Alma, a vazia

 
 

 

Passa-lhe o recado

com um gesto suave

dá-lhe de repente

um beijo amigo molhado

mostra aquela chave

com que se abriu a corrente

e diz-lhe que lhe amei

e que foi muito mas foi pouco

para quem lhes quis para sempre

varre-a de saudade

mostra o album empoeirado

onde fomos os amantes meninos

mas agora adultos é tarde

e o destino não uniu o nosso fado...

conta-lhe amargas incertezas

das noites sem o doce amparo

das feridas que abri e já não saro

falo das minhas tantas fraquezas

onde em mil braços aprendi a "amar"

nas tardes livres de ansiedades por tapar

e cobre-lhe o rosto com as mãos

diz-lhe como o fiz e os porquês

ampara-a da queda se puderes

mas não lhe peças por mim o perdão

outrora fui rei como quem reinava

sorri como quem vivia

outrora não fui só alma vazia.

 

 

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