Bruxelas, Bélgica, 21 de junho de 2004.

Relatório 19/2004

Torrezam eufórico!!!!!!!

Alô pessoal, muita alegria, pela primeira vez ganhei uma prova na Europa !!!!!!!!!

Ontem, foi cumprida a 6ª etapa do Campeonato da FRSO, em Huy, próximo a Liège, no leste da Bélgica. Como já lhes contamos, o esporte Orientação aqui, como quase todas as atividades, é organizado e conduzido pelas Federação do Norte, a VVO e do sul, a FRSO; nós fazemos parte, pela proximidade, da do sul e estamos filiados ao Clube ASUB.

O "ranking" da categoria H55, no sul, tem 27 atletas e eu ocupo, atualmente, o 5° lugar. Os que estão na minha frente, além de estarem mais presentes às provas, são realmente "osso duro de roer"!!! Ontem, na prova, todos eles estavam presentes e mais alguns outros.

Percurso difícil, quase só azimutes e comparação terreno/carta, tempo meio chuvoso e um pouco frio. A carta muito boa, exceto pela região dos pontos 5 e 6.

Tenho até vergonha de confessar o erro que cometi; o Otávio (ao citar o seu nome, o faço também para lembrá-lo que existimos, por ele nunca ter procurado contato conosco...) chama a atenção, em todos os seus cursos, para este detalhe negligenciado !!! No quadro de avisos, na concentração da prova, onde todos os atletas, "religiosamente", devem comparecer ao chegar à área, tinha a observação de que, na região dos pontos 5 e 6, o triângulo em amarelo agora era verde e existia, em sua seqüência, uma área, em um triângulo simétrico, desmatada. No entusiasmo normal do bate-papo com o pessoal, esqueci-me de visitar o dito. Conclusão: no "azimutão" que tirei do 4 para o 5 e chegando próximo ao ponto, pela leitura do terreno, cheguei, ainda por sorte, "diretão" no 6. Perdi aí 3 minutos que poderiam ter sido "fatais"!

Fiz a prova toda no azimute, exceto do 8 para o 9 e do 15 para o 16, onde utilizei as trilhas; do 3 para o 4 corri pela curva de nível. O tempo do minuto por quilômetro foi alto, mais de 11, quando o normal é 8 ou 9 para os H55; o percurso era meio "travado".

Observem a carta e o extrato do EMIT, anexados a este relatório e divirtam-se (as áreas hachuriadas de verde são uma vegetação tipo a nossa samambaia, altas à cintura e pequenos pés de "sapin" - h=60 cm - como os nossos pinos; dá para se deslocar à média velocidade).

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Ah !!! ainda sobre a prova. Observem no topo da página de resultados, outra demonstração de atenção com o atleta (lembram-se de quando eu contei sobre a carta da prova que eu não participei e estava inscrito ??? – Relatório 6, de 17 de março). Alguém esqueceu, numa prova em abril, um guarda-chuva preto, de homem; outra pessoa uma caneleira e ainda outra, uma calça preta e verde. Da prova deste domingo, está à disposição a parte de cima de um agasalho feminino, tamanho 42 e uma calça de homem azul.

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40 anos de Orientação na Bélgica.

Hoje, dia 21 de junho, há 40 anos atrás, em um domingo, aconteceu o primeiro percurso de orientação na Bélgica !!!! Foi na Floresta de Soignes, até a Grand Place, no centro da cidade.

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A Forêt de Soignes é uma floresta mista, com 80% de "hêtraies" (árvores do tipo da nossa bracatinga do Brasil, só que mais verde e mais frondosa) e 20% de carvalhos e coníferas, que fica no perímetro urbano de Bruxelas, no sudeste. A vegetação rasteira é bem pouca e normalmente contituída de samambaias, pequenas árvores ("filhotes") e uma vegetação agressiva, de cipós (ramas), tipo nossa amoreira silvestre, com muitos espinhos.

