Bruxelas, Bélgica, 27 de julho de 2004.
Relatório 21/2004
O Brasil na Suécia
(A Bandeira do Brasil e o logotipo da CBO-Brasil, continuaram a tremular por mais 10 dias, orgulhosos, no evento mundial mais concorrido de nosso esporte, ombreando a outros 43 países!).
Penso, ao conjecturar com Carla, Cabral e Becker, que estamos entre os não mais que dez Orientadores do Brasil que tiveram a felicidade de participar, em todos os tempos, dos "5 dias da Suécia". Por diversas razões e também, principalmente, por compor este seleto grupo, observei a tudo com muita atenção e sentido crítico, para montar um quadro real do que nos foi possível ver e participar.
É um evento grandioso, em sua 40ª edição, ininterrupta desde 1.965, reunindo neste ano mais de 13.000 atletas que, junto com uma grande quantidade de patrocinadores, vendedores, divulgadores, dirigentes, organizadores, assistentes, artistas, profissionais da alimentação, da hotelaria, da saúde, policiais, militares, motoristas, etc., montaram um gigantesco "circo", onde cada um usufruiu, dentro de sua área de atividade, o melhor que lhe foi dado alcançar. A cidade é Göteborg, no sudoeste da Suécia; é um importante porto, principalmente de passageiros e de oficinas especializadas e está situada na desembocadura de um canal, chamado Göta, que liga o lago Vänern a uma grande baía do Mar do Norte, oposta à cidade de Frederikshawn, na Dinamarca. A moeda é o SEK (coroa sueca – 1 EURO=9 SEK=4 REAIS). Para que se tenha uma idéia da grandiosidade do evento, a Organização da prova tinha a expectativa de ganhar 250 milhões de Coroas, livres de todos os gastos. Pudera!; tudo, absolutamente tudo é pago: o Becker, um dia, deu uma raladinha de nada na palma da mão direita e foi ao serviço de saúde da pista; feita a passagem de água oxigenada e iodo, veio a facada ... 1,2 euros !!! "Pobre" Becker, outro dia quis um número novo para substituir o seu que estava muito ralado; ficou com o velho mesmo, queriam cobrar 1 euro ... (vejam em anexo o local da realização das provas em relação à cidade).
ALOJAMENTO
O tempo não cooperou, pois fez frio e choveu quase todos os dias. Mas, isso é o de menos, importantes são as observações realizadas e os conhecimentos adquiridos!!! Ficamos acampados em uma barraca em um dos 16 "campings" que foram montados (o nosso foi o "R"), em diferentes áreas da cidade e próximos ao Centro de Eventos. Quando chegamos ao que nos foi destinado, no sábado de manhã, encontramos o nosso local exato, marcado com uma plaqueta ("R"- T-26). Quase a totalidade dos participantes ficou acampada e não observei nenhum problema, pois uma recepcionista nos recebeu e, simpaticamente, nos levou até nosso local, conforme quadro disponibilizado na "Internet", o mesmo acontecendo com todos os outros que, grande maioria, chegaram no domingo, véspera da prova. Havia sanitários, digamos, como militares, portáteis e modulados; eletricidade para os "trailers" e água para lavagem de roupas, rosto e utensilios; banho só em um dos "campings", o "O", que era central e possuía excelentes instalações, água quente, sanitários e espelhos.
Hotel é muito caro; o localizado no Centro de Eventos cobrava 100 euros (390,00 reais) a diária, com café da manhã e os outros eram mais caros ainda. O pessoal que estava fazendo a Clínica, incluindo aí o Cabral e o Becker, ficaram alojados, muito bem, fora da cidade, nas instalações de um centro profissionalizante (veja no anexo as áreas de "camping" e suas localizações na cidade).
