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                              LIGUE PARA QUEM REALMENTE RESOLVE
Texto de Ruppert Ludwig Hahnstadt, transcrito da Revista Vetores & Pragas Ano II - 4



Uma criança dá entrada na emergência de um hospital com grave crise de asma. Após controlar a crise, o médico pergunta à mãe se a pequena paciente sofre de alergia, e recebe a imediata resposta: "Sim doutor, ela é alérgica aos ácaros de poeira de casa". Aprofundando mais a pesquisa das possíveis causas dessa alergia, o médico perguntou à aflita mãe o que mais existia naquela casa que pudesse ser importante no diagnóstico. Obviamente a primeira resposta foi: "Minha casa é muito limpa e eu faço tudo que os médicos mandam, eliminei os carpetes, as cortinas, os estofados, aspiro a cama diariamente e dou remedinho direitinho, doutor".
Esse médico, muito cuidadoso e curioso, não se convenceu e marcou uma visita à casa do seu pequeno paciente. Realmente, a mãe era uma pessoa dedicada, a casa estava organizada e limpa, porém, havia um detalhe que até o momento não tinha sido observado. A casa estava infestada de baratas há anos e não havia jeito de se livrar das francesinhas que estavam sempre presentes, por mais que se limpasse a casa.
O médico logo pensou: "Será que há alguma relação entre a infestação por baratas e a alergia?" Inteligente como era, logo teve uma grande idéia: "Vamos chamar a INSECT CONTROL para exterminar essas baratas. Enquanto isso, a criança vai ficar no hospital por uma semana." Resultado: a criança morando no hospital não entrava em crise, mesmo sem o remedinho. Quando ela voltou para casa passou bem por um tempo, mas logo voltou a sofrer dos mesmos sintomas de antes, embora já não fosse mais parar no hospital com aquelas graves crises de asma, e ainda mais, não precisou de tanto remedinho para controlar sua alergia.

Um novo vilão entrou em cena... A BARATA!

O AMBIENTE DOMÉSTICO

Os ácaros têm sido os vilões dessa história há décadas. Entretanto, nos anos 90, os pesquisadores têm mudado seu ponto de vista em relação às causas das alergias e passaram a valorizar mais os aspectos do ambiente indoor (recintos fechados, por exemplo: residências).
O aumento da prevalência e da gravidade das alergias respiratórias, especialmente, a asma, nos últimos 35 anos tem sido observado. Em muitos países, inclusive no Brasil, este incremento tem sido relatado por todas as classes sociais e mais sensivelmente entre a população de baixa renda.
Pesquisas realizadas nos Estados Unidos demonstraram que as taxas de hospitalação e de mortalidade de crianças são três vezes maiores do que as encontradas nas áreas suburbanas dessas cidades, caracterizadas pela menor densidade demográfica e melhores condições residenciais.
Nos anos 80, muitos estudos epidemiológicos evidenciaram associação entre componentes do ambiente indoor e as alergias respiratórias. Esses resultados, combinados com testes de provocação e de exclusão com componentes da poeira doméstica, proporcionaram fortes evidências da importância do ambiente doméstico na asma, principalmente a participação dos ácaros. Modificações nas casas que favorecem a proliferação dos ácaros são patentes, como as novas tendências da decoração, redução da ventilação, aumento da temperatura ambiente, uso de carpetes e de móveis sem lustro. Além disso, as pessoas e em especial as crianças têm progressivamente gasto muito mais tempo dentro de casa, determinando a chamada "Teoria da Asma pela Televisão".
Entretanto, estudos recentes indicam que a situação é mais complexa. Em regiões mais úmidas, a prevalência das alergias respiratórias, em especial da asma, continuou a aumentar apesar de todas as modificações introduzidas no ambiente indoor. Adicionalmente, também foi observado incremento significativo da prevalência mesmo em regiões pouco úmidas, desfavoráveis para o desenvolvimento das colônias de ácaros. No sudoeste dos Estados Unidos e no Norte da Suécia, gatos e cães foram identificados como as principais fontes de alérgenos. Atualmente, a descrição de que a sensibilização aos alérgenos das baratas está relacionada com a asma em pacientes residentes de centros urbanos estabelece que existe uma nova fonte de alérgenos nas casas. Esses alérgenos são responsáveis pela alta prevalência de asma e o aumento da gravidade dessa doença.
Na atualidade, estabeleceu-se que pacientes com alergias respiratórias perenes são sensíveis a, pelo menos, um dos principais alérgenos do ambiente indoor: ácaros, gatos, cães e baratas.