Ela possui 4.386 hectares e faz, somada a numerosos parques, com que Bruxelas seja a capital mundial com maior área verde por habitante; aproximadamente 40 metros quadrados para cada um de seus quase 1.000.000 de habitantes. Ao correr pela área, você, inevitavelmente, cruzará por lebres, veados, javalis e outros animais, que ali vivem livremente e observará lindos pássaros.

Seu nome lembra o Rio Senne (do vocábulo céltico Sonia) onde, no final do século X, sobre a maior de suas 3 ilhas, a Saint-Géry, Charles de France, Duque da Baixa-Lotaríngea, por determinação de Otton II, Imperador do Sacro Império Romano, instala seu castelo, dando origem à cidade de Bruxelas (Bruocsella – "estabelecimento dentro do pântano"; origem Franc).

Nesta floresta viveram os Nerviens e os Eburons, povos primitivos desta região que, comandados pelo Rei Ambiorix, lutaram contra as legiões romanas, comandadas por Júlio Cesar, no século I DC, estórias que nós conhecemos estilizadas, nos desenhos de Asterix e Obelix (ver relatório 11, de 13 de abril, "Formação da Nacionalidade Belga").

Esta floresta (e seus arredores) é toda mapeada, existindo aí 10 cartas: La Hulpe, Groenendaal, Les Trois Espinettes, Les Tumuli, Trois Fontaines, Rouge Cloître, Bois des Capucins, Varskensgat, Tervurem e Trois Couleurs

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Como eu estava escrevendo, há 40 anos passados, em 21 de junho de 1964, foi realizado o primeiro percurso em solo belga. Mas, interessante, foi uma competição montada e com a participação apenas de suecos. Ela começava na pequena vila de Monceau e corria ao longo da Rua de L’Amblève, no Bairro de Anderghem, próximo ao Campus da Universidade Livre de Bruxelas, no vizinho Bairro de Ixelles, descendo e chegando na Grand Place, no centro da cidade. Entretanto, dois dias mais tarde, na terça, dia 23, os mesmos suecos realizaram outro percurso na Floresta e, desta vez, com a participação de cinco atletas belgas.

O percurso realizado no dia 23, partia de Groenendaal, seguia em direção oeste, ponto 1, cruzava onde hoje passa a Jansberglaan, pontos 2 e 3, cruzava a Lotaringendreef e subia para os pontos 4 e 5, tomando a direção nordeste, cruzando a Drève de Lorraine, a Drève Saint Hubert e a Duboislaan (Drève du Haras), no local onde elas formam um triângulo; seguia para o ponto 6, cruzando a Drève Des Tumuli, então vinha o ponto 7 e, tomando a direção noroeste, cruzando novamente a Drève Les Tumuli, ia ao 8 e, depois, chegava no norte da carta Les Tumuli, a oeste do Parc Tournai-Solvay, sobre a Drève du Comte, à aproximados 350 metros da Chaussée de La Hulpe. O traçado passou onde hoje são as cartas Groenendaal, Trois Espinetes e Tumuli, num percurso de, aproximadamente, 7.800 metros, numa carta IGN, de escala 1:20.000.

Vejam na carta Les Tumuli, em anexo, onde passava, aproximadamente, o percurso.

Algum tempo depois, Gilbert "Moïse" Autmans, Marcel Biron, Freddy Herman, Georges Oosterlynck e outros, fundaram a Associação Belga de Curso de Orientação – ABCO, (hoje ABSO – BVOS, Associação Belga de Esportes de Orientação), cujo primeiro presidente foi Georges Oosterlynck, que também fundou o clube ASUB, primeiro clube registrado na Associação.

A Floresta de Soignes é domínio da FRSO e distribuída aos clubes ASUB e Altair, que a mapearam e vendem suas cartas para os que desejam aí realizar percursos ou competições.

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Alguns detalhes abordados neste artigo são de importância irrelevante para o pessoal no Brasil, mas como pretendo publicá-lo em francês para o Clube, eles se tornam necessários !!!

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Um grande abraço para todos,

Torrezam e Carla.

Anexo: - carta Found d’Oxhe

- resultado do Manche 6

- carta da primeira competição na Bélgica

- carta Les Tumuli

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