Um tanto problemático.

Por: Isadora Muniz

- Onde vai? - Perguntou Victoria arregalando os olhos castanhos para sua companheira. - Noite é hora de pique, você sabe!
Katherine freiou os passos e parou à porta entreaberta.
- Vou encontrar com um cara. – A moça deu uma olhada em seu reflexo no espelho da porta e abriu um sorriso. - Não tivemos mais que 2 clientes hoje. Tenho certeza de que dará conta "do pique". - Em meio segundo já estava longe do espelho novamente, fitando a amiga. Victoria parecia pronta a explodir - as bochechas tomaram uma tonalidade avemelhada nada promissora, os lábios se crisparam e aquele mesmo olhar de reprovação que utilizava com almas incompetentes espalhou-se pelas feições. Kate deu algumas batidinhas no vestido, alisando-o completamente e revirou os olhos enquanto uma teoria sobre quanto tempo Victoria demoraria a morrer de estresse se passava por sua cabeça.
- Se precisar que eu regresse é só me ligar. Não é nada extremamente difícil. Enfim, quer algo da rua?
- Não - Victoria retrucou num tom tão frio que congelaria o Sol - Divirta-se com seu "amiguinho". - Virou-se de costas para a entrada e, com o nariz habilmente empinado começou a ajeitar papéis (misteriosamente já estavam arrumados).
- Boa noite – Uma única batida da porta. Silêncio.
A sorte de Kate era que Victoria precisava dela para a agência andar. Caso contrário já teria esganado-a até fazer com que as tripas saíssem pelos ouvidos. Francamente, deixar a loja no meio do turno da noite para ir a uma rave, se embebedar e acordar de manhã na cama de um - ou mais - homem(ns) desconhecido(s)...
Precisava disso.
As vezes – apenas as vezes - Kate tinha razão quando dizia que se divertia pouco. Quer dizer, não havia tempo! Todo dia entra uma maldita alma por aquela maldita porta e como Katherine nunca se disponibiliza a lidar com clientes, alguém tem que dar um jeito.
- Olá? - Uma voz desconhecida afastou os pensamentos da cabeça da mulher, e ela imediatamente se virou, sorridente. O melhor jeito de conquistar tanto um ser do plano espiritual quanto do humano, era sem dúvida com um sorriso bonito.
- No que posso ajudá-lo? Sente-se. - Indicou a poltrona vermelha no canto da sala. A alma, aparentemente de um quarentão solteiro retribuiu o sorriso de uma forma sem jeito, quase como um garotinho lotado de hormônios até os cabelos próximo a uma mulher atraente. Em seguida, sentou-se na poltrona. Aliás, sentou-se não, ele se afundou literalmente.
O sorriso de Victoria falhou durante um ou dois segundos. Era impressionante como os novos no ramo faziam besteiras do tipo.
- Pensando bem... - Franziu o cenho. Não era tão boa idéia afinal convidar almas inexperientes a se sentarem, mesmo porque eles acabavam se fundindo com o alcochoado e não era algo bonito de se ver.
- O que está acontecendo? - O homem parecia prestes a chorar. Se não fosse tão ridículo, seria absurdamente engraçado.
- Tudo bem. É normal para iniciantes grudarem em tudo o que encostam. Relaxe, é só se concentrar que vai desprender. - O sorriso treinado finalmente sumiu. Tinha quase certeza que o sofá iria pelos ares antes que ele conseguisse entender o significado de 'concentrar'.
O homem resmungou alguma coisa de impossível compreensão e - para a surpresa de todos - conseguiu sair. Isso se sair se resume a levitar o sofá e lançá-lo em direção a cabeça de Victoria que num impulso de susto, abaixou-se antes que os pés do objeto acertassem-na diretamente na testa, empurrando seu cérebro para fora.
- Obrigado - Sorriu torto, sem nem ao menos saber pelo que estava agradecendo. O sofá permanecia calmamente capotado junto à parede enquanto a sobrancelha de Victoria tremia ao ver o que seu ambiente se trabalho se tornava.
