CENTRAL DE NOTÍCIAS                                                          11-03-08

 

PREVIDÊNCIA DE SERVIDOR PÚBLICO AINDA É DEFICITÁRIA

 

·                                 Um dos segmentos de previdência que vêm atraindo a atenção dos bancos é o de institutos de pensão de Estados e municípios. As áreas de gestão de recursos dos bancos (assets) estão de olho na administração dos investimentos previdenciários, que já somam R$ 30 bilhões. Esses institutos, no entanto, ainda são deficitários.

·                                 As entidades de pensão dos servidores públicos estaduais e municipais substituem o sistema do INSS (nos municípios que aderiram ao Regime Próprio de Previdência Social). A Lei que criou os planos é de 1998. Os fundos, mais de dois mil, são, portanto, ainda novos e a gestão vem se profissionalizando.

·                                 João Carlos Figueiredo, presidente da Associação Brasileira de Instituições de Previdência Estaduais e Municipais (Abipem), afirma que maioria dos fundos previdenciários possui déficit técnico, ou seja, os ativos ainda não são suficientes para cobrir as previsões de pagamentos futuros.

·                                 Os que têm condições melhores, segundo ele, são os que trabalham com a chamada "segregação de massa", isto é, divisão entre os ativos garantidores dos aposentados e os recursos dos atuais trabalhadores. "Isso diminui a necessidade de alocação de recursos pelos governos estaduais e municipais", disse.

·                                 Nesses casos, segundo Ronaldo de Oliveira, da consultoria RiskOffice, são criados dois fundos. Um meramente financeiro, para cobrir os benefícios dos aposentados e próximos de se aposentar, coberto com recursos do tesouro municipal. O segundo fundo, previdenciário, para atender a população mais jovem, capitalizada pelas contribuições e com os ativos investidos para gerar receita futura.

·                                 Um exemplo é o do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro, o Rio previdência. O instituto possui investimentos próximos a R$ 10 bilhões, mas com os recursos de royalties futuros de petróleo, de 2007 a 2022, repassados pelo governo estadual, o patrimônio total já se aproxima de R$ 60 bilhões.

·                                 O valor o deixa como o segundo maior fundo de pensão, atrás apenas da Previ (R$ 138 bilhões). Ainda assim, existe a necessidade de capitalização de recursos, da ordem de R$ 33 bilhões, para que atinja a cobertura total das reservas matemáticas, estimadas mediante cálculo atuarial. O fundo, portanto, tem potencial para atingir R$ 100 bilhões.

·                                 Os ativos de investimentos, segregados, são direcionados para investimentos no mercado, como fundos ou títulos públicos, para que o volume cresça. De acordo com o plano de investimentos para 2008 do Rioprevi, aplicações em renda variável não são prioridades, mas já estão na mira.

·                                 "Poderá ser disponibilizada uma parcela dos recursos em moeda corrente para essas aplicações, mas somente por intermédio de fundos de investimento. Essas aplicações terão como objetivo a diversificação dos investimentos do Fundo, tendo em vista a realização de aplicações financeiras mais rentáveis".

·                                 Esses recursos é que tem atraído a atenção de bancos e gestoras de recursos. Os ativos estão na casa dos R$ 30 bilhões e podem crescer, já que atendem cerca de metade dos municípios (cerca de dois mil) e todos os Estados. Existe ainda um projeto de Lei para a criação do fundo de pensão dos servidores federais.

·                                 O Ministério da Previdência Social alterou uma série de regras recentemente (outubro do ano passado) para aumentar a profissionalização do setor. Entre as medidas, passou a exigir certificação profissional dos gestores dos institutos e aumentou o rigor das fiscalizações e responsabilização desses gestores.

·                                 Todos os diretores de investimentos das entidades de previdência dos servidores estaduais e municipais que têm patrimônio acima de R$ 10 milhões deverão estar certificados. Técnicos do Ministério da Previdência Social discutem com a Associação Nacional dos Bancos de Investimentos (Anbid) quais os critérios para qualificação e certificação desses gestores. 

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Fonte: VALOR ON-LINE

 

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