Ubirajara Couto Lima1
PUBLIQUE-SE2
Vida
Pública
Claustrofobia
Rua
Pública
Paralisia
Casa
Pública
Caricatura
Curso
Público
Formatura
Esquina
Pública
Movimento
Morte
Pública
Passamento
Sexo
Público
Pornografia
Violência
Pública
Democracia
Calúnia
Pública
Histeria
Desculpa
Pública
Sabedoria
Roubo
Público
Evidência
Respeito
Público
Sapiência.
RANKING
Nesse
País
Do futebol
Faço ôla
Pro gol
De calcanhoto
Escalo
Minha seleção
Com veloso
No gol
E caetano
Na linha
Vamos trocar
O samba
Pelo pagodinho
Êta, zeca danado
Baleiro também veio
Gosto
Da maria
Do milton
E da bethânia
Pra falar das flores
Convido o ramalho
Por enquanto
A cassia
Tomou um gol
Por favor
Um minuto de silêncio
Há uma falta
E lá está
A gal
De costas
Na barreira
O esquema
Tático
Dos engenheiros
Tornou o jogo
Num duelo
De titãs
O sucesso
Da festa
É do paralamas
O skank protesta
Que droga!
A bola bateu
Na trave
E ironicamente
Não alterou
O placar.
ESCRITÓRIO
Não
Vou me tornar
Um burocrata
A vida
Não espera
Pelas datas
Equidistantes
Das reuniões
E audiências
O amor
Não aguarda
Pelos gestos
Protocolados
Não tem
A paciência
Dos arquivos
E não respeita
A lei fria
Das gavetas
Não
Quero a pressa
Dos corredores
Desatentos
Prefiro
Traduzir as
Frases
Nada secretas
Dos olhares
Falantes
Vou dispensar
As razões
De quem
Não tem
Nada a dizer
E quando
Estivermos
Frente
A frente
Mentir
vai ser
Um convite romântico
Pra jantar fora.
LINHAS
Alma
De trem
Que não parte
Alma
Parada
Na estação
Alma
Carente
E confusa
Alma
Perdida
Espera despedida
Alma
Que quando parte
Não leva
Só uma parte
De mim
Alma
Que quando
Volta
Desembarca
Feliz
Alma
Que no meio
De tudo
Procura por mim
Alma
Que carrega
Sede de sentir
O porto
Alma
Que bem perto
Olha pra trás
E vê
Que não estamos
Sós
Alma
Que perde a hora
pega outro táxi
E me encontra
Sentado
À sua espera.
TRATAMENTO
A manhã
Que adentra
O meu peito
É um livro
De bolso
Divertimento
Perfeito
Para horas
Enciclopédicas
A noite
Que abandona
O meu quarto
É uma enciclopédia
Complexa
Medicamento
Recomendado
Para horas
Divertidas.
SUPERMERCADO
Vamos
Deixar
A rua passar
Pelo sinal
Sem olhar pro lado
Vamos
Transformar
A sobra de som
Em sopa
Vamos
Inflacionar
Os gestos
Egocêntricos
Vamos
Encher
As prateleiras
Com músicas
E rosas
Vamos
Eleger
O desejo
Mais sincero
Vamos
Decretar
Que todos vivam
Até cansar
Porque morrer
É apenas deixar
De ser visto.
CONCERTO
Vida
Soul-black
De acústico
Prazer
Vida nova
De uma bossa
Constante
Vida
Ritmada
Nesse céu
Totalmente blues
Vida
Cantada
Nessa terra
De chorinhos
Abafados
Vida
Marchada
Ópera-ria
De uma cadência
Dançante
Cujo lirismo
Jazz
Inquieto
Vida
Desafinada
Aprovada
Com uma nota só
Vida
Debutante
De um si maior
Que impute
Ao frevo
Ferver a alma
Mas não admite
Que o povo
Por qualquer
Motivo
Deixe de ser
Pop.
Notas
1
- Psicopedagogo - Coordenador Pedagógico. Ilhéus-Bahia. E-mail:
[email protected]
2 - Poesias publicadas no site Instituinte em 23 de agosto de 2002.