ALIMENTAÇÃO
A alimentação na Suécia é bem cara. Quase todos os participantes, mesmo os não acampados, compravam os gêneros e faziam sua própria comida; muitos já levaram os gêneros de suas cidades de origem. Todos encaram este procedimento com bastante naturalidade, pois acampar é uma das atividades favoritas dos europeus. Agora, neste período de julho e agosto, férias e espera do início do novo ano letivo, é interessante observar o grande, mas grande mesmo, número de "trailers" que cruzam os países pela suas excelentes rodovias. Ah !!! E todos levam suas bicicletas e as usam bastante !!! (curiosidade: no O-Ringem, foram colocadas à disposição, para aluguel, um grande número de bicicletas, todas verdes e iguais, que foram usadas por soldados durante a II GM).
ACOLHIDA
Como sempre, primeira providência, ir ao Centro de Eventos para apanhar a documentação, "chips" eletrônicos, números, horários de atividades e de partida, programas, etc. Como em todos os grandes eventos, tudo estava acondicionado dentro de uma sacola, personalizada com o logotipo do "O-Ringen" e endereçada ao líder de cada equipe (para se ter uma idéia, o Livro de Informações tem 161 páginas).
TREINOS
Sábado e domingo pela manhã, tempo destinado aos percursos-treino. Foram montadas 4 áreas de treinamento, onde a organização colocou diversos prismas, "bolotados" nos mapas e o atleta escolhia quais, como e por onde fazer. Os mapas para os percursos-treino eram vendidos ao preço de 5 euros cada. O atleta recebia um croqui de como chegar à área e se virava para chegar lá; o pessoal da Clínica tinha ônibus particular...
ABERTURA
No domingo à tarde, no centro da cidade, de uma praça a outra, com desfile de bandeiras (nós conseguimos desfilar junto com a nossa – pedimos com "aquele jeitinho") e show de cantores. Após o show, os atletas da "super-elite" fizeram uma prova no parque, atrás da praça e do palco, com chegada, saída e apuração, ao vivo, em cima do palco (prêmio para os vencedores masculino e feminino de 1.000 euros cada).
Grande falha, como viríamos a perceber posteriormente, uma constante: só se falava línguas nórdicas nas apresentações e nos discursos, inclusive, um cara que foi contar piadas... rimos das risadas !!! O único discurso em nórdico, inglês e francês, foi o da representante da IOF, da Confederação Suíça de Orientação.
COMPETIÇÃO
Após muita observação e troca de idéias com participantes de diversos países com os quais tivemos a oportunidade de conviver, inclusive suecos, optamos por dividir a competição em duas partes: uma voltada exclusivamente para os estrangeiros e outra para a comunidade nórdica. Os estrangeiros são maravilhosamente recebidos e tratados durante todos os dias, na Clínica, enquanto que na competição passam quase que como inexistentes. Dificilmente as locuções e mesmo os planfetos e informações são tratados em inglês ou outra língua, somente nas línguas nórdicas; só se fala em inglês quando se prevê que o desconhecimento daquele assunto pode causar problemas no desenvolvimento da prova. Na categoria "Super-ELITE" (H/D 21), correram 75 atletas, 38 homens e 37 mulheres; de fora dos Nórdicos, só uma inglesa, uma suíça, um da República Tcheca e um da Rússia (prêmio para os vencedores, 5.000 euros).
Diferentemente do que havia sido anunciado, os 5 percursos foram em áreas de mesmas características. Era para ser uma em cada tipo de vegetação e terreno, mas o que enfrentamos era muito banhado, até em cima dos morros, embora não muito difíceis de ultrapassar; uma vegetação rala, poucos cursos d’água, alguns pequenos lagos (quase poças d’água), tudo em cima de muita pedra. Era só pedra !!! E não pedrinhas, eram ro
chas e escarpas de até 15 metros de altura, onde fizemos muitas escaladas, subindo e descendo, inclusive, com o auxílio de cordas, colocadas pela organização. Cocuruto também era pedra, buraco era na pedra e, como era tudo pedra, a maioria das pedras e das escarpas não estava na carta, só as maiores; e ... como saber quais eram as maiores ??? Tivemos muita dificuldade com a coloração das cartas, principalmente o amarelo e o branco e com a infinidaaaddddeeee de curvas de nível ... ravina, sem exagero, era um risco na pedra !!! (vejam en anexo, os mapas da categoria H55). O Campeonato foi montado por uma associação de 10 Clubes de Orientação da Suécia, sendo que cada um ficou responsável por uma prova e, os outros cinco, repartiram as diversas atividades como partida, resultados, imprensa, serviço VIP, correio, alojamentos, etc.Firmamos conceito, todos juntos e sem discordância, que foram as cinco provas mais difíceis que já fizemos em nossa vida !!!
