Débora Schneider Schünke1

 

Que Corpo-Louco é Esse...?
O que é isso...?
...que...na praia, no mar, no céu, no sol, na lua, nas constelações...
Nos move - envolve...?
Constelações de mundos...
forças que nos abraçam...arrastam...

Que corpo é esse...?
Que louco é esse...?
Que mundo é esse...?
...que nos toma...nos toca...
... e como força invisível nos faz andar - girar - sentir - amar - criar...?

Que mundo-corpo é esse...?
Que vai além das palavras...?
Que diz tudo, não dizendo nada...?

Que louco-corpo é esse...?
Onde o sentido faz sentir... e o sentir tem sentido...?

Que mundo é esse...?
Que mundo-corpo é esse...?
Que louco-corpo é esse...?
Que LINDO-CORPO é esse...?

...Um corpo desrazão...!
...Um corpo artístico...!
...Um corpo potência...!
...Um corpo devir...!
...Um corpo constelação...!
...Um LINDO CORPO-LOUCO...!

 

Menino de Rua, Menino Valente...
Menino de rua que anda descalço...
Menino de rua que anda no asfalto,
De mão estendida pra gente que passa...
De mão estendida pra aquele que abraça.

Menino carente que busca falar
Mas fica calado... ninguém quer escutar...
Menino-moleque que faz desta rua
Uma porta pra vida, uma porta só sua.

Menino valente que dorme sozinho,
Sonhando que está num lindo bercinho...
Menino de rua que assusta a gente
Mas corre de medo da pessoa ausente...

Menino homem que quer chorar...
Mas segura as lágrimas, ninguém vai enxugar...
Menino alegre que sabe sorrir....
Menino-coragem, não vá desistir!...

(OBS.: Produzido na Cadeira de Saúde Mental e coletiva 1 - 11/99.)

 

Nó ... "Estranho" nó...
Nó ...
"Estranho" nó...
"Estranhos" nós...
Nós que se cruzam...
Nós que dão passagem...
Nós que rejeitam...
Rejeitam o quê?
O liso... o círculo... o fixo...

Fios de linhas, que se juntam... e criam...
Criam novas formas...
Formas diferentes...
Formas raras...
Formas únicas...
... jamais pensadas...
... jamais sonhadas...

Nó formado por linhas...
Linhas de vida...
Linhas de fuga...
Fuga!?
Fuga do quê?
Fuga do "comum"...
Fuga do previsto...
... do esperado...
.... do julgado...

Nó...
"Estranho" nó...!
Nó múltiplo...!
Nó vivo...!
Nó complexo...!
Nó artístico...!

Obs.: Produzido durante a cadeira de Processos Grupais 1 -23/03/2000


Perante uma Crise Revolucionária...
Perante uma Crise Revolucionária...

Dizem os instituídos: "Esses "jovens" só querem bagunçar!" "Precisamos ter bom senso. Não dá para radicalizar." "Eles acabam quebrando coisas que são deles mesmos." "Eles são muito rebeldes... São violentos...." "Prá que gritar? O correto, o civilizado é conversar!"

E aí eu te pergunto "Zé Ninguém"...

Quem são os violentos...?
Os revolucionários que para serem ouvidos (pelos que estão nas suas torres de marfim, comendo caviar e tomando champanhe), precisam gritar e agir...
Ou a cúpula, que possui ouvidos limpos de cera, mas que não escuta, os gemidos-sofridos dos "revolucionários" , pela "sujeira" dominante- instituída...?
Me responda 'Zé Ninguém...?"

Perante a Crise Revolucionária...

Os "mudos" ganham voz...
A fala reprimida pede passagem...
O grito é preciso...
A ação é vital...
A utopia ativa é necessária...
A transvaloração aparece...
A vida processual surge gritando!

Perante a Desvalorização da Vida...

É preciso gritar!
O falar não chega aos "limpos" ouvidos da cúpula...
É preciso abrir passagem...
Passagem para criar...
Criar formas novas...
Criar novas formas...
E depois...
Novamente...
Criar novas formas...
Criar formas novas...
E depois...
Novamente...
Criar...

OBS.: Poesia escrita em de 15/04/2000 durante a elaboração de um trabalho sobre Análise Institucional e Lapassade onde "retornamos" aos acontecimentos de maio de 68. (Processos Grupais 1)

 

Notas

1 - Graduanda em psicologia pela UNISINOS. e-mail: [email protected]


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