético, anti-edematoso, antiespasmódica. Pesquisas recentes demonstraram que alguns flavonóides atuam na inibição da replicação viral do agente causador da Síndrome de Imunodeficiência Humana – HIV.

Citando Hladovec (1986b), Lin et al. (1986), Kirk et al. (1998), Lopes (2001) relata que os flavonóides podem inibir vários estágios dos processos que estão diretamente relacionados como inicio da aterosclerose, como ativação de leucócitos, adesão, agregação e secreção de plaquetas, além de atividades hipolipidêmica e aumento de atividades de receptores de lipoproteína de baixa densidade (LDL)

·      Taninos: Segundo Costa (1975a) e Claus e Tyler (1965), os taninos não se definem propriamente pela sua composição química, demasiadamente variável, mas por um conjunto de propriedades devidas, em grande parte, à presença de hidróxilos fenólicos nas suas moléculas. De acordo com Simões et al. (2000), são classificados segundo sua estrutura química em dois grupos: taninos hidrolisáveis e taninos condensados.

Os taninos hidrolisáveis são caracterizados por um poliol central, geralmente b-D-glucose, cujas funções hidrolixilas são esterificadas com o ácido gálico e pelo composto b-1,2,3,4,6-pentagaloil-D-glucose, precursor imediato para os taninos hidrolisáveis (galotaninos e elagitaninos).  São exemplos de taninos: distenina, afzelequina, catequina, galocatequina, fuiborutinidol, fisefinidol, robinetinidol, oritnia, emsquitol, flavana, leucoantocianidina, proantocianidina (incolor): epicatequina, luteoforol e procianidina.

Formam um grupo heterogêneo fenólico que possui propriedades características destes compostos aromáticos, amorfos, raríssimas vezes cristalinas, circunstância que dificulta o seu isolamento e estudo, notadamente por precipitarem proteínas. São bastante solúveis em água e álcool. Não devem sofrer processo de fervura prolongado e podem ser usados interna e externamente.

Ação terapêutica do tanino: as ações comprovadas dos taninos, segundo Claus e Tyler (1965), Costa (1975a), Teske e Trentini (1995), Duke (1992), Panizza (1997) e Simões et al. (2000), são: adstringente, antidiarréico, antidisentérico, antienterítico, antigingivitico, anti-hemorróidal, anti-herpético, anti-séptica, antifaringitico, antirinítico, tonificante, anticololitico, antidecubítico, antídoto de metais pesados, antidermatótico, anti-viral, bactericida, citotóxico, emético, hemostático, pesticida e antimicrobiana. Empregados em diversas enfermidades orgânicas, tais como: diarréia, hipertensão arterial, reumatismo, hemorragias, feridas, queimaduras, problemas estomacais (azia, náusea, gastrite e úlcera gástrica), problemas renais e do sistema urinário e processos inflamatórios em geral.

Ingeridos em doses elevadas, os taninos podem impedir a absorção de certos minerais como o cálcio e o ferro.

·      Alcalóides: São princípios heterogêneos de substâncias orgânicas de origem básica ou alcalina e amina ou amida. Formam um grupo heterogêneo de substâncias orgânicas contendo nitrogênio, carbono, hidrogênio e oxigênio, em particular de origem vegetal, característica básica, definido pela função amina que dão aos seus constituintes, propriedades químicas próprias as quais aliam uma toxicidade elevada e, muitas vezes, também uma atividade farmacológica notável.

Segundo Bacchi (2000), os alcalóides estão divididos em três grandes grupos,:

a)     Alcalóides tropânicos: que se caracterizam por apresentarem em sua estrutura bicicícla, denominada tropano (8-metil-8-azabiciclo[3,2,1]octano), cujo anel tropano é constituído pelos anéis pirrolidina e piperidina. São conhecidos cerca de 40 alcalóides tropânicos, entre eles destacam-se: atropina, escopolamina, hiosciamina, cocaína, higrina, cuscohigrina, nicotina, ecgonina e cinamoilcocaína.

b)     Alcalóides indólicos: segundo Schripsema et al. (2000), são conhecidos cerca de 2000 alcalóides indólicos, subdivididos em dois grupos:

-        O grupo maior, com os alcalóides indólicos monoterpênicos, derivados de triptamina e do monoterpeno (iridóide) secologanina;

-        Os demais alcalóides indólicos. Neste grupo enquadram-se os derivados do triptofano, como a triptamina e a serotonina.

c)      Alcalóides esteroidais: derivados geneticamente do acetato, como conseqüência da ruptura do isopentenilpirofostato. Encontrado na natureza livre ou como glicosídios, por isso são denominados glicoalcolóides esteroidais. São compostos isolados de vegetais ou animais e em geral, são tóxicos ou muito tóxicos.

