Bruxelas, Bélgica, 27 de abril de 2005.
Relatório 03/2005
Depois do choro ... (complemento ao relatório, em francês, sobre o estágio de Dijon, França).
Depois de explicar, com muito choro, no relatório anterior, o motivo da ausência prolongada, escrevi, com Carla, o relatório sobre o estágio de Dijon, na França, realizado de 31/Mar a 04/Abr, com a Federação Regional de Esportes de Orientação, o qual está em Nossa Página e foi publicado na revista de Orientação da FRSO. A Federação disponibilizou na capa de sua página o nosso “site” e, a partir de agora, todos os estrangeiros que desejarem podem acessar e tentar entender o nosso português. Vocês, por outro lado, leiam o relatório e entendam o francês; tenho certeza que vão conseguir !!!
Do relatório em francês , sobre o estágio em Dijon, comentarei aspectos técnicos de alguns exercícios:
- Moyenne distance – (média distância) – Percursos normais, com distância variando entre 4 e 5 km, para a categoria H55.
- Duels – (duelos) – Existem muitas formas de realizar um duelo. O técnico deve sempre procurar, como regra fundamental, colocar em confronto dois atletas de mesmo nível técnico e físico, bem como evitar colocar em duelo, atletas que possuam alguma “rixa”. No caso deste duelo, eram duas cartas, com o mesmo percurso, viradas para baixo, sobre o solo. Os dois atletas partem ao mesmo tempo, só que em sentidos contrários, digamos, “um do fim para o começo e outro do começo para o fim”; ganha quem chegar primeiro.
- Faux postes manquant – (falsos postos faltantes) – Você recebe uma carta, com os postos marcados como normalmente é feito. Parte para a procura dos pontos e aí é que está o exercício ... Quando você chega no local do ponto no terreno, pode ter ou não ter o prisma e o pior, na área do ponto, em diversos acidentes com a mesma designação, podem existir prismas e você tem que decidir qual é o correto e picotar ou não, conforme a designação e localização do ponto, determinada na carta. Cada erro anula um certo; tem gente que fica devendo !!!
- Par/Impair – (Par e ímpar) – Em um dos relatórios passados, já expliquei este exercício, mas ele é tão interessante que o farei de novo. Dois atletas, de mesma condição técnica e física, partem ao mesmo tempo, com cartas onde, na de um, estão os pontos pares e, na do outro, os ímpares, bem como saída e chegada, sem a ligação entre eles. O que tem o número 1, primeiro do percurso, sai na frente e o outro atrás, acompanhando o trabalho e seguindo com o dedo o trajeto do Ímpar. Quando o “Ímpar” encontra o ponto, o “Par” parte daí, de onde estava com o dedo, para o ponto 2, primeiro de sua carta, e o “Ímpar” o acompanha com idêntico procedimento. Ao final, na chegada, como complemento, um tem que marcar os pontos faltantes na carta do outro.
- Mémo – (memória) – Em uma carta, com chegada e partida no mesmo lugar, estão locados diversos pontos, sendo que alguns estão com coloração diferentes. Os pontos são locados aproximadamente como em um radial em relação à partida/chegada. Neste nosso exercício existiam 21 pontos com 5 pontos coloridos, sendo coloridos, inclusive, a chegada/partida. Nestes pontos coloridos existem cartas com todos os pontos do exercício. Os pontos coloridos são estrategicamente escolhidos, formando, aproximadamente, um radial com 3 ou 4 outros sem carta. Para realizar o exercício você pode ir aos pontos coloridos, inclusive chegada/partida, quantas vezes quiser. (ver carta em anexo).
- Ateliers en trèfles – (oficina em trevo) – Um trevo de 3 ou 4 folhas. É como um revezamento, onde você corre todas as pernas. Uma é um percurso de memória, tradicional, outra perna é uma média distância, outra uma linha dirigida e outra pode ser uma caça aos postos; varia conforme a imaginação do montador do treinamento. Todas as cartas estão disponíveis em uma mesma área central ao exercício. Normalmente, o técnico determina a perna para cada atleta, bem como a sequência.
- Ligne dirigée – (linha dirigida) – O atleta recebe uma carta, com uma linha em cor vermelha, que sai de um determinado ponto estação, percorre um trecho da carta e termina no mesmo ponto de início. Você tem que seguir pelo terreno, exatamente sobre o percurso determinado por esta linha na carta, procurando por postos de controle locados sobre ela. Parece, mas não é nada fácil, devo até dizer, que conforme o terreno, se com muitos detalhes, é muito dificil !!! O atleta vai encontrando os postos, normalmente poucos e, quando termina, como complemento, deve locar os postos encontrados, na carta. Cada erro anula um dos encontrados.
- Classique – (clássico) – Percursos normais, com a distância variando entre 6 e 7 km, para a categoria H55.
- Parcour de Nuit – (percurso noturno) – É um percurso normal, de menor distância, em terreno que não ofereça perigo à integridade física dos atletas, realizado de noite, com o auxílio de uma lâmpada. Esta lâmpada é fixada à testa por correias ou capacete. No comércio existe uma infinidade de tipos, inclusive podendo ser utilizadas aquelas que os mineiros usam para o trabalho em minas de carvão ou outras; existem até, alguns que utilizam as clássicas “lanternas de pilha”. É bem dificil e exige, para uma boa prática, muito treinamento, pois afinal, de noite, todos os gatos são como lebres ...!!! Contagem de distância é o fundamento essencial !!!