OS ALÉRGENOS DAS BARATAS

As espécies mais importantes são as que infestam residências: Blattella germanica, Periplaneta americana e Blatta orientalis. As duas primeiras são as mais comuns no Brasil e conhecidas como francesinha ou barata de cozinha e barata de esgoto, respectivamente.
São as pragas mais comuns que infestam o ambiente doméstico, ocorrem em áreas de densa população, impregnam o local por onde passam com seu odor característico e depositam excrementos no ambiente humano.
Os alérgenos das baratas são provenientes das fezes, saliva e exoesqueleto, que se pulverizam e ficam dispersos no ar. Esses alérgenos quando inspirados pelos paciente alérgeno, se ligam a anticorpos da classe IgE induzindo a liberação de diversos mediadores inflamatórios. Entre eles está a histamina, que é responsávl pelos sintomas imediatos da alergia, que ocorrem entre 15 minutos a 1 hora após o contato. Os sintomas, dependento do órgão de choque do paciente, são espirros em sequência (15 a 30), coriza, conjuntivite e falta de ar (asma). O tratamento dessas alergias deve ser feito por médico especialista (alergologista) e encerra uma tríade tradicional: controle ambiental, medicação sintomática e vacinas hipossensibilizantes. As vacinas são constituídas pelos mesmos alérgenos causadores das alergias e é o tratamento mais eficaz. Porém, depende da qualidade do alérgeno e de um longo período de administração (24 meses), pois o paciente, sendo muito sensível, recebe pequenas doses sucessivas dos alérgenos.
A principal fonte dos alérgenos das baratas são as fezes. Nelas estão presentes as proteínas sensibilizantes e na sua grande maioria são enzimas. Investigadores já lograram isolar e identificar os principais alérgenos da Blatella germanica. Esses alérgicos purificados forma denominados Bla g 1 e Bla g 2 e são, atualmente, utilizados para avaliacões epidemiológicas sobre a sensibilização de populações aos alérgenos das baratas em vários países. Além dos alérgenos purificados, extratos de corpo total das baratas também são utilizados na rotina de diagnóstico das alergias respiratórias e na preparação de vacinas hipossensibilizantes, com excelentes resultados.
Um dos levantamentos epidemiológicos referenciais, efetuado nos Estados Unidos, utilizando testes cutâneos com os três principais alérgenos indoor (ácaros, gatos e baratas) estabeleceu que a sensibilização aos alérgenos das baratas é comum entre as crianças portadoras de asma. Os resultados também demonstraram que o grau de exposição das crianças com testes cutâneos positivos aos alérgenos das baratas, nesse caso, pela quantificação de Bla g 1 na poeira dos seus dormitórios, está correlacionado com o risco de hospitalização com crises de asma. As concentrações dos alérgenos de ácaros e de gato na poeira doméstica, nos períodos de estação seca (inverno) eram muito baixos e as crianças menos sensíveis a eles. Por outro lado, em cidades úmidas as concentrações de alérgenos das baratas e de ácaros eram muito altas e as crianças muito sensíveis a eles. As principais conclusões foram: crianças que se tornam alérgicas a proteínas estranhas em suas casas têm maior risco de desenvolver asma e a contínua exposição aos alérgenos contribui para a gravidade da doença.
Esses resultados levantaram pontos importantes: o papel do controle ambiental para evitar o contato com os alérgenos; as causas das alergias; que a quantidade de alérgenos no ambiente é de crucial importância no desenvolvimento da doença e que as baratas são uma fonte urbana de ocorrência de alergias, talvez até mais importantes do que os ácaros.