- Tudo.. bem. - Deu um longo suspiro, retirando as luvas que não tinham mais qualquer utilidade. - Venha comigo. - Indicou o caminho impacientemente para sua sala ao homem e foi na frente, caso contrário ele poderia explodir as paredes ou coisa do tipo. Certamente Katherine arrancaria os cabelos ao ver a entrada daquele jeito, apesar de tudo era terrivelmente perfeccionista. Ou teria que arrumar aquilo sozinha ou teria que encarar a fúria da amiga. Optava pela primeira opção, já presenciara a exploosão de Katherine uma vez com um investidor infeliz e não desejava repetir a experiência.
- Sabe como trabalhamos, não é? - Disse seriamente, sentando-se na cadeira atrás de sua mesa. Novamente teria que começar com todo aquele discurso aos que aderiam aos serviços da empresa. Insuportável.
- Ah.. mais ou menos. - Estava estampado na cara do homem que ele não fazia idéia de nada. Talvez nem seu próprio nome.
- Tudo bem. - Respirou fundo e expos o sorriso habitual - Nós pegamos você, a alma, e mandamos para o plano espiritual para fazer alguns serviços e garantir um bom lugar na sociedade do inferno ou do paraíso quando morrer. É bem simples, quando o corpo de um ser humano dorme ou permanece desacordado sua alma involuntariamente sai de seu corpo e fica por aí sem fazer nada. Mas enquanto ela não faz nada, atrasa o fluxo econômico do plano espiritual já que não produz! Imagine o quanto isso é ruim para eles. É o mesmo que os mendigos para nós. Então, nossa empresa se responsabiliza por arrumar trabalhos - ou missões - para essas almas se ocuparem e garantir uma boa estadia lá em baixo ou lá em cima. É da sua escolha, não nos metemos para onde quer ir!
O quarentão presenteou Victoria com sua expressão pensativa. Normalmente ela não ligaria se ele estivesse realmente pensando e não matando tempo ao se fingir de consumidor consciente.
- E eu tenho que pagar por isso? - Arriscou, temeroso. Também era incrível como sempre perguntavam sobre o pagamento. Aquilo era uma vantagem, é claro. Sem o custo inicial as pessoas realmente aderiam mais aos serviços da Almas&Cia sem imaginar que o lucro vinha depois, ao ver a alma no topo da hierarquia e ganhando muita, muita grana. Grana para ela e Katherine.
- Não! Pelo contrário, você só ganha! - O sorriso não se alterava. - Esses empregos geram lucros e de 3% a 5% vão diretamente ao seu corpo físico! Veja, o senhor irá produzir, conquistar respeito e espaço no... Aonde deseja, senhor?
- Ah, paraíso por favor. - É claro. Sempre era paraíso. Ninguém gostava de ir ao inferno, mesmo que lá as chances de emprego fossem muito maiores.
- Conquistará espaço no céu e ainda vai lucrar neste plano! É uma oportunidade e tanto, devo dizer. - Pelo que tinha avaliado até o momento, aquele cara não conseguiria tanto assim na verdade. Mas a partir do momento em que fizesse qualquer bico, seria lucro para ela e Kate. - Começa-se de baixo, é claro, mas acredite a recompensa vem depois. - Piscou com um ar de quem sabe das coisas para o homem e começou a remexer nas gavetas da escrivaninha em busca da papelada de contrato. - Ah, mas a partir do momento que faz um contrato oficial conosco sua alma será 'nossa' até que seu corpo físico morra. Então, se desistir dos serviços terá que pagar uma taxa e devolução, que no caso é o dobro do que sua alma já acumulou de lucros desde o início.
Ele pareceu hesitar. Quase todos hesitavam nessa parte, imaginando se haveria algum golpe por trás disso tudo. No entanto, poucos eram os que pensavam que 3 a 5% de uma quantia enorme é muito pouco em comparação ao que elas ganhavam. O homem meneou a cabeça e sorriu também. Ele já estava no jogo.
