Desperto

 

 

 

Cheio do meu corpo

do tudo e nada existente

cheio do tempo presente

e da escondida vontade que poupo

cheio do som inebriante

da melodia cortante que faz sentir

da vontade eterna de partir

sempre no momento mais importante

cheio de cheiro nas mantas

de mil perfumes banhados em corpos

que tão loucos em suspiros soltos

fazem esquecer crimes nas imagens lentas

onde passo a vida a correr do tormento

dor imensa, sob qualquer presente

verdade em si no corpo se mente

da alma se isola este transiunte

cheio de vozes que dizem amar

e no proximo instante arranham-me a pele

falam do ser, do prazer que é dar

mas exigem tudo que nas promessas se sele

no instante seguinte, descontente

passam pensamentos perto que oferto

mas incertamente roubo-os novamente

e cheio de tanta falsidade, desperto.

 

 

 

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