Bruxelas, Bélgica, 13 de Julho de 2004.
Relatório 20/2004
O Brasil na Bélgica e na Itália
(A Bandeira do Brasil e o logotipo CBO-Brasil, durante todos estes eventos, tremularam orgulhosos nos pontos de maior destaque destes importantes eventos na Europa, sendo a mais aplaudida no desfile de abertura e ocupando lugar central no dispositivo de encerramento na Itália.)
Como todos sabem, o velho "caça-prismas" Cabral e o "Quebra-costelas" Becker chegaram aqui em casa dias 21 e 22 de junho, respectivamente; o primeiro vindo de Paris e o segundo de Amsterdã. Trouxeram muita cachaça brasileira, mel e rapadura e o Dmeterko, sempre um "gentleman", nos mandou .... mais cachaça !!! e,
pinhão; foi uma festa !!! E ficamos parecendo os Mosqueteiros ... é claro !!! Vocês sabem que, por estas "coisas" das estórias, os três mosqueteiros eram quatro: Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan (Cabral, Torrezam, Becker e Carla), prontos para reeditarem uma outra epopéia, esta no mundo dos percursos de Orientação.Já no dia 23, os visitantes, impacientes, quiseram ir conhecer a Floresta de Soignes, na periferia de Bruxelas. Montei um
pequeno percurso no mapa Les Tumuli. Saí para colocar os prismas e os dois mosqueteiros saíram uma hora depois e, duas ainda mais, não tinham voltado. Saí no sentido inverso para encontrá-los e os achei, juntos, próximos ao quinto ponto dos sete montados, bem perdidos, irritados, molhados, pois começou a chover e estavam com muito frio. Quando me viram foram, aos gritos, logo se justificando: "Esta m...rrrrrr...a de bússola está travaaaaaaada !!!". Estava mesmo, era apropriada para o hemisfério sul, embora algumas, como a minha e a da Carla, funcionem bem por aqui. Conseqüência lógica, compraram uma bússola cada um e, lógico também, a mais barata.4 jours de Orientation/2004. Prova montada pelos militares na Floresta das Ardenas, para comemorar, neste ano, os 60 anos das batalhas realizadas nesta área, durante a 2ª GM. Lembra itinerários reais, percorridos por patrulhas no cumprimento de missões de reconhecimento e de combate. Resolvemos fazê-la juntos, só o 2º dia, o Cabral, eu e o Becker; a Carla ficou em Bruxelas trabalhando.
É dada a partida e todos, em massa, 289 atletas, saem correndo por itinerário balizado até o "triângulo", onde os competidores recebem o mapa e a descrição dos pontos. Fácil ...agora é só correr ... Não !!!, não é nada fácil e nem tão simples, pois o mapa é um mapa militar normal, desatualizado, na escala 1:25000 e os pontos, 14 no total, inclusive a saída e a chegada, são dados em um papel separado, em coordenadas hectométricas e o tempo já está contando desde a largada. Os três, "de quatro" no chão, um vento danado, barro por todo lado, pois tinha chovido na noite anterior, no meio de outros 286, a fazer cálculos e locações na carta, em primeiro lugar, para saber onde estávamos .... Gastamos 25 minutos para locar os 14 pontos e não fomos os últimos a partir para os 10.000 metros (linha reta), ainda ficaram unnnsss ...
quatro ou cinco.
Começamos bem .... os três picotaram o ponto um e quando íamos saindo,
o desconfiado Becker foi conferir a nomenclatura e constatamos que havíamos picotado um ponto que não era o nosso; descobrimos então, que existiam prismas falsos ao longo do itinerário. Tudo bem, corremos até o local correto, picotamos no reserva, já envergonhados e reduzidos a simples mortais, longe da pose dos paladinos altaneiros e cheios de moral que cruzaram a faixa de largada. Mas, o Becker, querendo tirar o atraso e levantar o moral da Patrulha, desandou como um louco para o ponto 2 e eu e o Cabral a seguí-lo, pois nem conseguíamos olhar a carta; era só correr para não perder o Becker. Conclusão: chegamos em um ponto que não sabemos de quem era... e, aí, utilizamos uma técnica especial para nos localizarmos; perguntamos para um atleta onde estávamos e, ... descobrimos que estavamos longe !!! O ponto 3 foi de lascar; locamos o danado uns 200 metros longe do local correto; pastamos um bocado na carta 1:25000 e achamos o ponto utilizando outra técnica muito especial ... Seguimos em linha, um separado do outro de uns 30 metros, como na Patrulha e o Becker foi o primeiro a ver o controle, o qual picotamos bastante assustados pela expectativa da correção ou não dos outros. Mas, foi tudo, dentro das circunstâncias, muito bem e chegamos ao final, depois de diversas peripécias. Conto uma delas: no ponto 10, eu queria descer a ravina e seguir pela trilha, contornando pela margem do rio, até o 11; o Becker queria subir um pouco e pegar a estrada e o Cabral ficou meio em cima do muro. Urgia uma decisão e eu a tomei; "Pessoal, neste momento está desfeita a Patrulha, eu vou por baixo!!! " Eh... Eh... tiveram juízo e vieram comigo.