ENCERRAMENTO
Foi bastante simples, no próprio local do último percurso, sobre um palco montado em cima da faixa de Chegada. Ali chamaram os vencedores das categorias, entregaram prêmios, fizeram entrevistas e ... acabou !!!. Tudo rápido, pois como no Brasil, todos tinham pressa de ir embora e o pessoal da organização aparentava cansaço. Outra coisa: era a prova correndo, os atletas chegando e a festa de premiação e encerramento seguindo.
RESULTADOS
Quando enfrentamos o primeiro percurso, decidimos que a nossa "luta" era para não sermos desclassificados por "picote" errado ou por ultrapassar o tempo limite para cada percurso, que era de 120 minutos. Conseguimos, os quatro, quase "de quatro" !!!, a estas horas, sentindo-nos como "os quatro mosqueteiros" e, ainda, não foi mole !!! Eram 5 ou 6 prismas próximos uns dos outros e, ao chegarmos à área, o primeiro nunca era o nosso; tínhamos a cada ponto que usar "fórceps" ou "saca-rolha" para encontrar o "escondidinho" e, no tempo ... chegamos um dia, aos 106 minutos !!! E pedir ajuda ? ... Em que língua e para quem, se passavam voando ??? Os "devagar" estavam no nosso time e não podiam ajudar muito, né !!! Mas, ao final, depois de altos e baixos, mais baixos que altos, conseguimos: Cabral, 35° em 70, Torrezam, 127°/177; Becker, 167°/199; e, Carla, 74°/81; e a lista dos não classificados se perde de tamanho. Descobrimos, também, porque os nórdicos são os melhores neste esporte; desde criança, correndo em um terreno e numa carta tão difícil, só poderiam mesmo virar "feras" !!! E, outra coisa, aquela imagem da Suécia que temos aí no Brasil, do prisma embaixo de florestas de Coníferas e terreno pouco movimentado, não existe aqui; só um relevo mais brando no sul e um pouco de Coníferas próximo às indústrias de celulose.
COMENTÁRIOS
O que mais observamos e aprendemos foi em matéria de organização e "macetes" para a realização de um evento com grande número de participantes. Nós, os 4, depois de retornarmos à Bélgica, fizemos um apontamento de tópicos abordando o que vimos de mais importante; chegamos ao número 40 !!! Abordarei alguns:
- Para "esparramar" o pessoal e não causar grandes concentrações, vocês viram que criaram diversas áreas de alojamento. Igual fizeram nas provas, tanto que a Carla, por diversas vezes, disse-me: aqui não tem 5.000 pessoas !; como ??? Assim:
1- Montaram uma área de estacionamento central aos "campings" e, dali, saíam e chegavam da prova os ônibus, fazendo com que os que "largavam" mais tarde só fossem para o local quando já estavam retornando os que saíram nas primeiras baterias;
2- Os ônibus deixavam e pegavam os atletas bem distantes do local da Chegada, às vezes uns 3 km, o que formava longas colunas de marcha, diluindo o pessoal ao longo dos acessos e saídas. Os atletas sempre se concentravam na área de Chegada;
3- Da Chegada até a Partida, era bem longe, quase um percurso; um dia, eu caminhei quase 4km, já estava desistindo, embora tudo estivesse muito bem sinalizado com plaqueta de patrocínio e setas;
4- Por falar em plaqueta de patrocinadores, desde a chegada a Göteborg você recebia o nome de um patrocinador (exemplo, no meu caso, TORK, papel de enxugar nos lavatórios; a Carla, TEAM SPORTIA, vendedores de produtos esportivos, etc.) e ele definia, a partir daí, todos os seus procedimentos, caminhos, placas de resultados, horários de partida, Largadas, Funil de Chegada, etc; e,
5- Existiam diversos locais de largada, identificados com o nome do patrocinador, uns 10, sendo que algumas vezes eram próximos, a mais ou menos 50 metros. Só que, interessante, você "largava" e quando via estava chegando ao mesmo "triângulo" do que "largava" da outra Partida e seguiam cada um para o seu percurso. Em nenhum dos cinco percursos descobri outro atleta fazendo o mesmo percurso que o meu !!! e bem que por diversas vezes procurei ... .
