Bruxelas, Bélgica, 02 de novembro de 2004.

Relatório 26

Copa do Mundo / 2004

Só agora estou conseguindo tempo para escrever sobre a Copa do Mundo/2004. É que o meu tempo está bem tomado por diversas coisas que, sem querer, ou querendo, vamos nos impondo a fazer . . . Fato é que, além de minhas aulas de francês e as malhadas na academia, agora estou freqüentando a embaixada do Brasil numa tal de "diplomacia participativa" e, ainda, dando aula de português para uma belga. Tudo sem falar que voltei da Copa dia 22 Out e já no dia 24 estive participando de um "match", França X Bélgica, em Fontainebleau, ao sul de Paris e nos dias 28 a 31 de Out e 01 Nov, participando e cooperando na montagem dos "Trois Jours de la Forêt de Soignes". Em Fontainebleau fui o 15o em 27 participantes de todas as categorias e nos "3 Jours" estive muito bem; começamos a competição com 90 atletas e ao final dos 3 dias estávamos em 46 e fui o 10o classificado, com uma média de 8,33 min/km, também em todas as categorias.

Mas, voltando à Copa do Mundo . . . Foi na Alemanha, em Dresden, ao sul de Berlim (+- 80km) e a 40 km da fronteira com a República Tcheca, no período de 18 a 24 de outubro. A Copa, este ano, contou com 3 grandes eventos computados para o "ranking" mundial:

em julho na Dinamarca;

em setembro na Suécia; e,

em outubro, a final, na Alemanha.

As provas disputadas são realizadas, em cada evento, nas modalidades "sprint", "middle" e longa distância para o "ranking" individual, com a conversão do tempo em pontos e "relay" para as equipes de 3 atletas de cada país.

Estiveram em Dresden os 64 homens e as 44 mulheres que ocupam as melhores posições do "ranking" mundial, representando 20 países (Áustria, Bélgica, Canadá, República Tcheca, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Inglaterra, Itália, Japão, Latívia, Lituânia, Noruega, Polônia, Rússia, Espanha, Suécia e Suíça); e a Bandeira do Brasil esteve lá, entre elas. Tive dificuldades em me inscrever neste seleto grupo e nesta distinta competição, pela idade, por não ter participado dos outros eventos, por não ter sido inscrito pela confederação de meu país, etc. Entretanto, graças a uma boa conversa com os organizadores, a uma carta da Confederação Brasileira e, sobretudo, ao conceito e ao carinho com que o Brasil é visto aqui na Europa, pois tudo nosso é novidade e motivo de intensa curiosidade de todos eles, consegui, aos 55 anos, correr provas com os garotos de 20 a 25 anos, os melhores do mundo !!!! Imaginem que experiência !!!! Ficou caro; só inscrição, alojamento e alimentação ... 1.600,00 reais; mas valeu a pena !!!

Fui muito bem recebido e perguntado a todo instante como é a Orientação no Brasil, bem como inquirido continuadamente sobre os mais variados temas abordando questões, situações e ambientes de nosso país. A todos atendi com o máximo de paciência e procurando me fazer entender, falando a língua que uso no momento, que é uma mistura de português, espanhol, francês e inglês, mas que tem possibilitado me comunicar com todo o mundo, mesmo às custas de algumas risadas.

Logo que cheguei, na primeira reunião, agradeci a oportunidade da presença do Brasil naquele seleto grupo, informei que era acima de qualquer coisa um interessado observador do desempenho dos atletas, da organização da prova e dos procedimentos administrativos que envolviam o evento. Para finalizar, disse que meu objetivo ali, ao realizar os percursos, era procurar, o máximo possível, manter a minha esperada posição de último classificado e, também, a esperança de concluir todos os percursos. Em resumo, eu disse que: "I propose for me "the last, but never the lost !!!"; ao que, fui intensamente aplaudido.

