Centro Espírita: Laboratório de Experiências Evolutivas



O Centro Espírita é a sede onde se desenvolvem atividades doutrinárias e filantrópicas alicerçadas na Doutrina Espírita. Mais que isso, deve ser o ponto central para onde convergem os interesses superiores de todos aqueles que, unidos pelo ideal comum, buscam a elevação moral das próprias almas através do estudo e dos trabalhos redentores.

Dali deve irradiar, para todos os corações, o convite perene para vivenciarem o lema estabelecido pelo insigne Codificador: "Fora da Caridade não há Salvação"

"(...) A caridade e a fraternidade se reconhecem pelas obras, e não pelas palavras(...). É a pedra de toque, pela qual se reconhece a sinceridade de sentimentos. E em Espiritismo , quando se fala de caridade, sabe-se que não se fala apenas daquela que dá, mas, também e sobretudo, da que esquece e perdoa, que é benevolente e indulgente, que repudia todo sentimento de ciúme e rancor. Toda reunião espírita que não fundar sobre o principio da verdadeira caridade será mais prejudicial à causa , porque tenderá a dividir, em vez de unir.(...)"

Assim, a Casa Espírita não é e não pode ser uma empresa "análoga às associações propriamente humanas...", antes que isso, deve ser um reduto de amor onde seus membros possam desfraldar, num clima de união, a bandeira "Trabalho, Solidariedade, e Tolerância".

Assevera o Espírito Albino Teixeira:
"(...) essa equipe de corações nos quais nos agregamos para servir, é comumente o grupo de nossas afinidades, afetos e desafetos que trazemos de existências passadas, que nem sempre estão associados a nós pelos laços consangüíneos , mas até agora jungidos ao nosso Espírito por vínculos magnéticos. É nesse grupo íntimo que encontramos grandes alegrias e grandes dores, consolações e desafios, facilidades e empeços, tesouros de amor e testes de burilamento moral entre os quais ser-nos-á possível aproveitar o tempo, com mais segurança, ressarcindo erros e aprimorando qualidades que nos facilitem acesso ás vanguardas de Luz".

Portanto, o Centro Espírita pode ser considerado um laboratório de experiências evolutivas e cada um de seus membros a essência salutar a exalar a alegria de servir como elo da grande corrente que enriquece fileiras responsáveis pela restauração do Evangelho de Jesus.

No Centro Espírita o trabalho, sempre voluntário, é impulsionado pelas exigências do coração. para tanto a hierarquia se faz natural, aos moldes dos Espíritos Reveladores:

"Espíritas, amai-vos, eis o primeiro ensinamento; Instrui-vos, eis o segundo." 

o trabalho organizado em grupo, as idéias novas discutidas em conjunto, onde cada um pode propor a sua cota de colaboração, é muito mais produtivo. Todos passam a trabalhar com os companheiros e não para os companheiros; com alegria, sem imposições e sem cobranças; dentro das normas básicas de disciplina, mantendo-se o respeito pelas tarefas alheias, sejam elas doutrinárias ou filantrópicas.
As tarefas doutrinárias exigem muito cuidado, pois o preparo dos Doutrinadores que as dirigem torna-se imprescindível .
o conhecimento evangélico-doutrinário representa o alicerce da construção moral.
O Centro Espírita, como núcleo abençoado de estudo e de trabalho, Escola preparatória para a Vida plena, não pode se eximir da Evangelização de seus congregados. Somente as lições do Sublime Mensageiro de Deus poderá preparar as almas para a escalada redentora em busca da perfeição.
Doutrinar, orientar, esclarecer, intermediar, divulgar exigem conhecimento doutrinário, preparo, discrição, amor.

"Pode acaso um cego guiar outro cego, não cairão ambos na cova? O discípulo não é superior ao mestre, mas todo o discípulo será perfeito se for como seu mestre"

Cada atividade tem sua peculiaridade. Os trabalhos de desobessão ou de educação mediúnica não são meras Sessões de bate-papo com os habitantes do Além. Representam, outrossim, assistência, socorro aos Espíritos em desequilíbrios, cujas aflições revertem em abençoadas lições de humildade, de amor e de renovação moral aos componentes do grupo.

Como assistir aos doentes espirituais sem o lastro devido?
Respeito, discrição, discernimento e, sobretudo, caridade complementam o atendimento cujo objetivo é derramar o refrigério sobre o
ardor do sofrimento.

A fluidoterapia, ou bioenergia, ou como queiram, a aplicação do Passe, exige, de seus doares, saúde física relativa e equilíbrio psicomoral, como esclarece Allan Kardec:
"Quem diz Médium diz intermediário(...)"

O fluido magnético tem, pois, duas fontes distintas: os Espíritos
encarnados e os Espíritos desencarnados. Essa diferença de origem produz uma grande diferença na qualidade do fluido e nos seus efeitos.
O fluido humano está sempre + ou - impregnado de impurezas físicas e morais do encarnado; o dos bons Espíritos é necessariamente mais puro e, por isto mesmo, tem propriedades mais ativas, que acarretam uma cura mais efetiva. mas, passando através do encarnado, pode alterar-se como um pouco de água límpida passando por um vaso impuro, como todo remédio se altera se demorou bastante num vaso sujo e perde, em parte, suas propriedades benéficas. Daí, para todo verdadeiro Médium curador, a necessidade absoluta de trabalhar a sua depuração moral, segundo o princípio vulgar: limpai o vaso antes de vos servirdes, se quiserdes algo de bom.(-)
(Grifos originais).