Na nossa modalidade, "Tripa", fechamos com 2h56m03s, e ficamos em 14º lugar entre 49 equipes, ganhando uma linda medalha e tivemos direito a diversas fotos feitas pela organização da prova; para isso cruzamos a faixa de chegada 4 vezes. O vencedor realizou o percurso em 1h57m58s. Foi uma aventura, remeto fotocópia da carta e a descrição das coordenadas, para vocês se divertirem.
Seulement par sentier. Toda 6ª feira, das 1800 às 2100 h, meu clube realiza treinamentos, abordando diversas técnicas. Lembro que aqui na Bélgica nesta época escurece às 2200h. Participamos do "só por trilhas" no dia 25 Jun, onde o Becker ficou em 2° lugar. Ganhou do Phillipinho, um belga nosso amigo, o apelido de "petit nerveux" (pequeno nervoso), que nos disse ser por sua maneira de correr rápido, em todas as direções ... não sabemos bem como foi esta história !!! aí tem "coisa" ...
Holthalen "Kelchterhoef".
No dia 27 Jun, domingo, fomos, os 4 Mos..., ao norte, na área da VVO, correr como avulsos, um percurso, montado pela Comunidade Flamand. Foi um percurso muito difícil e longo, sendo que o Becker ficou em 9° e eu em 12° lugar em 31 competidores, numa distância de 6400 metros. O Cabral se inscreveu para ganhar o mapa e foi estudar terreno/mapa, enquanto a Carla participou da prova principal, que era um revezamento, a convite de duas outras mulheres do Norte, para montar a equipe feminina.3 jours de Belgique em Chiny. Competição no sul da Bélgica, próximo ao Gran-Ducado de Luxemburgo, montada pela comunidade Francophonie, liderada pela FRSO, com 775 participantes, nos dias 02, 03 e 04 Jun, com somatório dos tempos dos 2 primeiros percursos, para classificação. Aqueles atletas que ficassem a, no máximo, 30 minutos do primeiro lugar, largariam no terceiro dia, tipo "perseguição" e os outros, defasados de 1 em 1 minuto, após o último perseguidor.
É uma prova do calendário da IOF, contando para o ranking mundial das categorias elite. Competem atletas do mundo todo, inclusive, grandes delegações da Rússia, da França e da Holanda. Como resultado final, fiquei em 19° em 51 concorrentes, na H55; o Becker, H40, em 28°/54; Cabral, H60, em 19°/29; e, Carla, D40, 21°/26.
World Master Orienteering Championship. Realizado em Asiago, no altiplano italiano, nos primeiros contrafortes dos Alpes, nos dias 06, 07 e 09 Jul, com 3.270 participantes, sob a supervisão da IOF e com a montagem da FISA (Federacione Italiana Sport Orientamento). Constava de 2 percursos classificatórios e de um final, sem perseguição, para as categorias de homens e mulheres de 35 a 90 anos.
No final, ficamos assim: Cabral, M60, 140° em 324 concorrentes; Torrezam, M55, 152°/329; Becker, M40, 115°/154; e, Carla, W40, 78°/98.
Quanto ao nosso rendimento, eu fui muito bem na fase classificatória, mas na final errei dois pontos que me fizeram baixar muito na classificação. O Cabral foi o contrário, foi mal no primeiro percurso de classificação, mas conseguiu se recuperar no segundo e na final; o Becker foi constante em todos os percursos e a Carla fez o segundo percurso com uma dor lombar bem significativa, por machucadura no primeiro, o que a prejudicou bastante na classificação e na final.
O mapa e a região eram muito difíceis e o desnível muito grande. Quanto aos atletas, simplesmente estavam lá todos os grandes campeões do passado, ainda em uma forma técnica e física incríveis. Aprendemos, em termos de organização e condução de um evento desta grandeza, muitas coisas que anotamos e fotografamos para colocar em prática quando regressarmos ao Brasil.
Vielsalm – Nationaler/3°match. Trata-se da 3ª etapa do Campeonato Nacional Belga. Foi montado pela Comunidade Germanophonie, no leste da Bélgica, próximo à Alemanha, no dia 11 Jul, com bastante frio e chuva. Cabral, 6° em 11 concorrentes; Torrezam, 9°/24; Becker, 15°/22; e, Carla, 6°/8.
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Hoje pela manhã(13), o Cabral e o Becker já seguiram para a Suécia para participar, a partir de amanhã, da Clínica do O-Ringen. Eu e a Carla iremos na 6ª feira, para participarmos da competição que ocorrerá nos dias 19, 20, 21, 22 e 23 Jul. Este ano a competição inovará, com a realização de um percurso na praia, um no campo aberto, um próximo à cidade, outro em área de reflorestamento e um último em área de mata nativa. Mas, todos os detalhes dos
5 dias da Suécia, com mais de 20.000 inscritos, serão motivo de nosso próximo relatório, "O Brasil na Suécia".Grande abraço para todos, especialmente para as famílias do Cabral e do Becker; estamos cuidando bem deles, fiquem tranqüilos !!!
Torrezam e Carla
Anexo: Carta militar dos 4 Jours de Belgique
Descrição dos pontos por coordenadas hectométricas
3 mapas (1ªfase, 2ªfase e final – H55) do Master em Asiago, Itália
Fotos 4 jours orientation de Belgique –
www.frso.beFotos 3 jours de Belgique -
www.frso.beFotos Mundial Master – Itália –
www.wmoc2004asiago.org