- E então? - Victoria empurrou o maço de folhas com uma caneta presa na lateral em direção ao cliente. Ele esticou a mão direita e tomou a caneta. Não era um negócio tão mal, afinal de contas. Poderia indicar ao seu amigo Frank quando chegasse ao trabalho de manhã. Era uma ótima idéia, Frank adorava esse tipo de coisa e com certeza iria querer um lugar bom no céu. Quem sabe até mais confiável para Deus que os próprios anjos...
- Tudo bem, fechamos. - Sorriu triunfante como se aquela fosse a vitória da sua vida e ele fosse mais esperto que toda a empresa junta, porque quem mais lucraria ali era ele e não aquela mulher com quem falava. Qual era o nome dela mesmo?
- Ótimo, pode começar agora. - Victoria puxou os papéis para si, conferindo se aquela pamonha de cliente assinara nos locais marcados. Aparentemente ele sabia assinar, não era tão idiota assim.
- A-agora?
- É, não temos tempo a perder. - Ergueu-se num salto em direção a uma parte dos fundos da sala. - Venha. - Ordenou ao homem que foi sem pestanejar, era visível que ele tremia sobre as pernas e não tinha a menor vontade de estar ali no momento. A parte dos fundos raramente era notada por qualquer um que entrasse nas salas de recepção, mas ali se encontrava o que aparentava ser um elevador pequeno demais para 3 pessoas e grande demais para apenas uma. Os dois se apertaram ali dentro e a porta automática de vidro se fechou.
- Relaxe. - Disse Victoria e apertou o botão do alto, acionando a máquina. Em seguida selecionou o do o centro para depois, o azul que indicava uma seta para cima. O homem olhou em volta, esperando que houvesse algum barulhão e aquilo subisse até se chocar com o teto. Mas isto não aconteceu. Há anos, Katherine e Victoria desenvolveram uma teletransportador com margem de erro mínima. O corpo era desmaterializado em diversos átomos e reconstruído no ponto de chegada, ou seja, no céu ou no inferno. Com a aparência de um elevador de vidro e apenas quatro botões de comando - o mais alto de todos, verde e redondo era o que dava a partida; o do centro, laranja e retangular era o que indicava a terra; o da esquerda, retangular e vermelho com uma seta para baixo, indicava o inferno e o da direita, azul, com uma seta disposta para cima e também retangular, era o que indicava o céu.
Em poucos segundos, ambos estavam nos grandiosos portões do paraíso.
- Bonito, não? - Comentou distraidamente, adentrando os portões dourados totalmente enfeitados com anjos e imagens por toda extensão.
- Er... é. - O homenzinho coçou a cabeça e seguiu Victoria sem fazer nenhum comentário. Estava muito agitado, nunca estivera ali antes e era tudo tão angelical e puro que se sentia imundo perto de tanta santidade. Cupidos cantavam animadamente pelas fontes, muitos se abraçavam, rodopiavam e... E ah meu deus! estavam se agarrando! Cupidos se agarrando! Eles não eram santos? Ou não eram? E santos do amor podem fazer essas coisas? Antes que sua mente particularmente estreita pudesse responder a todas essas perguntas, enfiara o pé num buraco que dava diretamente as nuvens. Não mais impressionante, começou a berrar por socorro e tatear em busca de algum apoio. Não que ele tivesse se lembrado que estava em estado de espírito e por acaso, não iria direto ao chão.
Victoria ficou rubra de vergonha, santos, anjos e o diabo a quatro riam gostosamente da situação. Era isso que dava vir com as almas até a agência de empregos espiritual. Era tão mais fácil quando soltava-as nos portões e ficavam por contra própria. Mas não, foi junto.
Calma Victoria... Você precisa fazer isso, repetia a si mesma ao passo em que se via curvada em direção ao homem, procurando se fazer ouvida em meio aos berros.
- Acalme-se! Você NÃO VAI cair, você é UMA ALMA! VAI FLUTUAR! - Após momentos se debatendo, o homem pareceu entender e olhou para baixo, notando por fim que realmente estava flutuando. Parou de gritar por mais ou menos cinco segundos, depois retomou o escândalo. Estava flutuando!
- PARE DE GRITAR. - Gritou ainda mais alto, prestes a esbofetear o espectro. Este imediatamente se calou.