São divididos em três sub-grupos:

Ø  aminopregnano (pregnano, vaganina A, conanina, cosessina e kurchamida),

Ø  piperidilpregnano (piperidina), sub-divididos em: espirosolanos (tomatidina, solanodina, soladulcidina); solanidanos (leptinidina, demissidina, solanidina, solanina, chaconina), solanocapsinas (solanocapsina, pimpifolidina, issopimpifolidina) e piperidinas (veralkamina, obliginina) .

Ø  alcalóide com esqueletos anormais (veratramina, protverian).

Segundo Chiesa et al. (2000), a maioria dos alcalóides esteroidais, seja glicosado ou não, possuem diversos graus de toxicidade para os mamíferos.

Ação terapêutica dos alcalóides: De acordo com Costa (1975 a) e Duke (1992), os alcalóides possuem ação muito diversificada, alguns podem ser antitumorais, calmantes, sedativos, estimulantes, analgésicos e anestésicos.

Preconizam Simões et al. (2000), que os fitoterápicos que contêm alcalóides tropânicos são utilizados para a diminuição de cólicas no ureter e aquelas provocadas por cálculos renais; em espasmos brônquicos, nos casos de asma brônquica, também utilizados em espasmos do trato gastrintestinal, contra cólicas e em hipersecreção gástrica.

·      Óleos essenciais: são substâncias líquidas, oleosas, voláteis e aromáticas. A composição química das essências é variável, dependendo da planta e da sua natureza química. Segundo Alonso (1998), os óleos essenciais são divididos em quatro grupos:

a)  Compostos terpênicos: que se subdividem em: monoterpenos (e - pineno, limoneno, canfeno, mirceno); sesquiterpenos (-cariofileno,·-farneseno, germacraneno); monoterpenóis (-terpineol, citronelol, nerol, geraniol, linalol, borneol); sesquiterpenóis nerolidol, espatulenol, (fenchol); ésteres terpênicos (acetato de nerilo, geranilo e bornilo, 1,8 cineol).; óxido terpênicos (óxido de cariofileno); cetonas terpênicos (tuiona); aldeído (citrais, fotocitrais); lactona sesquiterpênicas (crispólida); monoterpenonas (alcanfor); fenóis terpênicos (carvacrol); hidrocarbonos sesquiterpênicos (santanelos, curcumenos)

b)  Compostos com núcleo benzênico; hidrocarbonetos (tolueno); fenóis derivados (timol, anetol, eugenol, apiol); álcoois (benzóico, cinâmico, salicílico); aldeídos (benzóico, cinâmico) e ácidos (esteres de ácido benzóico, cinâmico).

c)   Compostos alifáticos de cadeia reta: inclui-se o ácido acético, acido fórmico, acido isovaleriânico, acido isobutíilico, aldeído dicíclico, meitilheptona e estearopteno.

d)  Componentes sulfurados e nitrogenados heterociclos. No grupo sulfurado incluem-se isotiocianato de alilo e sulfuro de dialilo. Entre os  nitrogenados, incluem-se  o indol, o furfurol e o escatol.

Ação terapêutica dos óleos essenciais:

De acordo com Teske e Trentini (1995), Alonso (1998), Simões et al. (2000), Cruz (2001), Davis (1996) e Worwood (1995) os óleos essenciais, possuem ação carminativa, anti-séptica, diurética, antiinflamatória, bactericida, antivirótico, antiparasitária, antihistamíntica, cicatrizante, analgésico, relaxante, expectorante, antiespasmódico, estimulante do aparelho digestivo, aperiente, hipertensor, revulsiva, estimulante do Sistema Nervoso Central (SNC), depressora do SNC, anestésica local e anti-séptica, adstringente, analgésico, antidepressivo, antipirético, antiviral, bactericida, bacteriostático, béquico, citofilático, desodorante, estimulante, fungicida, fungistático e imunoestimulante.

