Estado atrasa processos de obras A Associa��o de Empresas de Constru��o e Obras P�blicas (AECOPS) est� preocupada com a situa��o da actividade, pois considera que a administra��o est� a atrasar o processo, enquanto que o segmento residencial se ressente da insufici�ncia da procura. Face �s dificuldades que se colocam em consequ�ncia dos acontecimentos de 11 de Setembro e posteriores, a referida associa��o espera um refor�o dos investimentos p�blicos. Neste momento, o que se passa tende a levantar muitas quest�es. De facto, apesar do fluxo das obras continuar a ser muito intenso, a administra��o parece apostada em fazer demorar e alongar todo o processo ligado �s obras p�blicas. � not�rio o crescente atraso que os donos de obra v�o introduzindo no processo, demorando todas as fases das empreitadas, desde o lan�amento � adjudica��o e aos pagamentos. Face a este cen�rio, as empresas confrontam-se com o alongamento do processo, facto que leva os empres�rios a manifestarem as suas preocupa��es crescentes, quanto �s verdadeiras inten��es das entidade p�blicas, quer se trate da administra��o central, quer das autarquias locais. Em resultado verifica-se uma acentuada quebra nas expectativas dos empres�rios, no que respeita � produ��o e ao n�vel de emprego. Mas os n�meros falam por si. No mercado das obras p�blicas mantinha-se, em Setembro, uma expans�o face a 2000. No entanto, a diferen�a existe entre o ritmo de crescimento dos valores postos a concurso nos nove primeiros meses (mais 36 por cento) e dos montantes adjudicados (mais 31 por cento) � um dos sinais que indicam um excessivo atraso no andamento dos diversos procedimentos associados �s obras e um prolongamento do tempo que faz a media��o entre as diferentes fases do concurso. Tal gera nas empresas um clima de desconforto e de desconfian�a face aos donos de obra, refere a AECOPS. Nos nove primeiros meses do ano foram lan�adas 2898 novas obras, num valor de cerca de 584,6 milh�es de contos, o que se traduziu em crescimentos de 10 por cento em n�meros e 30, 8 por cento em valor. O montante mais significativo das obras j� postas a concurso foi da responsabilidade da administra��o local, que lan�ou obras no montante de 282,7 milh�es de contos, seguindo-se a administra��o central com 225,3 milh�es. At� Setembro passado, os concursos relativos a obras de constru��o/repara��o de edif�cios n�o residenciais foram respons�veis pela maior parcela do valor colocado a concurso (171,4 milh�es de contos), seguindo-se os trabalhos relativos a obras de urbaniza��o (143,9 milh�es de contos). Entretanto, a maioria dos empres�rios mant�m uma opini�o bastante desfavor�vel, no que se refere � concorr�ncia excessiva que se faz sentir neste mercado. Este factor constitu� uma forte condicionante � actividade, apesar de se ter registado uma sens�vel diminui��o no n�mero de propostas apresentadas a cada concurso, assim como se ter� acentuado a diferen�a positiva entre os valores de base de lan�amento dos concursos e os respectivos valores de adjudica��o. Excesso de oferta na habita��o Situa��o algo diferente � a que se vive no segmento residencial.. Ap�s meses conturbados no in�cio do ano, a habita��o parece ter recuperado algum dinamismo. Todavia, os empres�rios n�o est�o satisfeitos. Basta referir que at� Junho se registaram quebras de 22 por cento no n�mero e de 14 por cento no valor dos contratos celebrados para aquisi��o de habita��o, comparativamente ao primeiro semestre do ano passado. As opini�es dos empres�rios relativamente �s vendas de fogos traduzem as crescentes dificuldades sentidas com a coloca��o no mercado das habita��es entretanto conclu�das. Mais grave ainda, tudo indica que o desfasamento entre a oferta e a procura tende a acentuar-se. Tal representa um risco acrescido para a situa��o financeira das empresas neste sector. Os n�meros relativos ao licenciamento habitacional apontam para a manuten��o de um ritmo elevado de emiss�o de autoriza��es de constru��o por parte das c�maras municipais. Com efeito, at� Julho foram emitidas 62.587 licen�as para constru��o de fogos, o que permite concluir que at� ao final do ano se poder� ficar perto das 100 mil licen�as, um volume excessivo tendo em conta o actual n�vel de procura. Mesmo assim, o n�vel de actividade ainda � satisfat�rio. A carteira de encomendas das empresas que operam no segmento residencial apresenta uma dimens�o que pode ser considerada bastante razo�vel. Em Setembro apresentava mais de 13 meses de trabalho garantido. H� que contar, no entanto, que a quebra de actividade foi particularmente acentuada no m�s de Setembro. S� o desenrolar dos acontecimentos poder� clarificar a tend�ncia que este segmento apresentar� no futuro. Por um lado, a confian�a dos investidores e a situa��o financeira das fam�lias poder�o evoluir de forma desfavor�vel; por outro lado, o comportamento das taxas de juro tem sido e, provavelmente vai continuar a ser positivo, podendo estar reunidas melhores condi��es para uma reanima��o do mercado habitacional. |