- Estou.. flutuando – murmurou, como se revelasse a resposta sobre De Onde Viemos e Quem Somos.
- Você faz isso involuntariamente, quase sempre acontece. O senhor estava andando porque queria. Agora, pelo amor de deus saia daí! - Implorou Victoria, quase histérica de nervoso. Automaticamente olhava para os anjos, conferindo se os mesmo ainda riam. Alguns anjos mais jovens vieram ajudá-lo, o que deixou a empresária com mais vergonha do que tinha sentido em toda sua vida.
- Obrigada... Está tudo sob controle... - Disse aos pequenos, controlando o ímpeto de esganar o homem que era carregado pelos anjos.
- Não parece. - Resmungou o que parecia o mais velho deles, largando o homem no chão de qualquer jeito.
Aquilo era ridículo! Até um anjo qualquer estava caçoando dela por causa daquele idiota. Dela! Uma das empresárias de mais sucesso do mundo tirada por reles seres santificados por causa de um.. de um..
- Vamos - Disse ríspida e arrastou o homem até a área comercial, onde mais no interior poderia se ver vários avisos de propagandas dos mais variados artifícios inúteis. Viraram a esquerda, numa esquininha e depararam-se com um enorme aviso de Agência de Empregos Sobrenaturais. Victoria, com uma expressão de profunda irritação adentrou o local. Era um prédio enorme, com portas de vidro espelhado, paredes enjoativamente brancas e sofás em tom vermelho e bege. Logo no hall de entrada, uma mulher – que sorria de forma doentia - se preparava para recebê-los, conferindo se os dentes tão brancos como as paredes estavam limpos.
- No que posso ajudá-los? - A voz esganiçada perguntou. Victoria não pode deixar de compará-la a uma barata falante. E ela provavelmente não se lembrava de Victoria, mas Victoria se lembrava dela. Mulher odiosa, aquela. Toda sorrisos e cheia de frescuras como assine aqui, ali e encaminharei o pedido de encaminhamento de alma para teste de emprego. Argh. Pelo que sabia Katherine havia socado-a semanas antes mas não parecia haver nenhum vestígio de surra no uniforme, sorriso e rosto impecável.
- Estou aqui representando a Almas&Cia e temos uma alma em busca de emprego. Tenho uma passagem direto ao setor da lista de disponibilização de empregos ent..
- Ah sim. Assine este formulário que o mandarei entregarem aos responsáveis pela disponibilização de empregos assim que amanhecer.
- ... então não precisa encaminhar nada. Quero que ele trabalhe esta noite e posso checar a lista agora - porque tenho passe livre, lembra?. Está me ouvindo?
- Sim senhora, mas só posso mandar o formulário ao amanhecer pois a ala de empregos está fechada. Volte de manhã se for o caso.
Senhora? Quem ali era senhora?
- Escute garota, eu vou subir agora para a ala de empregos porque eu tenho p-a-s-s-e l-i-v-r-e. - E novamente, começava a se descontrolar. Primeiro, Katherine sai no meio da noite, depois uma alma estúpida vem procurar ocupação e agora tinha que aturar essa barata idiota? Nem por um decreto. Revirou os olhos e seguiu com o homem - tremendo a esta altura - para as escadarias ao lado do balcão de recepção, sob protestos da mulherzinha que berrava loucamente que chamaria a segurança. Que chamasse, temos uma anta atendendo na recepção e ela precisa ser levada de volta ao zoo, senhores.
- Venha, chegamos. - Victoria remexeu nos bolsos de trás até encontrar um cartão aparentemente sem nada escrito, ela passou-o no identificador a entrada da ala e logo depois a porta se abriu. Uma variedade de cubículos, corredores e bebedouros dominava o espaço. Victoria que estava acostumava a resolver as coisas ao dia, estranhou o silêncio que se abatia no local. Com um leve balançar de cabeça, afastou aqueles pensamentos e seguiu até a última sala do corredor central. A sala era visivelmente a maior de todas e onde por acaso, o chefe trabalhava. Entrou no escritório utilizando outro cartão sem ter nada impresso – aparentemente - e pediu para que o homenzinho entrasse também. Em poucos minutos, seus olhos se grudavam ao monitor principal em busca de qualquer emprego livre. Estava louca para voltar para a terra e largar aquela alma para lá.
