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O Aleijadinho |
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O Mestre Aleijadinho é um dos mais destacados artistas: escultor e arquiteto colonial brasileiro e o mais importante intérprete do barroco. Antônio Francisco Lisboa nasceu em 29 de agosto de 1730 em Vila Rica, Minas Gerais. Filho de
Manuel Francisco da Costa Lisboa, arquiteto português e de Isabel, uma africana, crioula e
escrava do próprio Lisboa, que foi libertada por ocasião do batizado de Francisco,
que era pardo-escuro, baixo, com cabelos encaracolados, orelhas grandes e beiços grossos. Sabia ler e escrever e
tinha conhecimento de desenho, arquitetura e escultura que obteve na
escola prática do pai e também com o desenhista e pintor João Gomes
Batista. |
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Depois de muitos anos
de trabalho sob a vista do pai, que era tido como o primeiro arquiteto da
província, fez sua carreira de mestre de arquitetura e escultura e, nesta
qualidade, excedeu a todos os artistas deste gênero. Em 1766, recebeu a
encomenda do projeto da Igreja de São Francisco de Assis, de Ouro Preto. Em 1767 seu pai morreu. Em 1774 construiu a
Igreja de São João Del Rei, em Tiradentes. Passou a vida no exercício
de sua arte, cuidando sempre de ter boa mesa, mulheres e de dançar, até
que lhe aparecessem as moléstias que o atacaram fortemente em 1777. Sofreu com uma série
de males que lhe causaram deformidades, paralisias e muitas dores. Antônio
Francisco perdeu todos os dedos dos pés, tendo que andar de joelhos, as mãos
atrofiaram-se e curvaram, chegando a perder parte delas, as pálpebras
inflamaram-se, atrapalhando a visão, perdeu quase todos os dentes, a boca
entortou, causando um aspecto asqueroso e medonho. Devido a estas
deformidades recebeu o apelido de O Aleijadinho, pelo qual veio a ser
conhecido. Teve 2 fiéis escravos
e entalhadores, Maurício e Agostinho, que muito o ajudaram. Em 1780 recebeu
diversas encomendas em Sabará, dentre elas a da ornamentação interna e
externa da Igreja da Ordem
Terceira do Carmo. O artista, já com a
doença em estado avançado, trabalhou em Ouro Preto, Sabará, Mariana,
Congonhas do Campo, Barão de Cocais, Tiradentes, Nova Lima, Caetés e em
vários outros lugares de Minas Gerais. O Aleijadinho começou esculpindo a madeira, daí os púlpitos, portas, pias batismais, altares e pequenas esculturas, geralmente de santos e anjos gorduchos e sorridentes, ao todo sessenta e seis imagens de madeira esculpidas entre os anos de 1796 a 1799. |
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Trocou a madeira pela
pedra-sabão e esculpiu Os Doze Profetas, uma verdadeira obra-prima, que
repartem entre si o espaço externo do Santuário de Bom Jesus de
Matosinhos, em Congonhas do Campo. Essas esculturas tomaram um aspecto
diferente de toda a obra do Grande Mestre e isto se nota nas atitudes, nas
mãos e nos traços do rosto dos Profetas, que aparecem como criaturas
humanas, homens sofredores, martirizados e mergulhados em oração. Fez
também as figuras que compõem Os Passos da Via Crucis que mostram a
piedade cristã, sendo ao mesmo tempo obras de arte e de devoção. São também dele várias
esculturas em pedra-sabão de imagens de santos espalhadas por várias
igrejas de Minas Gerais. A perícia do
Aleijadinho era indescritível, mesmo sem os dedos das mãos e ajoelhado,
trabalhando escondido sob uma tenda ou com um manto que lhe encobria as
deformidades, trabalhando a noite e com pouca luminosidade. A doença que lhe
consumia o corpo não apagava o gênio que semeava obras de arte. Nos seus 2 últimos
anos de vida, passou em uma casa miserável, sem sair do leito que era um
estrado de 3 tábuas sobre toras de madeira, sempre a ler a Bíblia e a
alternar momentos de lucidez com as dores e as chagas que lhe consumiam o
corpo. Em 18 de novembro de 1814, Antônio Francisco Lisboa faleceu em Vila
Rica e seu corpo está na Matriz de Antônio Dias em uma sepultura junto
ao altar da Nossa Senhora da Boa Morte.
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