Bruxelas, Bélgica, 21 de fevereiro de 2005.
Relatório 01/2005
Retornando...
Conforme prometemos, estamos voltando, pois a vontade de conversar com todos já é bem grande.
Resumo do que fizemos:
- a família chegou no dia 13 de dezembro, no aeroporto de Amsterdã e, já no dia seguinte, partimos para Paris, onde fizemos as visitas obrigatórias, como Notre-Dame, Torre Eiffel, Museu do Louvre, Saint Chapelle, Conciergerie (local onde ficaram presos e foram julgados todos, a caminho da guilhotina, em decorrência da Revolução Francesa, inclusive Maria Antonieta, cuja cela pode ser visitada), Quartier Latin (o famoso bairro da Sorbonne, dos estudantes e de Jean-Paul Sartre), Les Invalides (onde tem o Museu do Exército Francês, com o impressionante túmulo de Napoleão Bonaparte), Arco do Triunfo, Champs Elisées, Palácio de Versailles (onde moraram Louis XIV, Louis XV e Louis XVI, até a Revolução, de onde, o último, com Maria Antonieta, sua esposa e filhos saíram fugidos e acabaram sendo capturados, para terminarem todos guilhotinados...), castelo de Chambord, no vale do Loire (onde os reis iam caçar), Disneylândia e outros locais;
-no domingo, saímos cedo e viajamos 200 km, até Silly, a leste de Bruxelas, onde participamos de uma competição de Orientação. O Rodrigo debutou em um percurso na Europa e não teve problemas em usar o sistema Emit; dia muito frio, mas sem neve, ficando no percurso de 5330 metros em 15o lugar entre 22 participantes (a Carla em 19o e eu, num de 6650, em 12o/41). No final da tarde, partimos direto para a Áustria, para Saint Johann im Pongau, onde chegamos às 0300h da madrugada, após mais de 1000 km de estrada e muita neve;
-esquiamos aí, nas pistas austríacas, por 3 dias, sendo que o Rodrigo e o Bruno rapidamente aprenderam o esporte; penso que, mais do que pela qualidade dos instrutores (nós mesmos !!!), pela facilidade de já praticarem surf, patins e skate, estando no terceiro dia já a realizar proezas de veteranos;
-conhecemos Salzburg, antiga cidade muito famosa e rica, berço de Mozart e passamos o Natal nestas lindas terras nevadas da Áustria!;
-depois, começamos o caminho de volta através da Suíça, passando por Luzerna, que tem uma maravilhosa ponte coberta, toda de madeira, com uma torre fortificada no seu meio, do tempo medieval; Berna, com um lindo fosso de ursos, símbolo da cidade e Zurich, a capital econômica, além das maravilhosas paisagens nevadas, ao longo das rodovias;
-na seqüência, visitamos o Grão Ducado de Luxemburgo, onde estava nevando até o meio das canelas! Vimos a cidade, suas espetaculares muralhas, os cemitérios militares alemão e americano, um museu espetacular em Diekirch sobre a 2a Guerra e as homenagens especiais prestadas ao General Patton, que libertou este país e está enterrado no cemitério americano, pois morreu um mês depois de terminada a guerra, em virtude de ferimentos provocados pelo acidente com o jeep em que viajava.
