- 15 de março de 2001

A plataforma da morte

Acidente em unidade de extração de petróleo em águas profundas da Petrobras mata operário e abala ainda mais imagem da estatal brasileira, marcada por sucessivos desastres. Sindicalistas culpam política de pessoal da empresa, que troca funcionários de carreira por mão-de-obra desqualificada

Foram três explosões num intervalo de 15 minutos. A primeira ocorreu 20 minutos depois da meia- noite de quarta-feira. A segunda, mais grave e causadora dos maiores estragos, à 0h24. Quando a terceira explosão aconteceu, o fogo já havia transformado num inferno a plataforma P36 da Petrobras, o maior equipamento do tipo em operação no mundo, capaz de produzir 180 mil barris de petróleo por dia, o equivalete a toda a capacidade instalada do país no ano de 1974. A plataforma está instalada na Bacia de Campos, liotral Norte do rio de Janeiro.

Um morto, um ferido com gravidade e nove desaparecidos foi o saldo inicial do grave acidente que desvalorizou o real, derrubou a cotação da empresa no mercado de ações e colocou em xeque, mais uma vez, a segurança nas operações da estatal brasileira, afetada por dezenas de acidentes graves nos últimos anos. Foi o segundo maior acidente da história da Petrobras e o terceiro este ano na bacia de Campos. O mais grave ocorreu na plataforma Enchova 1, também na bacia de Campos, em 1984, quando morreram 37 funcionários.

A direção da empresa disse não haver condições ainda de determinar as causas do acidente. A Federação Única dos Petroleiros, que representa os empregados da Companhia, responsabilizou a política de pessoal conduzida pela atual direção, que dispensou o pessoal do quadro da empresa e recorreu à mão-de-obra terceirizada e não qualificada. O presidente da empresa, Henri Phillippe Reichstul, reconheceu que precisa melhorar a qualificação da mão-de-obra terceirizada.

Nos últimos três anos, 81 petroleiros morreram em acidentes na Petrobras — em média, mais de duas mortes por mês. Deste total, 66 eram empregados terceirizados, contratados por empresas prestadoras de serviço, de acordo com levantamento feito pela FUP (Federação Única dos Petroleiros).

Havia 175 pessoas a bordo, que começaram a ser retiradas imediatamente. O operário Sérgio dos Santos Barbosa, único ferido resgatado na explosão da plataforma P-36, no litoral de Macaé, norte fluminense, está em estado grave, com 98% do corpo queimado, internado no Hospital da Força Aérea, na zona norte do Rio. Ele chegou às 5 horas da manhã transportado por helicóptero. Os demais funcionários foram levados para a plataforma P47 (um navio-cisterna que recebe a produção da P-36), distante 12 km do local do acidente. Depois, foram transferidos de helicóptero para o continente. Um funcionário disse que a explosão ocorreu dentro de uma coluna onde havia tubulação e equipamentos da plataforma, mas nenhum tipo de passagem de petróleo ou de gás. O resgate de todo o pessoal só foi concluído às 9h, quando as famílias já aguardavam em desespero sem notícias dos parentes.

A empresa ainda não avaliou o impacto do acidente na produção da Petrobras. ‘‘É claro que haverá perdas financeiras, mas agora estamos preocupados com as vítimas. E não começamos ainda a contabilizar esses números’’, disse.

AS VÍTIMAS

O FERIDO : Sérgio dos Santos Barbosa, operador.

OS DESAPARECIDOS

Adilson Almeida de Oliveira, operador de produção;

Charles Roberto Oscar, auxiliar de produção;

Emanoel Portela Lima, instrumentista;

Ernesto de Azevedo Couto, operador de produção;

Geraldo Magela Gonçalves, técnico de segurança;

Josevaldo Dias de Souza, técnico
administrativo;

Laerson Antonio dos Santos, mecânico;

Luciano Cardoso Souza, operador de produção;

Mário Sérgio Mateus, técnico de segurança

Sérgio dos Santos Sousa, mecânico.

Convênio garante monitoramento do ozônio

Convênio permitirá uso de dados do Sivam para avaliar camada de ozônio sobre o Brasil.

Campinas, SP - A camada de ozônio estratosférico e a quantidade de raios ultravioleta sobre as diversas regiões do Brasil serão monitoradas mensalmente, a partir de dados fornecidos pelo Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). O acompanhamento será feito pelo novo Centro de Monitoração de Ozônio, criado no âmbito de um convênio firmado, hoje, entre a Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE-UFRJ) e a Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo (CISCEA).

O projeto de pesquisa terá duração de dois anos e conta com fiunanciamento do Sivam de R$200 mil. De acordo com seu coordenador, Cláudio Esperança, da COPPE, as análises da variação da camada estratosférica de ozônio (alta altitude) serão feitas através de um modelo matemático, com relatórios mensais ou até diários, disponibilizados a qualquer usuário, via Internet. Como o índice de radiação ultravioleta na atmosfera também será monitorado, os relatórios podem auxiliar nos estudos sobre o câncer de pele no país, por exemplo.

Liana John

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