- Relais/mémo – (revezamento e memória) – É um revezamento constituído por equipes de 3 atletas, definidos pelo técnico, que procura deixar todas as equipes com um somatório de atletas equivalentes, em condições físicas e técnicas; ele os define como: muito forte, bem forte e forte !!! Bons técnicos sempre trabalham com bons atletas e o médio e fraco não existem ...???. Partem todos ao mesmo tempo, todas as equipes e todos os atletas. O ateta muito forte deve chegar de seu percurso e partir para outro. O atleta bem forte deve chegar e aguardar a chegada do forte. Quando ele chega, “forte” e “bem forte” passam a visitar, um de cada vez, uma carta mãe, com aproximados trinta pontos e transferem, por memória, os pontos para uma carta virgem localizada à + - 20 metros da carta mãe. Continuam neste procedimento até a chegada do “muito forte”, que determina o fim do exercício e a contagem de pontos para a equipe. Tempo de corrida e número de postos marcados com exata correção, tem pesos diferentes. Deve-se usar, para bem definir o local do posto de controle, o normógrafo, para que o centro do círculo esteja bem locado sobre o acidente determinado na carta mãe. È um exercício que relaxa e contagia com bom-humor os atletas, pois acontece de tudo. Penso que deve ser executado em um dia que o técnico perceba a equipe um pouco ansiosa ou nervosa, para “descontrair”.
- Chasse aux postes – (caça aos postos) – Considero este, um dos exercícios mais completos para o treinamento de técnica e velocidade de um atleta. Um ponto partida/chegada sobre o centro da carta e ao redor dele, diversos postos locados, com números, porém sem a ligaçao entre eles. É dado um tempo limite; por exemplo, neste caso: uma hora e quinze, estando disponíveis 24 pontos. Todos partem ao mesmo tempo. O atleta deve, com rapidez e conhecimentos técnicos de relevo, distância, tempo que gasta para fazer cada trecho, decidir pela sequência a realizar. É comum começar-se por pontos que deveriam ter sido deixados para fazer por último. No último exercício, decidi por uma seqüência e, quando percebi, o tempo já estava se esgotando e era suficiente apenas para eu retornar até a chegada; estava muito longe e só fiz correr para não pagar multa, pois um minuto após o tempo é um ponto achado descontado. Se eu tivesse partido pela outra extremidade do exercício, poderia ter feito alguns pontos no retorno. Fato real e péssima colocação; encontrei 13 pontos e o vencedor 18, num exercício em que, normalmente, estou entre os primeiros.
Pois é, estes foram os exercícios do estágio em Dijon, França, que teve a duração de 4 dias. É por isso e outras coisas mais, que no ano passado eu fiz 108 percursos em 366 dias.
Dmeterko na Comissão Desportiva Militar do Brasil (CDMB); excelente para o pessoal militar e não tanto para o pessoal civil, alguns clubes e determinada Federação. Desejamos muito sucesso a ele pois são grandes os seus méritos e espero que ele consiga a fórmula e gestione, procurando influenciar os chefes e dirigentes, no sentido de integrar os dois segmentos, civil e militar, na troca de conhecimentos, de apoios e de iniciativas, para o melhor desenvolvimento de nosso esporte.
Acompanhei o Campeonato Militar das FFAA, em Bonito, MS. Algumas excelentes novidades em termos de resultado, mas, não posso opinar muito, pois não vi as cartas. Espero que treinem bastante para representar bem o nosso país em Laappenranta, Finlândia, de 10 a 16 de junho próximo ( www.cism-orienteering-2005.com ).
Andei dando uma lida nos relatórios passados e verifiquei que estou devendo algumas coisas, como explicar o “Forquete”ou “Borboleta” e mandar a carta do percurso técnico que montamos para treinamento em Bruxelas; irão logo !!!
O Presidente da Federação Moçambicana de Desportos de Orientação, Arnaldo Júnior, que trabalha no Ministério do Esporte de Moçambique, pede ajuda. Oferece todas as condições de apoio para pessoas que queiram ir para o seu país para cooperar no desenvolvimento do esporte na África, indo desde palestras e cursos, até a confecção de mapas. Li seu projeto que está muito bom, claro e objetivo. Seu endereço: [email protected] e [email protected]. É pessoa de fácil e agradável trato e fala português e espanhol. Seu objetivo imediato é levar uma equipe de Moçambique para a Copa dos Países de Língua Latina, de 27 a 30 OUT 2005, em Sevilha, Espanha. Entre em contato e combine trabalho com viagem, esporte e turismo. Moçambique fica no sudeste da África, na altura da ilha de Madagascar, fazendo fronteiras com Tanzânia, Zâmbia, Maluwi, Zimbabwe, África do Sul e Oceano Índico; e, foi colônia de Portugal.
Recebemos um pacote vindo da Inglaterra. Espanto total ... Quem ??? O pessoal de Varginha ... de novo !!! Odacir e Beth, mandaram-nos uma camiseta do circuito “ET”; muito obrigado !!!
Parabéns ao pessoal de Foz do Iguaçú, pela fundação, em março próximo passado, do Clube de Orientação Cataratas do Iguaçú. Desejamos à Diretoria muitas realizações e sucessos continuados !!!
Vou terminando este por aqui e esperem o próximo, pois contaremos sobre os “3 dias da Holanda”, em Haia. Ensinarei, também, um exercício muito interessante que é realizado aqui, somente no dia da festa de encerramento do ano esportivo do meu clube (ASUB) e define quem será chamado de “Campeão” durante todo o ano seguinte. O “Campeão” é, por norma, encarregado de montar a prova para definir o novo detentor do título.. No ano passado foram dois os campeões; um belga “top” da elite H21 (Ethienne Van Gasse) e uma finlandesa, “top” da D35 (Katri Haatäja). Este ano o detentor do título é Pierre Parmentier, um belga, da categoria H55 .... é mole ????
Um grande abraço a todos.
Torrezam e Carla.