- Distração e comércio, um show. Na área de Chegada tinha barraca para vender de tudo: equipamentos esportivos, comida pronta, gêneros alimentícios, bebidas (em nenhum dos dias foram vendidas bebidas alcoólicas na chegada), artesanatos, propagandas diversas (até de carros), promoções de outros campeonatos, além, é claro, das normais em uma prova como sanitários, banhos, posto médico, imprensa, Funil de Chegada (10 raias), área de apuração, etc., etc.
-Atenção com o atleta até o seu local de Partida foi incrível. No itinerário da Chegada até a Partida, a cada espaço, existiam sanitários, água potável, esparadrapo, conjuntos típicos tocando músicas, pequenos "posters" e textos feitos por crianças, abordando temas sobre o esporte, gente aplaudindo, uma excelente sinalização de para onde cada um devia seguir, conforme seu patrocinador, colocação de tapetes de fibra vegetal onde o terreno era mais úmido ou fofo, para evitar o barro, vasos, muitos vasos de flores nas Partidas, etc.
-Lixo; uma preocupação constante. Existiam recipientes por todo lado, e quase sempre em vasilhas separadas para proporcionar a reciclagem. A disponibilidade era muito grande, pois muitas vezes o lixo é jogado no chão, por inexistência de local apropriado e próximo, para colocá-lo. No itinerário para a partida e durante o percurso, após os pontos de água, colocaram, por uns cem metros, +- a cada 10 metros, varetas de pé, fincadas no solo, para o atleta colocar os copos usados e, olhe o cuidado, no último estava escrito, "este é o ultimo"; resultado, não vi nenhum copo jogado pelo chão !!!
-Uma improvisação muito interessante utilizada para servir a água e que podemos copiar, foi uma moldura de madeira ou canos metálicos, retangular, com uma tela dessas utilizadas em horta, esticada, formando como que um tampo de uma mesa e apoiado sobre caixotes ou pés. Os copos de papel, destes que nós conhecemos aí, depois de cheios de água eram colocados nos buracos das telas, ficando muito higiênico, prático e de fácil acesso; depois, as varetas para os copos usados.
-As Forças Armadas, por aqui, também entram na jogada, como todos os outros participantes da organização. Eram os operadores dos postos médicos, com viatura, ambulâncias e barracas, balizadores, controladores de trânsito, operadores dos meios de comunicações e encarregados do resgate dos machucados, inclusive com helicópteros (e foram muitos, mas muitos mesmo! – soubemos por um amigo polonês, casado com uma brasileira , que é médico e trabalha num hospital em Göteborg).
-Os uniformes de corrida de manga curta foram utilizados livremente e o são em todas as competições da Europa. Acho que poderíamos, no Brasil, país de clima quente, por isso com muito mais razão, adotar o mesmo procedimento.
A afirmação de que a vegetação no Brasil é mais agressiva e a manga do uniforme protege ou esconde dos assistentes os machucados, carece de fundamento lógico. A calça comprida é sempre utilizada, bem como o tênis com discretos pregos nos cravos; caneleiras nem sempre.
-Bússolas para o hemisfério sul; problema !!! Conversamos longo tempo com um representante da Silva e ele nos contou que para o hemisfério sul existem duas bússolas apropriadas; uma a MS, que é vendida preferencialmente para a Austrália e outra, a ME, que é mais apropriada para o Brasil. Quisemos comprar, mas só por encomenda (o Becker conseguiu uma caixa). Existe um entrave comercial de exclusividade; uma firma nos EEUU possui a propriedade da exclusividade para a América do Sul e a Silva honra um contrato que possui com ela.
