Resumo � jornada da I Liga


� sombra do derby lisboeta



Num fim de semana de loucura eleitoral onde a popula��o portuguesa decidiu mudar de rosa para laranja, o grande encontro da I liga mostrou mais uma vez que cor que se destaca neste campeonato � o preto do equipamento do �rbitro. No jogo de despedida do Est�dio da Luz, e ainda por cima com o derby dos derbys, o �rbitro voltou a ser a figura de destaque criando mais uma guerra de bastidores e promovendo um clima nunca visto de describiliza��o da arbitragem nacional. Mas acima de tudo assistiu-se a um desafio cheio de emo��o, garra, golos e incerteza, proporcionando ao p�blico que enchia as bancadas uma noite intensa e vibrante. Foi um Sporting autorit�rio e pronto para ganhar que se apresentou na Luz, apostando nas novas estrelas Viana e Quaresma, com a experi�ncia de Jo�o Pinto e com o instinto matador de Super M�rio. No Benfica, Toni armou uma equipa onde a solidez do meio campo era evidente, deixando o ataque a um Sim�o endiabrado por defrontar o seu antigo clube, a um Drulovic � procura dos velhos tempos, a um Mantorras sempre imprevis�vel tendo como comando um Zahovic � procura da melhor forma. Os dados estavam lan�ados e o jogo correspondeu a um espect�culo raz�avel.Com a marca��o de um golo muito cedo, o Sporting teve de ir � procura do preju�zo, deixando o Benfica aproveitar o contra-ataque, onde Sim�o dava muito trabalho a Rui Jorge. O Benfica criava mais perigo, mas era o Sporting que tinha mais posse de bola e dom�nio sobre o jogo. Mas j� na segunda parte tudo mudou. Com a expuls�o de Andrade, o Benfica perdia um elemento de luta no meio campo e o Sporting aumentou a sua press�o junto da �rea. Mesmo asim, o Benfica aumentou a vantagem num lance de velocidade de Sim�o que ao cruzar para a �rea encontrou Zahovic que n�o desperdi�ou e fez um bolo de belo efeito. Por essa altura, Toni j� pensava na lideran�a, mas quem tem Jardel, tem sempre esperan�as na reviravolta. B�loni efectou duas substitui��es entrando Tello e C�sar Prates, asfixiando a defesa e meio campo do Benfica, onde Ednilson e Meira n�o chegavam para tanto homem de verde. A cinco minutos do fim, e j� depois de uma bola � barra, e de outras a raspar a tinta do poste, chega o lance caricato do desafio. Jardel ao melhor estilo das novelas da Globo, deixa-se cair ap�s encosto com Caneira e Duarte Gomes aponta para a marca de grande penalidade. A Luz ficava de boca aberta. Jardel n�o desperdi�a e reduz. Logo de seguida, num cruzamento de Tello e numa desaten��o incr�vel de Jo�o Manuel Pinto, que se deixa ganhar na luta da �rea, Jardel faz o que lhe compete e empata o desafio. Os adeptos do Benfica n�o queriam acreditar, mas em apenas tr�s minutos viam fugir a lideran�a da I Liga. No final do jogo assistiu-se � festa verde e branca que assim mantiam a lideran�a. Nos bastidores s� se fala da actua��o desastrada de Duarte Gomes com v�rios erros de gravidade tanto em termos t�cnicos como disciplinares. E assim se passava mais um derby cheio de condimentos, deixando pano para mangas de discuss�o. Foi a despedida poss�vel para a Catedral da Luz que tantos momentos de alegria viveu e onde pisaram grandes nomes do futebol nacional e mundial.
Quem n�o aproveitou o empate da Luz foi o F.C.Porto que mais uma vez perdeu pontos em casa. No jogo de regresso de V�tor Ba�a, mais uma vez se viu que falta ao Porto um verdadeiro goleador. Pena arrasta-se quase pelo campo e Postiga em 45m teve tr�s boas oportunidades mas n�o conseguiu concretizar. O Porto h� um m�s sobrevivia quase de Deco e Capucho, mas agora Deco baixou de forma e sem a magia do brasileiro tudo fica mais d�ficil. E com Oct�vio Machado a n�o prescindir de dois trincos, mesmo com um Braga que quase s� defendeu, o Porto n�o consegue marcar chegando a ver-se Jorge Andadre a pegar no jogo e � procura da solu��o para vencer o jogo. Deste jogo o Porto s� pode retirar de positivo o regresso de Ba�a que efectuou uma bela defesa a remate de Abiodun e um Postiga que mostra servi�o, mas que precisa de come�ar como titular.
O grande vencedor da jornada acabou por ser o campe�o Boavista, que regressou �s vit�rias ap�s seis jogos. Foi um campe�o que viveu dos extremos Martelinho e Rui Lima e que ap�s ter desperdi�ado v�rias oportunidades para matar o jogo, voltou a sofrer, mostrando um Sanchez em quebra e um Petit que n�o d� para tudo. Mas do outro lado tamb�m estava uma equipa descrente das suas possibilidades que viveu quase dos rasgos de Mendon�a e que n�o conseguiu marcar das poucas vezes que o Boavista lhe deu espa�os. Foi uma vit�ria saborosa do campe�o que mostrou apenas na primeira parte alguns dos atributos que o levou ao t�tulo.
Na luta pelo quinto lugar, Belenenses e Leiria venceram ultrapassando um Vit�ria que depois do bom resultado contra os azuis das Antas n�o resistiram aos azuis do Restelo que tiveram em Marc�o a grande figura. No Magalh�es Pessoa, Derlei voltou a facturar e Mourinho conseguiu mais uma importante vit�ria. Veremos agora como se porta a equipa do Lis fora de casa. Quanto ao Mar�timo, depois dos belos resultados no Bessa e na Luz, deixou escapar a vit�ria em Vidal Pinheiro, entregando o ouro ao bandido, em duas desaten��es imperdo�veis da defesa.Na luta pela fuga � despromo��o, o Alverca conseguiu importante vit�ria frente a advers�rio directo mas apenas devido a um penalti duvidoso e a um golo mal anulado a Hassan. Mais um jogo onde a m�o do �rbitro influenciou o resultado final. Em Aveiro, um Santa Clara matreiro alcan�ou um triunfo antes da recep��o ao Porto e fugiu um pouco mais da linha de �gua. Quem est� em queda acentuada � o Set�bal, que perdeu em casa de novo com o Pa�os depois da derrota para a Ta�a. Parece que as goleadas frente a Sporting e Boavista deram nova alma � equipa de Jos� Mota que j� leva quatro vit�rias consecutivas e que fugiu do po�o em que se encontrava � pouco tempo.
Foi assim um fim de semana � sombra das incid�ncias do jogo entre lagartos e lampi�es, que trouxe o campe�o de volta �s vit�rias e de um Porto sem matador � altura. O Campeonato continua assim electrizante, cheio de competitividade, pouca qualidade e de arbitragens pol�micas.Tudo normal...



Francisco Carvalho
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