No dia da final do "middle", na cerimônia das flores, fui homenageado com um buquê, oportunidade em que a garota que me entregou o mesmo disse que era para retratar o carinho deles pelo "que veio de mais longe e pela sua coragem". Isto, por que eu não abri a guarda e mantive a posição de que morava no Paraná, sul do Brasil, ganhando assim, em distância, dos japoneses.

O atleta da Bélgica não compareceu, mas o representante da IOF foi um Belga, nosso conhecido e também conhecido da equipe militar do Brasil, que já correu em Curitiba, em 1983 e que pertence atualmente ao quadro de Observadores da IOF e à Federação do Norte da Bélgica (VVO – "Vlaans Verbond voor Orienteringsporten" – 6 grandes clubes, resultado de junção de outros); Roger Vanaken é soldado em Leopoldsburg, já representou a IOF em 5 grandes competições e fala 4 idiomas. Os países podiam inscrever até 6 atletas de cada sexo, desde que já possuíssem algum ponto marcado nas etapas anteriores; só compareceram com equipes femininas completas a Finlândia, a Alemanha e a Suécia e com equipes masculinas também completas, a Áustria, Finlândia, França, Suécia e Suíça.

O atual "ranking", após Dresden, está assim constituído:

1 – Simone Niggti-Luder – Suíça

2 – Tatyana Riabkina – Rússia

3 – Karolina Arewang-Hojsgaard – Suécia

1 – Holger Hott Jonhansen – Noruega

2 – Andrey Khramov – Rússia

3 – Oystein Kvaal Osterbe – Noruega

Os dois russos, masculino e feminino, são conhecidos pela equipe do Brasil desde o Campeonato Militar/2001, em Portugal; são soldados e pertencem à equipe militar da Rússia.

Quem quiser saber os atuais 25 colocados no "ranking" mundial, entre em: http://www.6prog.org/iof/wc_home$.asp .

Tenho certeza que estão pra lá de curiosos para saber os meus tempos e ver as cartas . . . Se estiverem realmente curiosos e acho que vale a pena, principalmente pela carta do final "middle" e do longa distância; entrem em: http://www.world-cup2004.de Vejam também este mesmo endereço acrescido de /prentries.html e apreciem com justificado orgulho o quadro das bandeiras. Dêem uma passada pelas fotos.

O meu resultado não poderia jamais ser diferente do que foi, mas foi incrivelmente agradável estar com aquelas "feras" e desfilar com a Bandeira do Brasil !!!!

Algumas observações:

Para a realização das provas o fundamental sempre foi a parte técnica; saída e chegada eram colocadas em segundo plano e somente em um dia tinha local de banho; trocar de roupa era um na frente do outro, ou melhor, "da outra", o que era melhor !!! É outra cultura; eu claro, olhava envergonhado para o outro lado, apesar de já estar ficando acostumado com esta liberdade. (Recebi, mandada pelo Dmeterko, uma pesquisa realizada aí no Brasil e verifiquei que 80% das opiniões foram no sentido de que, ao se montar uma prova, prioritariamente se busque infraestrutura de apoio, com sanitários, local de banho e estrutura para almoço; 10% deram prioridade para a área dos percursos, com terreno variado e 10% para a facilidade de acesso, próximo à cidade sede. Não é o que vejo pela Europa; 80% das opiniões deveriam ser no sentido da escolha do terreno, da partida e da chegada, que às vezes, ficam a mais de 2 km da área de concentração !!! Precisamos mudar este nosso conceito, urgente !!!!).

Conheci um novo aparelho da Silva. É como nas corridas de cavalos, ou a "fotocharter" das olimpíadas; na chegada, tem um dispositivo que pára o tempo do "SPORTident" quando o atleta cruza a faixa.

Os atletas agem como profissionais; todas as equipes tinham fisioterapeutas, complementação alimentar e mesas de massagem para depois dos percursos.