-Sportident ou EMIT. Conversamos com o inventor do "chip" do Sportident, que montou um "stand" no Centro de Eventos. Fez um orçamento de um conjunto, suficiente para 100 prismas e 100 Atletas, composto de impressora, bases para controles, base de partida, base de chegada, leitor de resultados, o programa e os "chips", que ficou em torno de 14.000 euros. Os "chips" podem ser comprados separadamente e até vendidos para os atletas (eu tenho um "chip" de cada sistema que podem ser utilizados em qualquer lugar do mundo - e podem ser personalizados), para cobrir as necessidades do número de participantes; custa 20 euros cada. O computador pode ser qualquer um ou mesmo um "Lap-top". O vendedor ficou com o nosso "E-Mail", pois disse que poderia fazer um preço melhor se a venda fosse para um clube ou uma firma; estamos aguardando. Penso que o sistema Emit é mais barato. Lanço um desafio: por que algum clube não vai à luta, junto a grandes empresas, ou mesmo junto a orgãos governamentais ou públicos, ou até mesmo algum particular e em troca de propaganda consegue recursos para a compra do equipamento ??? É difícil, mas só poderemos saber e desistirmos, se tivermos tentado !!! O sistema, como em todos os países da Europa, poderia viajar pelas provas e conseguir, pelo aluguel do "chip" (aqui são 2 euros), algum retorno financeiro. Diferenças entre os sistemas: o Sportident não possui o "back-up" existente no Emit (ver relatório n° 07, de 18 Mar 04), que proporciona uma alternativa de comprovação mecânica e visual para a passagem nos pontos, caso ocorra falha; entretanto, o funcionamento correto é comprovado pelo atleta pela emissão de um apito breve. Caso ele não ouça o apito, deve utilizar o picotador mecânico que está na mesma base e marcar no espaço a isso reservado, na margem da carta. O Emit possui o "back-up", mas não emite som e seu transporte é menos prático que o do outro. Em termos de programas, a grosso modo, eles se equivalem. As bases são parecidas, só diferenciando no encaixe do "chip", sendo que o do Sportident é mais prático.
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Para contato |
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CLÍNICA
Freqüentar a Clínica do "O-Ringen" talvez deva ser o sonho maior de todo orientador !!! Inclui palestras, treinamento físico e técnico e a paticipação nos 5 dias. Teve início no dia 14 e terminou no dia 24 de julho, com a entrega dos Diplomas de Participação. O preço, com tudo incluído (alojamento, transporte, alimentação e material, incluindo a inscrição nos 5 Dias), foi de 1.600,00 reais. Os objetivos principais são: preparação especial dos participantes para os "five days", divulgação do "orgulho nacional", a Orientação sueca e formação de pessoal apto a transmitir conhecimentos sobre o esporte em seus países de origem.
Os dois mosqueteiros (o quebra-costelas "Aramis" Becker e o lobo solitário "Porthos" Souza Cabral), foram de nossa casa até Göteburg, de trem, passando por Bélgica, Holanda, Alemanha e Dinamarca e, atravessando de navio, chegaram na Suécia, após 13 horas de viagem, gastando +- 580,00 reais. Os dois Guerreiros de Selva (1340 e 2476), falando um inglês "bad" e sempre solicitando o famoso "slowly, please", gastaram horas preparando o rancho para a viagem e outras tantas para se entender ao longo do itinerário, principalmente, na compra de passagens nas 4 baldeações que fizeram. Congelaram no acantonamento em Hallestad (Suécia), no pé da escada da estação, onde passaram a noite, pois não quiseram "morrer" com 300,00 reais de hotel, numa noite memorável, onde teve ronda de aquecimento, caminhada de passatempo, período de clausura na cabine telefônica, tudo para pagarem alguns pecados e valorizarem os confortos que a boa vida lhes proporciona.