·      Terpenos: um dos grupos químicos mais encontrados na natureza, sendo  a principal fonte os óleos essenciais. Exemplos: monoterpenos - limoneno, canfeno, geraniol, mentol; sesquiterpenos - propriedades antiinflamatórias e suavizantes (camomila); tetraterpenos - carotenos, de propriedades absorventes de radiação U.V. e anti-radicais-livres .

·      Óleos Graxos: segundo Alonso (1998) os óleos vegetais, desempenham importante função nas plantas como reserva energética, impermeabilização e revestimento celular, em sua composição encontra-se ácido linoléico, ácido araquidônico, ácido ricinoleico. Possui ação no organismo animal colagoga, laxante, reumatológica e dermatológica.

·      Resinas: são produtos das secreções de células resiníferas, que exsuda espontaneamente ou mediante incisões. As resinas são amorfas, espessas, sólidas ou semi-sólidas, insolúveis em água e não voláteis. Sua composição é complexa, resultante da polimerização e oxidação de terpenos. Na natureza, a resina é composta de glicídios, ácidos orgânicos, essências, terpênicos, álcoois e  ésteres.

Atuam como purgantes, antibacterianas, expectorante, anti-séptica urinária, antiparasitária, depurativa, antiespasmódicas, rubefacientes e anti-reumáticas.

·      Mucilagens: são semelhantes às gomas do ponto de vista químico. São princípios constituídos de vários polissacarídeos, heterogêneos e ácido urônico, sendo que os primeiros predominam sobre o segundo, com água formam uma solução coloidal, viscosa e não adesiva, não devem sofrer ebulição prolongada, pois o calor diminui a atividade biológica.

Ação terapêutica das mucilagens: de acordo com Costa (1977b) e Alonso (1998), possuem atividade protetora das mucosas inflamadas, das vias digestivas e respiratórias, genito-urinárias. Impedem a atividade de substâncias irritantes, anti-tussivo, laxante mecânico, cicatrizante, antiinflamatório, expectorante e antiespasmódico. Agem como inativadores de algumas toxinas, diminuem a irritabilidade da pele atuam como calmante e suavizante. 

·      Antibióticos vegetais: As percentagens de antibióticos existentes nas plantas são muito pequenas, o que dificulta sua produção e comercialização. São compostos sulfurosos com atividades bacterianas, as naftoquinonas com propriedades vermífugas, fungicidas e antimicrobianas. Outras atividades desempenhadas pelas plantas antibióticas são desinfetantes, anti-séptica e antimicrobiana. 

·      Sais minerais: são indispensáveis aos processos vitais do organismo, comportando-se como reconstituintes e oxidantes, tendo funções específicas.

·      Vitaminas: de acordo com Goodman et al. (1974), são substâncias essenciais, para manter as funções metabólicas normais. Não são produzidas pelo organismo humano e devem ser absorvidas, principalmente, pelo consumo de vegetais, de preferência frescos e crus. As mais encontradas no reino vegetal são A, C e E.

AVitamina A é encontrada na forma de alfa e beta caroteno. A vitamina C é encontrada em frutas cítricas e em rosa mosqueta. A Vitamina E é encontrada na forma de tocoferol em muitos óleos vegetais, tendo ação antioxidante e anti-radicais livres.

·      Pectinas: são heteroglicídeos macro molecular, constituídas por 30% de açúcar e por 70% de uma fração urônica, concentrados nas paredes dos vegetais.

·      Lignana: segundo Zago (1998),são dímeros oxidativos de álcoois cinamílicos e ácidos cinâmicos e apresentam o carbono gama oxidado. O ácido possui ação carminativa, digestiva, analgésica, germicida, fungicida e detergente (ZAGO, 1998).

·      Esteróides. De acordo com Diniz et al. (1998), os esteróides são frações de lipídios de plantas e animais, são reguladores biológicos, apresentam efeito fisiológico desastroso quando administrado a organismos vivos (DINIZ et al., 1998).

 

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