Cada trabalhador necessita conscientizar-se do valor que repre-
senta a vivência fraternal, o estudo e a disciplina para alçar novos degraus da evolução.
Sem essas normas básicas, a desarmonia impera e a construção, por mais sólida que se apresente , corre o risco de ir ao chão, pois as rachaduras morais abalam-lhe as estruturas.

Um dos maiores escolhos a minar o solo fértil das Casas Espíri-
tas, facultando brechas para a invasão de Espíritos demolidores, é a maledicência, atitude própria dos incautos, mãe de todas as desgraças, geradora da intriga.
o intrigante, de ambos os lados da vida, incapacitado, pela má vontade, de produzir e desejoso de se destacar sem o esforço que o levaria á
realização, prefere destruir a imagem, o caminho, o valor daqueles que se
aproximam do caminho evolutivo.

Ensina o Dr. Bezerra de Menezes:
"Um Centro Espírita onde as vibrações dos seus freqüentadores
encarnados ou desencarnados, irradiem de mentes respeitosas, de corações
fervorosos, de aspirações elevadas; onde a palavra emitida jamais se desloque para futilidades e depreciações; onde, em vez de gargalhar diverti-
do, se pratique a prece; em vez do estrépito de aclamações e louvores indébitos se emitam forças telepáticas á procura de inspirações felizes; e
ainda onde, em vez de cerimonias ou passatempos mundanos, cogite o adepto da comunhão mental com os seus mortos amados ou seus Guias Espirituais, um Centro assim, fiel e observador dos dispositivos recomenda-dos de inicio pelos organizadores da filosofia espírita, será detentor da com-
fiança da Espiritualidade esclarecida, a qual o elevará á dependência de orga-nizações modelares do Espaço, realizando-se então, em seus recintos, sublimes, empreendimentos, que honrarão os seus Dirigentes dos dois planos de Vida. Somente esses, portanto, serão registrados no Além-Túmulo
como casa beneficentes , ou Templos do Amor e da Fraternidade, abalizados
para as melindrosas experiências espíritas, porque os demais, ou seja, aqueles que se desviam para normas ou práticas extravagantes ou inapropria-
das, serão no Espaço, considerados meros clubes onde se aglomeram aprendizes do Espiritismo em horas de lazer".

O crescimento é conseqüência do esforço encetado. Todo
aquele que luta, que estuda, que persevera, por amor e por desinteresse, arrebata a simpatia dos Espíritos Superiores.

Ninguém vence sem esforço, sem luta.

A caminhada com JESUS é árdua; a bagagem é a cruz; a coroa
é de espinhos; o solo a se palmilhado é pedregoso e sangra os pés que o tocam, tornando-se intransponível para os que se apresentam descalços de
Amor, de boa vontade, de abegnação. A vigilância deve ser constante para
que a surpresa não os desmonte na na hora crucial do testemunho.;



Quem se candidata á conquista da felicidade tem que se armar de
coragem.!!

Trabalhar com JESUS exige, sim, muita coragem para destruir as feras da vaidade para uns; da avareza, do autoritarismo para outros; do
egoísmo para muitos.

Não sendo assim, as feras do personalismo, da vaidade, do ciúmes, da inveja, da dissipação, da ociosidade e tantas outras vão invadindo
sutilmente as almas invigilantes.

Crescer exige esforço.!!!!!

Para se crescer intelectualmente é fácil, basta o impulso motivador da vaidade e se atinge status , boa remuneração, sucesso terreno.
Todavia, o crescimento moral exige muito mais, pois necessita que o combustível ímpar da Fé e da renuncia, da humildade e do Amor circule na
intimidade do próprio Ser.

por isso, e muito mais, a Casa Espírita é um laboratório de experiências evolutivas cujo sucesso depende da coletividade, onde cada um
deverá apagar-se para que o brilho do Mestre JESUS possa iluminar a todos.


Referências Bibliográficas:

1) - Momentos de Harmonia - Joanna de Ângelis, psicografado p/Divaldo P. Franco
Cap. 9 pág. 62 - Ed. Leal
2) - Revista Espírita, 1864. - Allan Kardec - pág. 25 - Edicel
3) - Educandário da Luz: - Emmanuel, psicografado p/Chico Xavier. Cap. 4
4) - O Evangelho Segundo o Espiritismo: - A. Kardec - Cap. VI - ítem 5 FEB
5) - Dramas da Obsessão: - Bezerra de Menezes, psicografado p/Yvone A. Pereira
Terceira Parte - Conclusão II, pág. 146 - FEB

Elaborado por Edison Godinho - Grupo Espírita Irmão Tomé e Fonte Viva - 05/2004.
(Pesquisa da Revista "Reformador" 05/1995)

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