- Ah, achei uma ótima para você! - Sorriu abertamente, pela primeira vez na noite um sorriso verdadeiro. Um tipo de sentimento de alívio tomara-a por inteiro, era quase inacreditável pensar que havia realmente algo que aquele espectro pudesse fazer.
Silêncio.
Mas que diabos! Victoria levantou os olhos ferozmente, pronta para berrar com o homem até notar o que ocorrera.
O quarentão não só não entrou na sala, mas também revirou todos os papéis, cadernos, panfletos, arquivos e pastas da sala principal. Todos os cubículos revirados até as entranhas.
- Desculpe, eu... eu não sei como isso foi acontecer. Não controlei. - Tentava se explicar, balançando as mãos sem sinal significativo.
- O que está acontecendo aqui? – A luz do escritório se acendeu, revelando uma equipe de civis sobrenaturais. Muitas armas, cães e lanternas apareceram do nada, de acordo com os olhos incrédulos de Victoria.
- Se.. senhores - Disse se levantando. - Posso explicar. Eu sou...
- Não se mova, madame! - Rugiu o maior dos seguranças, apontando ameaçadoramente sua arma para Victoria. Um de seus companheiros apontava o mesmo tipo de arma para o espectro do quarentão. - Vocês vem conosco - Fez um aceno com os dedos e seus companheiros armaram o par de almas.
A parada seguinte: Delegacia de Polícia do Mundo Superior. Aquilo tudo parecia um pesadelo. Nunca fora presa na vida, muito menos pelos ajudantes de deus ou do satã. Também nunca imaginou que fosse acontecer, afinal acreditava ser conhecida por todos em todas as dimensões. Quer dizer, ela era uma das maiores empresárias que o mundo já vira e era óbvio que estava naquele local e naquela hora a trabalho.
Parecia não ser tão óbvio assim para os guardas, caso contrário não teria passado duas horas respondendo a um inquérito absolutamente inútil, com direito a berros sobre o que faria com aqueles imbecis quando saísse daquela droga de prisão.
No final, fora solta e a alma problemática ficou como ajudante dos guardas. Ajudante do tipo que traz rosquinhas e café, nada muito difícil. Vendo pelo lado positivo, os guardas ao menos se comprometeram a levá-lo a terra de manhã, o que significava que o turno de babá finalmente fora finalizado. Victoria tomou o caminho de volta para os portões do paraíso e, ainda sendo caçoada pelos anjos que continuavam sua agarração não-santa chegou ao teletransportador. Estava exausta e mal podia esperar por chegar no prédio da empresa e aproveitar a folga que estavam tendo hoje. Não era todo dia que se tinha pouco movimento assim. Deu de ombros e com um sorriso apertou o botão verde e em seguida, o retangular laranja. Então, de volta a sua sala.
Até ali, parecia tudo tranquilo e sem qualquer motivo para preocupação. Precisava arrumar o sofá no lugar antes que Katherine voltasse, mas, pensando bem ela não chegaria até a manhã seguinte. E uma parada para o café não fazia mal. Atravessou a sala habitualmente impecável e quase como se dançasse, regrediu a recepção em passos leves e ritmados. Regrediu somente até a entrada, por sinal.
Cada metro quadrado da sala de espera estava ocupada por uma – ou mais – almas clamando para receberem atendimento de uma nervosa Katherine, que enfiara uma alma numa pantufa segundos antes da chegada de Victoria. - Lá fora a placa estava como fechado. Tomei o cuidado de colocar para aberto quando saí, mas não pensei que fosse aparecer tanta gente. Afinal, onde você se meteu? Saí por dez segundos e quando cheguei estava uma bagunça com espectros saindo pela janela!. - Disse Kate, puxando um pacote de biscoitos de dentro da bolsa enquanto sentava-se numa das cadeiras da recepção.
A noite só começava.
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