Até ser eu

 

 

Olho de cima para quem ?

peço coisas vãs, aqui tenho

peço palavras boas, mereço ?

peço vícios, agarrei-me...

mas ainda estou descontente !

fecho as portas, abre-as o vento

que me empurra para o pensamento

fiel, este impôe-se e é tarde

mas já escorre a lágrima que me vence

após tanto insistir em pensar-me valente

só mais tarde, já ? ( não me parece)

por agora fico caído, inexistente

frio por saber tanto sobre nada

mata-me aos poucos a solitária madrugada

que ama os que vivem nela, como eu...

outros que pensam que tudo é seu

porém apenas percorrem a mesma estrada

onde tudo é seguro e normal

constante, sem sobresaltos, habitual...

vencedores vencidos, hino ao eu

montanhas agrestes subidas em sonhos

passam nos olhos, passam nos olhos...

matam-me rápidamente a manhã intensa

onde vive a verdade à tempos esquecida

peço por alguém que desconheço

para me mostrar a realidade submersa

peço tempo a todos, merda fui sendo

triste ignóbil ser horrendo

aparento só porcaria e a ela me rendo

o algo que sou desconheço

apenas brilho do que pareço

vale de memórias, de simples glórias

que nos pensamentos tornei em vitórias

prisão em mim, mas não a lamento

conquistas perdi, valeu o momento

olho de baixo, agora esgotado

peço caricias em dedos de saudade

peço mais ventos para estar à vontade

pois que venha o pensamento cansado

que espera por mim até ser eu.

 

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