Investigadores no Brasil demonstraram o papel das endotoxinas como mediadores pró-inflamatórios presentes na poeira doméstica que aumentam a reatividade brônquica de pacientes asmáticos. No trabalho apresentado durante o Congresso Brasileiro de Alergia e Imunopatologia, no Rio de Janeiro, os pesquizadores compararam os níveis de endotoxinas e de ácaros na poeira doméstica das residências de pacientes asmáticos e de indivíduos não alérgicos, na cidade de São Paulo. Os maiores níveis de endotoxina foram detectados nos meses de janeiro e novembro e de alérgenos de ácaros em julho, determinando a distribuição sazonal desses alérgenos. Houve uma significativa correlação entre os sintomas de asma e os níveis de endotoxinas na poeira doméstica, comprovando a alergenicidade desse novo componente do ambiente indoor.
Esses dados levantam a questão da origem e do aumento dos níveis de endotoxina e da contaminação do ambiente por colônias de bacilos gram-negativos (produtores de endotoxinas). Sabidamente, as baratas exercem um papel importante como carregadoras de microorganismos de locais contaminados, como o esgoto, para os ambientes limpos. Os microorganismos se aderem ao corpo das baratas, principalmente em pêlos e cerdas das pernas, são transportados mecanicamente de um ponto sujo a outro limpo. Também pode ocorrer a contaminação biológica pelos excrementos liberados por baratas. Portanto, a intensidade da infestação do ambiente pelas baratas poderá ser a razão do aumento das concentrações de endotoxina durante os meses mais quentes, caracterizados pelo aumento da proliferação das colônias desses insetos. Dessa forma, a sazonalidade, dependendo do clima de uma região, demonstrada entre a incidência de ácaros, baratas e endotoxinas na poeira doméstica, explica a ocorrência de alergias perenes, outrora apenas sazonais.
A presença dos alérgenos indoor está associada à denominada "Síndrome do Edifício Enfermo", que se caracteriza pelos altos níveis de alérgenos de ácaros, gatos, cães e baratas, endotoxinas e poluentes atmosféricos, além de outras características do ambiente indoor que podem causar desconforto nos indivíduos que os frequentam. Nesses ambientes, pode-se garantir, através da quantificação desses alérgenos por grama de poeira coletada, que, a partir de uma determinada concentração de algum desses alérgenos, os indivíduos alérgenos frequentadores desses ambientes passarão a agravar seus sintomas alérgicos ou entrar em crise asmática. Além da pesquisa do paciente, esse novo ângulo de visão, no qual o diagnóstico do ambiente tem recebido atenção, é recente e tem sido adotado por vários países. No Brasil, ainda estamos iniciando e algumas pequenas empresas vêm tentando implementar a detecção da carga de alérgenos indoor, e outras prestam serviços de limpeza e desinfecção de sistemas de ar condicionado, sendo que, a partir deste ano, já existe legislação específica, que determina o tratamento do ar indoor em ambientes públicos e empresariais, com finalidade profilática das doenças respiratórias, inclusive alergias.
Proteínas provenientes das baratas se dispersam apenas com grande turbulência no ar indoor e estão associadas a partículas entre 5 a 10 micros de diâmetro. Essas partículas decantam rapidamente, logo, a filtração do ar é pouco eficiente. Portanto, a medida mais eficaz é a redução da infestação das baratas no ambiente, bastando ligar para a INSECT CONTROL - 342-9007 e 348-9501. As recomendações atuais encerram, além da modificação da decoração utilizando mobiliário e forrações que evitem o acúmulo de poeira, o controle das fontes de alimentos e água, limpeza rotineira com métodos eficazes e o tratamento por dedetização, utilizando empresa profissional como a INSECT CONTROL para eliminar as baratas.
Cabe ressaltar que as concentrações de alérgenos das baratas devem ser altas para determinar o aparecimento de síntomas alérgicos respiratórios. Logo, mesmo após o controle da infestação as medidas de limpeza devem continuar, a fim de que essas concentrações se mantenham sempre abaixo dos níveis sensibilizantes.

