Nunca antes de amanhã

 

 

 

Amanhã será assim

vou viver um pouco de tudo

vou gritar até ficar mudo

e espalhar-me pelo chão

amanhã terei o perdão

de tantos olhos que me julgam

que me fitam e que me fintam

para eu me baralhar

amanhã será diferente

mas para isso não serei igual

foi uma vida tão indiferente

tomada sempre como normal

e agora decerto morto

este ser que dorme em mim

é sempre maltratado

e onde o tive, o perdi

na pausa da voz, suspiros...

medo, raiva, angustia insurge

amanhã julgado pelos actos

deixado por sentimentos que perseguem

guiar-me-ão à felicidade entregue

estas memórias onde fui quem quis.

 

 

 

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