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Helga Hufflepuff, fundadora de Hogwarts.

Quadro feito por fã da série Harry Potter.

 

 

 

Hufflepuff: Uma Visão Democrática.

 

 

Quando lançou seu primeiro livro, em julho de 1997, a autora inglesa J.K. Rowling nos apresentou o mundo de Harry Potter.

 

O nome é famoso, você já deve ter ouvido falar.

 

Trata-se de uma série de livros que contam as aventuras de um menino, Harry Potter, que descobre ser um bruxo. Lançado inicialmente como livros infantis, a série conquistou o público adulto. Filósofos e professores de administração de empresas das mais conceituadas universidades do mundo cantam as glorias de Harry Potter.

 

Surpresa? Nem tanto, quando se conhece a saga do Menino Bruxo. O universo potteriano apresenta dentro de uma linguagem simples - mas não "simplória" - questões filosóficas e éticas que nossos professores lutam por anos para que seus alunos reflitam. Muitas delas, assuntos levados até às universidades.

 

Quando descobre que é um bruxo, Harry vai para a "Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts". Um local próprio para que os bruxos estudem toda a espécie de Artes da Magia - menos as das Trevas, é claro. Bruxos das Trevas são os vilões da trama.

 

Hogwarts ("Verruga de Javali", em inglês), é um castelo escondido dos olhos dos trouxas (pessoas não-bruxas), e que funciona em regime de internato. Por isso, assim que chegam para o seu primeiro ano na escola, aos onze anos, os alunos são selecionados por um chapéu mágico para uma das quatro Casas (espécies de fraternidades, em uma analogia mais próxima).

 

Quando é posto na cabeça das crianças, o Chapéu Seletor vasculha suas mentes, a procura de suas qualidades e, em conseqüência a Casa na qual se enquadrarão melhor.

 

Cada Casa tem o nome de um dos Quatro Fundadores de Hogwarts (tem existe há mil anos): Salazar Sonserina (Slytherin); Rowena Corvinal (Ravenclaw); Godrico Grifinória (Gryffindor) e Helga Lufa-Lufa (Hufflepuff). Os nomes em negrito são as versões escolhidas pela tradutora no Brasil.

 

Cada um prezava mais uma ou algumas qualidades do que o outro, e assim como quando estavam vivos, os escolhidos para as Casas devem apresentar as qualidades que seus fundadores mais davam importância.

 

Sonserina queria os astutos e ambiciosos; Grifinória, os corajosos e de corações indômitos; Corvinal, os inteligentes e de mente alerta. Já Lufa-Lufa... Disse que ensinaria a todos os outros. Em uma primeira leitura, parece injusto. Como se os que ficassem na Lufa-Lufa fossem o “resto", que não são ambiciosos, inteligentes ou corajosos.

 

Ledo engano. Já explico porquê.

 

Helga acreditava que os critérios de escolha dos colegas não estavam de todo corretos. Cada um escolhia o grupo de pessoas que acreditava ser os que dirigiriam o mundo, aqueles indivíduos que "fariam a diferença". Acontece que Hufflepuff acreditava que qualquer um poderia ser a diferença, bastando ter força de vontade e senso crítico da situação. Helga queria alunos diferentes, polivalentes - uma grande tarefa, um desafio mesmo, o de encarar o ensino de uma gama tão diversa de pessoas. Em conseqüência, os lufa-lufanos são os que apresentam mais qualidades nas canções cantadas pelo Chapéu Seletor a cada ano.

 

Não é toa, no entanto, que essas qualidades são justamente aquelas necessárias à convivência em sociedade: honestidade, justiça, lealdade, amizade, sinceridade... Não quer dizer que os lufa-lufanos sejam todos anjinhos. Muitas vezes, são retratados por Rowling fazendo ou dizendo algo imediata-mente mal aceito pelo leitor (especialmente se atinge Harry).

 

Mas, antes que o livro termine, esses mesmos lufas são vistos refletindo sobre a questão e, apesar do quanto seja vergonhoso, ou do quanto esteja ferindo seu orgulho... Estão tomando o caminho certo. Ou seja: são capazes de repensar os fatos, dar uma segunda chance. É o que costumamos chamar de "mente aberta", ou "dinamismo". É claro que sonserinos, corvinais e grifinórios podem ter um pouco dessas qualidades. Mas, se eles necessitarem desenvolver estas habilidades, será que encontrarão o ambiente favorável em suas próprias Casas? Ao sair de Hogwarts, cada um, teoricamente, reagiria de uma forma diferente com o mundo.

 

Por exemplo, um sonserino (com a devida licença aos representantes da Casa de Slytherin, foi o primeiro exemplo que me veio à cabeça. Não é perseguição, certo?) poderia interpretar uma ação de coragem como um possível ato "interesseiro", na expectativa de obter algo em troca. Ou a obstinação do corvinal em estudar, como "ambição", pura vontade de "glórias". Por sua vez, as idas e vindas de um lufa-lufa para tentar entender e ser justo com pessoas seria vista como "panaquismo", perda de tempo. Afinal, mesmo que inconscientemente, uma prolongada convivência com ambiciosos (e veja bem: ambiciosos, não estou falando de "bom" ou "mau") provocaria a impressão de que o mundo é divido em dois - os que ganham e os que perdem. Então, um sonserino chegaria à conclusão que é pura perda de tempo tal análise do espírito humano.


No entanto, as idéias de Helga não são o que a sociedade moderna prega? Ensinar a todos, como se cada um pudesse ser o próximo governante. Estimular para que cada um alcance seu potecial máximo, aprenda com a diversidade; e, mesmo que determinada área não seja seu "dom", trabalhar obstinadamente não para "ser o melhor", mas se tornar o melhor. E nesse processo, a solidariedade e o espírito de equipe são fundamentais.

 

Portanto, Helga não era a que ensinava o "resto", mas a que ensinava a todos (e é isso que está escrito no pergaminho que aparece no retrato dela, inclusive). Ao retratar a fundadora da Lufa-Lufa assim, Rowling descreveu uma mulher que, mais de duzentos anos antes da Carta Magna assinada pelo rei João "Sem Terras" (que garantiu o devido processo legal), e quase oitocentos anos antes da Revolução Francesa e da Independência Americana, pregava igualdade e fraternidade. Ela pregava a democracia.

 

E, mesmo sendo ficção... Você não acha que essas questões ainda tem toda a importância no mundo de hoje?

 

"Educação de qualidade para todos, para que o país possa crescer... As pessoas devem aprender a ser cidadãos... Defenda seus direitos... Organize-se, arregasse as mangas".



Então, você que se identificou, e se considera um Lufa-lufano de coração... Bem vindo à família!

 

Por Belzinha.

27/04/2008.

 

Just and Loyal.

 True and unafraid of toil.

 

"A Meiga Hufflepuff das planícies"

"Para Hufflepuff, os aplicados eram Os merecedores de admissão;"

"Quem sabe é na Lufa-Lufa que você vai morar, Onde seus moradores são justos e leais Pacientes, sinceros, sem medo da dor"

"Disse Hufflepuff: "Ensinarei a todos, E os tratarei como iguais.""

" A boa Hufflepuff acolheu os que restaram"

 

 

 

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