- 19 de março de 2001

ONU financia recuperação de corais

Dez milhões de dólares serão destinados à criação de centros de excelência na preservação e recuperação de recifes de coral

Campinas, SP - A superexploração da pesca, poluição por esgotos, derramamentos de óleo, excesso de sedimentos e altas temperaturas na superfície do mar estão matando os recifes de coral, em todos os oceanos. E a morte dos corais, por sua vez, ameaça seriamente as espécies de peixes, moluscos, crustáceos, tartarugas e baleias, que dependem deste habitat para sobreviver, além de aumentar a vulnerabilidade das zonas costeiras, atualmente protegidas pelas barreiras de coral. As perspectivas são ainda mais sombrias, quando se consideram as mudanças climáticas, que devem aumentar a freqüência e intensidade das tempestades, potencializando o efeito destruidor de ressacas e furacões nestas zonas costeiras.

Para reverter esta tendência desastrosa, a Fundação das Nações Unidas (UNF) anunciou hoje um compromisso de US$ 10 milhões com a proteção e recuperação dos recifes de coral em quatro localidades, que devem se transformar em centros de excelência e servir de exemplo para o resto do mundo. A gestão dos recursos será feita por uma coalisão de organizações governamentais e não-governamentais - a International Coral Reef Action Network (Icran) - que ainda pretende levantar outros US$ 20 a 30 milhões de empresas e organismos internacionais, para reproduzir os casos de sucesso em outras localidades.

O trabalho da Icran envolve a avaliação dos recifes de coral, seu monitoramento e a educação ambiental de comunidades próximas e campanhas para redução de poluentes, gases do efeito estufa, práticas inadequadas e atividades que possam estar prejudicando os corais. Os centros de excelência serão a Reserva da Biosfera de Si´an Kan (México), os parques marinhos de Malindi e Watamu (Quênia) e a Área de Conservação de Arnavon (Ilhas Salomão). As primeiras localidades de difusão das práticas, lá criadas, deverão ser Portland Bight e Negril (Jamaica), o Sistema de Reservas Marinhas de Dar es Salaam (Tanzânia) e o Parque Bunaken (Indonésia), onde já existem trabalhos em andamento junto às comunidades.

Liana John

Transposição pode matar rio São Francisco, diz Inmet

Brasília - O projeto de transposição das águas do rio São Francisco para o Nordeste poderá "matar o rio" ou "inviabilizar a irrigação" em áreas de Minas Gerais, Pernambuco e Bahia, por onde ele passa, alertou nesta segunda-feira o presidente do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Augusto Athayde.

Para Athayde, desviar uma parte do São Francisco e transpor esta água para outras regiões significa, automaticamente, "limitar" ou "dificultar" projetos de irrigação nas margens do rio. Ele acredita que o projeto pode comprometer, futuramente, o desenvolvimento agrícola justamente onde o plantio é mais viável.

"O custo é menor e é mais fácil irrigar áreas nos Estados de Minas, Pernambuco e Bahia", segundo Athayde. Nestas regiões, disse ele, somente de 10% a 20% da área irrigável foi ocupada pelos produtores rurais e poderiam ser "multiplicadas" muitas vezes. "Mas, se você multiplicar muitas vezes, você vai precisar de mais água. E vai retirar de onde?", questionou.

Além de todas as facilidades financeiras, Athayde disse que as regiões irrigáveis nas margens do São Francisco apresentam topografia "mais adequada" para fazer irrigação e têm "solos que respondem melhor às adubações", em comparação com as terras mais ao norte da região Nordeste.

A transposição poderá virar mais um "problema" para o País, na avaliação de Athayde. Mas ele afirmou que o projeto "é uma decisão política" e que "cabe aos nossos governantes" tomarem essa decisão. O presidente do Inmet deixa claro que a transposição é viável "nas atuais condições". Mas, se no futuro, for aumentada a irrigação nos Estados, disse ele, "vai ter problema de água". Para Athayde, a transposição será "temerária", se não considerar a crescente demanda por áreas irrigáveis nas cidades cortadas pelo rio. O presidente do Inmet alerta ainda para a crescente necessidade por abastecimento de água e geração de energia elétrica.

O rio São Francisco, acredita Athayde, demonstra sinais de que não resistirá à depredação humana e ao desmatamento por muito tempo. Para o presidente do Inmet, grandes barragens do São Francisco, como Três Marias, Sobradinho e o Complexo de Paulo Afonso, "estão com pouca água". O São Francisco é considerado "o rio da integração nacional", lembra Athayde. É por isso que o projeto de transposição "deveria ser melhor estudado", de acordo com ele. No momento, a transposição está sendo avaliada pelos Ministérios do Meio Ambiente e da Integração Nacional.

Hugo Marques

Mancha de óleo aparece no sul da Bahia

Salvador - Uma mancha de óleo de aproximadamente 13 quilômetros de extensão foi localizada no início da noite desta segunda-feira no litoral do município de Marau, no sul da Bahia. O óleo teria vazado de algum petroleiro que trafegou pela região, de acordo com técnicos do Centro de Recursos Ambientais do Estado.

A poluição já atingiu praias do município de Ilhéus e a Petrobras convocou 60 homens para recolher o piche da areia. Até o inicio da noite 300 quilos de piche haviam sido recolhidos.

Biaggio Talento

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