Ao chegarem, um recepcionista os esperava na estação e passaram, como que num toque de mágica, da condição de "indigentes farofeiros" à de "VIP" ("very important person"), com tratamento 5 estrelas. Eram 46 alunos; 3 argentinos, 2 brasileiros, 1 chinês, 4 de Hong Kong, 2 irlandeses, 4 israelenses, 2 japoneses, 2 de Liechtenstein, 2 do Quênia, 2 da Sérvia e Montenegro, 4 do Taipé, 4 da Turquia e 5 norte-americanos. Haviam 22 instrutores e monitores e o Diretor Geral do estágio foi Peo Bengtsson, nosso conhecido aí no Brasil, auxiliado por Janne Eriksson e Per Undeland.
O Diretor conduziu o estágio debaixo de um "regime militar", com início das atividades às 0700h e término nunca antes das 2300h, inclusive, com entrada em forma e chamadas ríspidas de atenção. A alimentação (café, almoço, lanche, jantar e ceia), foi tão boa e tanta que eu e Carla, agora "indigentes de barraca", recebemos do Becker uns bem-vindos lanches de vez em quando. O transporte, ônibus de primeira classe e longos olhares de superioridade, da alta janela, para o carro dos pobres, nós, que sempre os acompanhávamos para não nos perdermos, já, antes do percurso.
A relação de assuntos, os meios auxiliares de instrução, as palestras, inclusive a com o Treinador da Equipe sueca e a conduta durante os percursos treinos de manhã e de tarde, seriam motivo de um extenso relatório, que para não esquecer de nada, deixo a cargo do Cabral e do Becker, como missão.
O encerramento do estágio constou de duas atividades; uma competição de revezamento entre os participantes e uma palestra, em inglês, apresentando como está a Orientação no país de cada um.
No revezamento, a equipe USA – SUÉCIA – CABRAL, foi a campeã e a IRLANDA – SUÉCIA – BECKER, ficou em 6° lugar, entre 22 equipes. Na apresentação o Becker foi o encarregado, que escreveu a palestra, com correções do inglês feitas pela Carla, sendo um dos mais aplaudidos. Foi o seguinte:
"ORIENTEERING IN BRAZIL
Brazil has 26 states. The CBO (Brazilian Confederation of Orienteering), was founded in 1.999. There are 7 Federations and more than 50 Clubs. We have more than 3.000 persons doing orienteering in Brazil, registered in the Confederation, but around 5.000 in all country with register just on their own Federation (on the state).
Orienteering started in 1.971, by military people. The first championship of South America was in 1.995, in Santa Maria, Rio Grande do Sul state. In 2.000, Brazil participated on an IOF Congress at the first time. The military team of Brazil has participated in CISM in different countries, since 1974. We organized 2 World Military Championships of CISM in Brazil: one in Curitiba, Paraná state, in 1.983 and the other in Brasília, Federal District, in 2.002. The next will be in Guarapuava, Paraná state, in a very beautiful place, in 2.006. Brazilian team also takes part in the competitions of the countries of Latin Language.
The Brazilian championship consists of 3 parts every year, from the beginning, in 1.999, until now, we have had six championships.
Since 2.000, the CBO and many Clubs are teaching Orienteering in primary and secondary schools, for people from the age ten until the university time.
We would like very much to invite all of you to take part of our South America Championship that will happen in December, in Santana do Livramento, Rio Grande do Sul state, South of Brazil, in the end of this year, with one parcours in Uruguay and the other in Brazil. You will be welcome.
BRASIL !!!"
………………………………………………….......…………………………………………….
Ainda restam quase trinta anotações que fizemos, mas o Becker e o Cabral ficaram encarregados de difundir a nível dos Clubes e das Federações.
Temos centenas de fotos que procuraremos disponibilizar em nossa Página, http://geocities.yahoo.com.br/itatorrezam; quando pronto, vale a pena conferir !!!
Agora, neste mês de agosto e na primeira semana de setembro, é direcionar todo o nosso esforço no sentido de apoiar a Equipe Militar do Brasil, masculina e feminina, que virá à Europa, para participar do Campeonato Mundial Militar. Mandaremos notícias sobre este acontecimento.
Um grande abraço para todos, cada dia com mais saudades.
Coronel Torrezam e Cap Carla
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Anexo: |
- Áreas das provas |
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- Áreas de acampamento |
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- Mapas (5) da Categoria H55 |