- 07 de março de 2001

Álcool aumenta risco para aventureiros


NOVA YORK (Reuters Health) - Os amantes da natureza deveriam pensar duas vezes antes de se embriagar quando estão ao ar livre pois ao fazerem isso aumentam o risco de morrer ou se ferir.

A equipe de Torrey Goodman, da Faculdade de Medicina da Universidade do Arizona, em Tucson, e a Associação de Resgate do Sul do Arizona, em Pima County -- avaliaram cem mortes ocorridas em regiões de difícil acesso em Pima County durante um período de 13 anos.

Metade dos mortos tinha níveis mensuráveis de álcool no sangue e 12 por cento apresentaram sinais de uso de drogas, informaram os pesquisadores na edição de março do Annals of Emergency Medicine.

"Estima-se que o álcool foi uma causa "provável" ou "muito provável" em 23 (40 por cento) das 59 mortes por traumatismos acidentais e em 1 (8,3 por cento) das 12 mortes medicamente relacionadas", informaram os especialistas.

A equipe informou que essas regiões isoladas e de difícil acesso incluíam desertos, canyons, montanhas, lagos, quedas-d"água, rios e cavernas.

Os acidentes perto de cachoeiras foram particularmente prevalecentes. Os pesquisadores documentaram 21 mortes em uma área onde pessoas alcoolizadas poderiam facilmente perder o apoio em pedras escorregadias e cair.

"Muitas mortes em áreas isoladas foram relacionadas a acidentes, especialmente quedas, envolvendo uso de álcool. Quando ocorreu acidente ou ferimento, a maioria das mortes foi imediata ou, no mínimo, antes da chegada da equipe médica", observou a equipe.

"Tratamento mais sofisticado não bastaria para melhorar o quadro dos que sobreviveram o suficiente para receber assistência médica. Entretanto, esforços para reduzir as mortes nestas regiões deveriam ser dirigidos à prevenção, especialmente diminuindo o uso de álcool entre visitantes de áreas de difícil acesso", concluíram os pesquisadores.

"Maré vermelha" pode causar até morte

Pescadores e consumidores ainda não foram alertados sobre "maré vermelha", na Baía de Paranaguá, que pode causar intoxicações e até mortes.

Campinas, SP - O atraso no alerta sobre a ocorrência de "maré vermelha" na Baía de Paranaguá, no Paraná, pode facilitar intoxicações entre pescadores e consumidores de peixes e moluscos da região. A "maré vermelha" é um nome genérico para a concentração excessiva de algas em floração, formando grandes manchas no mar (nem sempre de cor vermelha). Dependendo da espécie de alga, podem ser liberadas toxinas na água, causando a mortandade de peixes, contaminando mariscos, mexilhões e ostras e, por conseqüência, os consumidores de pescado e frutos do mar.

As florações são induzidas por alterações na salinidade e temperatura da água do mar, pelo excesso de nutrientes devido ao despejo de esgoto doméstico ou correntes marinhas e marés. As manchas atuais afetam principalmente o norte da Baía de Paranaguá, próximo de Guaraqueçaba, Itaqui e Serra Negra.

Apesar do fenômeno ter sido detectado na última quinta feira, com mortes de peixes, ainda não foi possível identificar a espécie de alga em floração e seu nível de toxicidade. Segundo o especialista em ecotoxicologia aquática, Jackson Bassfeld, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), as análises em microscópios óticos só permitiram verificar que se tratam de nanoflagelados, mas a espécie só será identificada com microscopia eletrônica. "O problema é que os órgãos ambientais também não alertaram os pescadores e a população das localidades mais próximas, apesar de estarmos em plena Quaresma, quando o consumo de pescado é maior", diz Tiaraju Fialho, da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS).

Segundo ele, apesar das análises e identificação das algas não estarem concluídas, só a mortandade de peixes deveria ser suficiente para se alertar a população. Os primeiros efeitos da intoxicação, no homem, podem aparecer imediatamente ou até 24 horas após o consumo de peixes ou frutos do mar contaminados. Os sintomas são dormência na boca, perturbações gastrointestinais, diarréia, fraqueza ou paralisia respiratória ou cardiovascular e, dependendo da quantidade de toxinas ingeridas, morte.

O fenômeno de "maré vermelha" termina quando o ambiente volta às condições normais ou com a ocorrência de ventos suficientes para dispersar as algas ou diminuir a temperatura da água. Mesmo assim, os moluscos teriam de ser examinados para se verificar o grau de contaminação, porque são filtradores de água e acumulam as toxinas.

Enquanto a floração das algas não acaba, segundo a SPVS, as autoridades ambientais deveriam notificar todos os órgãos relacionados direta ou indiretamente à saúde pública; descrever aos médicos os sintomas de intoxicação e medidas profiláticas; alertar a população, pelos meios de comunicação, sobre os perigos do consumo de moluscos coletados na área afetada; avisar os comerciantes, distribuidores e restaurantes e interditar a área afetada.

Liana John

Encontro discute efeitos do veranico na lavoura

O uso de variedades adaptadas à região do cerrado, a utilização do gesso agrícola para diminuir os problemas de acidez de subsuperfície, a adoção do sistema de plantio direto, rotação de culturas e manejo adequado da época de plantio são algumas das técnicas recomendadas pela Embrapa Cerrados para minimizar futuras perdas na produção de grãos do DF.

O assunto estará em pauta, amanhã, no Encontro para Avaliação dos Impactos do Veranico 2001 sobre a Produção de Grãos no DF, a partir das 8h30, promovido pela Embrapa Cerrados e Emater/DF, com participação de produtores, pesquisadores, técnicos, representantes do BRB e Banco do Brasil. Haverá visitas técnicas a propriedades nos núcleos rurais de Taquara, Rio Preto e PAD/DF e reunião às 15h (no PAD/DF), para avaliação dos verdadeiros impactos do veranico sobre as lavouras de grãos, proposição de estratégias tecnológicas para o futuro e discussão de alternativas para os produtores ameaçados com a quebra de safra.

O veranico é o período de falta de chuvas justamente na época em que deveria chover e que corresponde a janeiro e fevereiro aqui na região. O deste ano, segundo avaliação preliminar dos pesquisadores e técnicos das duas empresas, foi muito agressivo, atingindo principalmente a Bahia, Goiás, Minas Gerais, o Distrito Federal e Entorno. As lavouras mais afetadas no DF foram de soja e milho, com quebra estimada de safra em torno de 60 por cento.

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