-de Luxemburgo, partimos para Bouillon, no sudoeste da Bélgica, passando, no caminho, por um cemitério alemão e francês, da 1a Guerra Mundial, localizado já próximo ao nosso destino. Em Bouillon, existe um maravilhoso e bem preservado castelo do ano 900, que era do Rei Godofredo de Bulhões, que o vendeu para conseguir recursos para montar e comandar a primeira Cruzada ao Oriente Médio, tendo sido, inclusive, Rei de Jerusalém por muitos anos.Vimos, aí, uma interessante demonstração de “Falconeria” (espetáculo com falcões ensinados), como nos tempos feudais;
-na véspera de fim-de-ano, saímos de “mala e cuia” para Chiny, na floresta das Ardenas, onde participamos de uma outra competição de Orientação, com neve caindo por todos os lados. O Rodrigo foi espetacularmente bem, ficando em 7o em 28 participantes, num percurso de 4550 metros (a Carla em 22o e eu, num de 5880 metros, em 13o/30);
-a partir de nossa casa, em Bruxelas, mostramos aos filhos, nora e neta a cidade, com sua Grand Place e os prédios dos anos de 1700, os restaurantes típicos de frutos do mar e, principalmente, os “moules” (mexilhões), o comércio tradicional, o Manekin Pis, símbolo de Bruxelas, o Palácio Real, o Museu das Forças Armadas Belgas, um dos mais interessantes dos que conheço; fomos a Brugges e, e, e, e ... lavamos as roupas, muitttaaas!!!;
-já em 2005, partimos para a Inglaterra, passando antes por Dunquerque e pelas casamatas alemãs em Pas-de-Calais tendo, inclusive, explorado algumas delas e feito um estudo do terreno, verificando que os alemães realmente esperavam os aliados ali e que era praticamente impossível tomarem a praia, pelo vulto e pela localização das defesas (os alemães esperavam o desembarque em Dunquerque e Calais porque é o local de menor distância da Inglaterra; quando os aliados desembarcaram na Normandia, pensaram que era um ataque diversivo e não se preocuparam muito, o que lhes foi fatal, apesar das perdas aliadas nas diversas praias utilizadas). Atravessamos o canal da Mancha de ferry-boat, pois era muito mais barato do que pelo famoso Euro-túnel;
-visitamos Londres, com a realeza e seu palácio de Buckingham, a troca da guarda a pé e tivemos a sorte de ver o Príncipe William desfilando, sendo acompanhado por uma banda, de volta à sua residência; vimos o “bunker” onde Churchill esteve com seu Estado-Maior durante toda a guerra, a Westminster Abbey, o Big-Ben, a Trafalgar Square, o antigo mercado em Covent Garden, atual local de feirinhas e barzinhos, a troca da guarda a cavalo na Casa dos Cavalos da Rainha, a Torre e a Ponte de Londres;
-à cerca de 200 km de Londres, visitamos Stonehenges, com seus menires milenares e todos os seus mistérios;
-desde Caen, já de volta à França, partimos para visitar todas as praias da Normandia, começando por Sainte-Mère-Église (limite esquerdo e local do célebre e catastrófico desembarque dos pára-quedistas americanos – ainda tem um manequim com pára-quedas, dependurado na igreja; espetacular !!!) e terminando no outro extremo, limite direito do desembarque, na ponte de Ouistreham, a Pegasus Bridge, outro objetivo de tropas pára-quedistas no primeiro dia do desembarque, onde jantamos, olhando a tão decantada obra, sobre o canal que liga o mar à cidade de Caen. Passamos por Utah Beach; Pointe du Hoc (sobre um promontório com falésias de mais de 30 metros de altura e intensamente bombardeado; apresenta crateras juntas umas das outras, com mais de dois metros de profundidade por cinco de diâmetro); Omaha Beach (verdadeiro desastre americano, pela quantidade de mortos e pelo grande número de operações mal executadas); pelas baterias alemãs de Longues, ainda com suas peças, das quatro, duas destruídas, parece que por ação de Comandos e duas ainda intactas; e continuamos por Gold, Juno e Sword Beach, as praias dos canadenses e dos ingleses. Casamatas, concertinas, postos de comando, sinais das explosões, museus, muitos cemitérios, monumentos, velhos carros e artefatos de guerra, ainda estão lá, no terreno, para atestar o desespero do que devem ter sido aqueles dias e aquelas operações. Existem, nas diversas cidadezinhas, casas comerciais que vendem coisas encontradas, uniformes e equipamentos de guerra, por preços incrivelmente altos;
-depois disto foi a volta de todos para casa, inicialmente para Bruxelas e, dia 09 Jan, domingo, bem cedo, ida para Amsterdã, Holanda, para o pessoal embarcar para o Brasil...
Bem, curtam algumas fotos que estamos colocando no “site” e, por hoje, é só. No próximo relatório apresentaremos para vocês um expediente que usam por aqui para evitar a perseguição ou mesmo para espaçar os atletas em um mesmo percurso e que chamam de “FORQUETE”; é bem interessante.
Um grande abraço.
Torrezam e Carla
Anexo - algumas fotos