ÌPÀDÉ,
palavra do idioma iorubá que significa "reunião,
encontro", segundo E.C.Rowlands (Yoruba - A Complete
Course for Beginners, 1969, ISBN 0-8442-3843-0).
Com a tradução
literal da palavra "martelando" a cabeça, digo,
fazendo uso da lógica presente no meu cotidiano (sou programador), acabei
escolhendo o nome para este nosso Grupo de Discussão. Mas
não demorou muito para que eu a associasse ao ritual homônimo
e, então, começasse a refletir sobre o significado do mesmo, me levando
a pesquisar os livros que tenho e enviar e-mails/faxes para pessoas
que conheço e que poderiam me ajudar, pois a Internet me ensinou uma
grande lição, a qual se resume na expressão que um amigo eletrônico
(Mestre Alexandre) me ensinou e eu não canso de repetir para mim mesmo:
"olòtító lésé kékeré"
(o dono da verdade tem pernas curtas). Em outras palavras,
acabei aprendendo aquilo que a minha lógica não me ensinou: no Candomblé
não posso tomar nada como certo, definitivo... devo sempre ouvir,
refletir, para depois tentar fazer qualquer consideração...
preciso respeitar para ser respeitado.
Infelizmente,
muitas das respostas aos e-mails/faxes que enviei ainda não chegaram
(e nem sei se um dia irão chegar), mas vou continuar insistindo (enviando
cópia desta mensagem, por exemplo) para que possa, quem sabe, num
futuro, compilar estas informações para que tenhamos conhecimento
da ótica destas pessoas com relação ao ritual chamado Ìpàdé.
De qualquer maneira,
encontrei no livro Os Nago e a Morte (pg. 195, Juana Elbein
dos Santos, ISBN 85-326-0923-6) um parágrafo sobre o assunto, o qual
penso complementar a minha idéia lógica: "Vemos, assim, através
do Pàdé, que Èsù é o encarregado de transportar, comunicar
e restituir o àse dos genitores míticos, estabelecendo a harmoniosa
relação que permite a dinâmica social e a continuação do
ciclo vital. Durante o ritual, os Baba Égún e as Iyá-mì reúnem-se
para aceitar as oferendas que Èsù transporta para eles.
Não se poderia encontrar nome mais apropriado para esta cerimônia.
O Pàdé, a RE-UNIÃO, se estabelece em vários níveis...".
Em suma, o meu
desejo é que este nosso ÌPÀDÉ "eletrônico"
não seja só uma reunião, mas também a
re-união de algumas das muitas peças que compõem
este lado da Religião dos Orixás, o Candomblé. Que façamos a
força da nossa união ir muito além dos limites eletrônicos.
3. A primeira
pessoa a se manifestar foi a Patrícia, de Belo Horizonte. Seguida
da Luza, do Edson (que acho que hoje já não é mais membro), do
Paulo (Dofono d'Ömölu), do Sandro (que deixou de ser membro por motivos
pessoais), por Ìyá Jurema, pelo Clô (companheiro eletrônico de outros
fóruns), da Ana, do Sílvio, do Alex, do André Teixeira, do Octávio,
do Sávio... e assim foi...
4. O primeiro
encontro "ao vivo" de membros aconteceu no Rio de Janeiro,
durante uma mostra de filme/vídeo entre Ìyá Elaine, Paulo, Marco e
Sávio, se não me falha a memória. O primeiro encontro de Sampa
aconteceu no Ilè Àñë Danadana, por ocasião do Pilão de Òñàálá, tendo
comparecido Ìyá Jurema, Laércio acompanhando Ìyá Nieta, Ògán
Eduardo, Ebomi Sandra e eu;
5. O nome Ìpàdé
já foi motivo de "horror" fora do mundo eletrônico e
havia até quem não acreditasse que o grupo vingaria, uma vez
que o "poder da palavra" no Candomblé é muito presente.
Mas estamos aqui firmes e fortes, enfrentando os tropeços inerentes
à convivência social, digo, aprendendo a dividir um espaço
comum com nossos semelhantes, que, na verdade, não são tão
semelhantes, uma vez que cada um tem a sua própria opinião, a sua
própria idéia e isto, é lógico, vez por outra provoca um mal estar
aqui, outro ali... mas nada que tenha impedido o grupo de crescer,
de andar, de ser o que sempre foi: um espaço eletrônico democrático
que nos ajuda a entender melhor a religião, que nos mostra que
é perfeitamente possível convivermos com outros seguidores, não importando
a cor, a raça, a casa, a família ou a nação dos mesmos !
A todos nós, membros
do Ìpàdé, parabéns por este meio-ano de "re-união".