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA ALERGIA ÀS BARATAS

O diagnóstico é feito através do levantamento da história clínica do paciente e dos testes cutâneos com alérgenos extraídos das baratas. Os testes podem ser feitos com extratos espécie-específicos (Blatella germanica e Periplaneta americana) ou em mistura. Os testes são efetuados pela técnica da pintura (Prick Test) que consiste em proceder uma pequena perfuração, através de uma gota do extrato, na pele do antebraço. Se o paciente for alérgico à barata em 15 ou 20 minutos ocorre uma reação com desenvolvimento de pequena pápula (inchaço) e eritema (vermelhidão), semelhante à picada de um inseto. Também existem testes de laboratório, nos quais são detectados os anticorpos IgE específicos contra os alérgenos das baratas no soro do paciente. Esses testes podem ser com radioisótopos (RAST) ou com enzimas (ELISA).Os testes cutâneos, rotineiramente empregados nos consultórios de alergologia, são menos sensíveis que o RAST e o ELISA, porém, mais precisos quanto positivos.
O tratamento das alergias respiratórias deve incluir os medicamentos que controlam os sintomas, melhorando a qualidade de vida do paciente alérgico, e a imunoterapia hipossensibilizante.
Muitos medicamentos são utilizados: anti-histamínicos, broncodilatadores e potentes antiinflamatórios (corticosteróides). Os últimos são os mais indicados no controle das crises e, atualmente, os corticosteróides tópicos para as vias aéreas superiores e inferiores têm sido largamente utilizados com eficácia. A terapia sintomática é limitada pelos possíveis efeitos colaterais causados pelo seu uso constante e deve ser corretamente indicada com acompanhamento médico.
A imunoterapia hipossensibilizante é o tratamento causal das alergias e, no caso das baratas é efetuada com preparação dos seus alérgenos. Os produtos utilizados chamam-se vacinas hipossensibilizantes e, normalmente, são misturas de extratos do corpo total e fezes das baratas Blatella germanica e Periplaneta americana. Essas vacinas devem ser administradas em pequenas doses dos alérgenos purificados extraídos das baratas, já que o paciente é hipersensível a essas proteínas. Normalmente, o tratamento injetável é por via subcutânea profunda, com administrações semanais, quinzenais e mensais, dependendo da fase em que o paciente se encontra. O tratamento inicial encerra 3 fases que constituem três frascos e são utilizados em um período médio de dez meses. A continuação da imunoterapia é feita com a fase 4 e encerra dez injeções mensais. A melhora dos sintomas inicia apenas nessa fase e, se necessário, o paciente deve continuar tomando a fase 4 até que o médico decida pela interrupção. Apesar de o controle da alergia ser alcançado, periodicamente, deve-se fazer esforço da imunoterapia com as doses de manutenção. Portanto, a imunoterapia deve ser persistente, indicada e acompanhada pelo médico. As vacinas hipossensibilizantes contra alergia às baratas já são disponíveis no Brasil.
As baratas passam a ser mais um componente importante como fonte de alérgenos e de contaminação dos ambientes indoor. O seu combate deve ser efetuado não apenas sob o ponto de vista da aversão que temos à sua presença, mas, principalmente considerando o envolvimento no agravamento das alergias, como vetores de infecções e como um dos componentes da "Síndrome do Edíficio Enfermo."

  BARATAS? CHAME A INSECT CONTROL.  

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