Grande parte dos atletas, antes do café da manhã, faziam uma corrida leve de aproximadamente 30 minutos. O mesmo faziam depois dos percursos, até mesmo os japoneses, que foram os últimos colocados.

Toda a comissão organizadora e não só os chefes, participava da reunião com os líderes de equipes e eram consultados quando a mesa era inquirida.

É sumamente importante e até imprescindível existirem diversas pessoas da organização que falem inglês, francês e espanhol, principalmente.

Em todos os percursos era cobrado por todos os atletas o pequeno mapa do "Warm-up", junto à área de partida. Nenhum atleta entrava no percurso sem, no mínimo, 30 minutos de aquecimento. (Na pesquisa já citada, vi com enorme satisfação que diversos atletas apresentaram como sugestão a montagem de pista escola durante a realização da etapa, pistas estas que, se próximas à partida, podem ser usadas para o "Warm-up" dos atletas).

Na execução dos percursos não vi, em qualquer oportunidade, atletas correndo direto para o ponto; todos correm de ponto nítido a ponto nítido e fazem um breve estudo, parados, próximos ao ponto.

Premiação, temos que acabar com a exagerada premiação no Brasil !!!!! Nesta copa, só o primeiro lugar recebeu medalha e uma caixa com um presente; o segundo recebeu um relógio; do terceiro ao sexto, um diploma; e !!!! O prêmio é a satisfação da participação e a carta. Todos os atletas, ao chegarem, deixavam sua carta velha em uma caixa e recebiam, até com certa cerimônia, uma carta nova, sem dobrar, com o seu percurso. É um procedimento que tenho observado em todos os países da Europa. O dinheiro que seria gasto com prêmios é empregado na formação de atletas jovens e no pagamento de suas inscrições e viagens, para competir em nome de seu clube ou de sua federação !!! (Na pesquisa que já citei, 45% das opiniões têm como prioridade, além de melhoria do circuito e busca de novas cidades para a prática do esporte, melhor premiação !!! Precisamos rever nossos conceitos).

(Aproveito para cumprimentar a recém fundada Federação Estadual de Orientação do Mato Grosso do Sul, pela excelente iniciativa da realização da Pesquisa de Opinião tomada durante as provas do III circuito sul-matogrossense de orientação-2004. Deixo como sugestão, a outras Federações, iniciativas da mesma natureza, para que possamos estabelecer parâmetros e tomar decisões bem fundamentadas para a melhor evolução e condução do esporte.)

Vestir a camisa. Vi que todos os integrantes da organização tinham uma missão já de há muito definida e no momento necessário todas as suas responsabilidades estavam cumpridas, sem necessidade de mando ou de conferência. Tinha uma moça que era responsável por colocar e retirar as latas de lixo na área de chegada. A pobrezinha quase não podia com os latões e era bem bonita e o lixo bem fedido !!! Todos os dias ela estava lá e seu serviço, quase imperceptível, foi de grande valor para a aparência da área e para o somatório do cumprimento de todas as diretrizes da comissão organizadora. Não existe missão menor ou desqualificante, todas levam à consecução do objetivo final que é o sucesso do evento em todos os sentidos.

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Na Copa do Mundo, fiz contato com Diethard Kundisch (Tel 0049 3628 78300 – Fax 0049 3628 78303 – "E-mail" [email protected] e [email protected]), representante do sistema "SPORTident" e que montou o sistema de apuração da Copa. Estou com uma carta que ele me enviou e uma cópia do manual de especificações técnicas. Diz que já fez contato com dirigentes da equipe militar do Brasil e que tem todo o interesse em vender o sistema para um país da América do Sul. Se alguém se interessar, faça contato ou mande-me um "E-mail", que eu repasso as informações.

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Estamos chegando ao final do ano e aqui na Bélgica os campeonatos estão chegando ao fim. Neste próximo final de semana, disputamos a oitava prova do campeonato do sul da Bélgica (FRSO - Federação Regional do Esporte Orientação – 14 clubes; só no ASUB são 215 atletas registrados) e estou "afinando as canelas", pois estou em segundo lugar e não quero perder a posição; se "bobearem", chegarei em primeiro !!!

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Esta semana que passou esteve hospedado aqui em casa e contando com nosso apoio o Maj Celso, que a partir de fevereiro do próximo ano estará representando o Brasil, por dois anos, junto ao Conselho Internacional de Esportes Militares – CISM. Pelo que ouvi e acompanhei o Major, tenho certeza que ele terá sucesso na missão e o Brasil ganhará representatividade ainda maior, junto ao Conselho das nações que lideram o esporte militar mundial.

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Tomamos conhecimento do "Atlas do Esporte", que está sendo colocado à venda, esta semana, no Brasil, organizado pelo Prof Lamartine Dacosta. Também sabemos que nosso amigo Roberto Correia, da CDMB, acho que já Major, ou ainda Capitão, escreveu um dos artigos, abordando a estrutura, missões e realizações da Comissão Desportiva Militar do Brasil, o que por si só já credencia a seriedade e o alto nível dos assuntos tratados. Como a iniciativa é a maior já tomada no mundo neste sentido, com o livro sendo lançado em português, espanhol e inglês, no Brasil e na Europa, com diversas "feras" do esporte, mais de 400, entre atletas e dirigentes, escrevendo cada um dos artigos, temos a certeza de que obterá o grande sucesso merecido. Antecipadamente, parabéns ao Correia e a todos os responsáveis pela obra. Para saber mais acesse: www.rioradical.com.br . Correia, estamos torcendo para que você venha também aqui para o CISM.

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Por falar em livro ... Raul Friedmann, estamos aguardando o nosso exemplar do livro "Técnicas de Orientação" onde, agradavelmente, o Calasans e eu cooperamos na revisão. Espero que esteja sendo um sucesso de vendas, uma vez que aborda todos os fundamentos da Orientação, como esporte e como técnica, em todos os meios físicos do planeta, do GPS ao musgo nas árvores. Para saber mais acesse: [email protected] .

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Otávio, estamos enviando para você um "E-mail" contendo a agenda e as decisões do "meeting" de dirigentes e um relatório sobre a Copa dos Países de Língua Latina/2004. Também seguirá uma correspondência com todo o material entregue em Vila Real, tratando sobre a Copa de 2005, em Sevilha, Espanha. Estamos à disposição, desde já, para ajudar a CBO, no que for necessário, para trazer uma equipe do Brasil.

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Alô, "Fercho"! (José Fernando Gomez Rueda - Vice-Presidente da Confederação Colombiana de Orientação), estou com saudades de nossa agradável convivência lá em Portugal, na Copa Latina. A Carla diz que fizemos o "longa distância" (12km) em dupla. Não é verdade, nós sabemos que eu fazia as rotas e você encontrava o ponto, não é mesmo ??? Nada de dupla, cada um fazia o seu serviço e mais, se você não estivesse por perto, quem colocaria minha lente, que milagrosamente achei depois de perdê-la no poço d’água ??? Alô, "Negão"! (Arnaldo Júnior - Coordenador dos Jogos de Orientação de Moçambique), "Always my Body Guard", fizemos excelente amizade e demos muitas risadas nas agradáveis companhias de nossos amigos portugueses e espanhóis; recebi seu "E-mail" e estou te esperando !!! Organizem, os dois, a vida para que possam, no início do próximo ano, vir passar uns dias aqui conosco para reeditarmos nossa alegre estada e alguns percursos "lights", diferentes dos "pedreiras" realizados na região da Serra do Alvão, em Vila Real.

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Abraços para todos, em todas as partes do mundo, amigos que sempre colhemos graças à maravilhosa capacidade que Deus concedeu a mim e à Carla de tê-los, cada vez em maior número, e ... sempre e cada vez mais, saudades !!!

Torrezam e Carla.

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