A plataforma da morte
Acidente em unidade de extração de petróleo
em águas profundas da Petrobras mata operário e abala
ainda mais imagem da estatal brasileira, marcada por
sucessivos desastres. Sindicalistas culpam política de
pessoal da empresa, que troca funcionários de carreira
por mão-de-obra desqualificada
Foram três explosões num intervalo de 15 minutos. A
primeira ocorreu 20 minutos depois da meia- noite de
quarta-feira. A segunda, mais grave e causadora dos
maiores estragos, à 0h24. Quando a terceira explosão
aconteceu, o fogo já havia transformado num inferno a
plataforma P36 da Petrobras, o maior equipamento do tipo
em operação no mundo, capaz de produzir 180 mil barris
de petróleo por dia, o equivalete a toda a capacidade
instalada do país no ano de 1974. A plataforma está
instalada na Bacia de Campos, liotral Norte do rio de
Janeiro.
Um morto, um ferido com gravidade e nove desaparecidos
foi o saldo inicial do grave acidente que desvalorizou o
real, derrubou a cotação da empresa no mercado de
ações e colocou em xeque, mais uma vez, a segurança
nas operações da estatal brasileira, afetada por
dezenas de acidentes graves nos últimos anos. Foi o
segundo maior acidente da história da Petrobras e o
terceiro este ano na bacia de Campos. O mais grave
ocorreu na plataforma Enchova 1, também na bacia de
Campos, em 1984, quando morreram 37 funcionários.
A direção da empresa disse não haver condições ainda
de determinar as causas do acidente. A Federação Única
dos Petroleiros, que representa os empregados da
Companhia, responsabilizou a política de pessoal
conduzida pela atual direção, que dispensou o pessoal
do quadro da empresa e recorreu à mão-de-obra
terceirizada e não qualificada. O presidente da empresa,
Henri Phillippe Reichstul, reconheceu que precisa
melhorar a qualificação da mão-de-obra terceirizada.
Nos últimos três anos, 81 petroleiros morreram em
acidentes na Petrobras — em média, mais de duas
mortes por mês. Deste total, 66 eram empregados
terceirizados, contratados por empresas prestadoras de
serviço, de acordo com levantamento feito pela FUP
(Federação Única dos Petroleiros).
Havia 175 pessoas a bordo, que começaram a ser retiradas
imediatamente. O operário Sérgio dos Santos Barbosa,
único ferido resgatado na explosão da plataforma P-36,
no litoral de Macaé, norte fluminense, está em estado
grave, com 98% do corpo queimado, internado no Hospital
da Força Aérea, na zona norte do Rio. Ele chegou às 5
horas da manhã transportado por helicóptero. Os demais
funcionários foram levados para a plataforma P47 (um
navio-cisterna que recebe a produção da P-36), distante
12 km do local do acidente. Depois, foram transferidos de
helicóptero para o continente. Um funcionário disse que
a explosão ocorreu dentro de uma coluna onde havia
tubulação e equipamentos da plataforma, mas nenhum tipo
de passagem de petróleo ou de gás. O resgate de todo o
pessoal só foi concluído às 9h, quando as famílias
já aguardavam em desespero sem notícias dos parentes.
A empresa ainda não avaliou o impacto do acidente na
produção da Petrobras. ‘‘É claro que haverá
perdas financeiras, mas agora estamos preocupados com as
vítimas. E não começamos ainda a contabilizar esses
números’’, disse.
AS VÍTIMAS
O FERIDO : Sérgio dos Santos Barbosa, operador.
OS DESAPARECIDOS
Adilson Almeida de Oliveira, operador de produção;
Charles Roberto Oscar, auxiliar de produção;
Emanoel Portela Lima, instrumentista;
Ernesto de Azevedo Couto, operador de produção;
Geraldo Magela Gonçalves, técnico de segurança;
Josevaldo Dias de Souza, técnico
administrativo;
Laerson Antonio dos Santos, mecânico;
Luciano Cardoso Souza, operador de produção;
Mário Sérgio Mateus, técnico de segurança
Sérgio dos Santos Sousa, mecânico.
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Convênio garante
monitoramento do ozônio
Convênio permitirá uso de dados do Sivam para
avaliar camada de ozônio sobre o Brasil.
Campinas, SP - A camada de ozônio estratosférico e a
quantidade de raios ultravioleta sobre as diversas
regiões do Brasil serão monitoradas mensalmente, a
partir de dados fornecidos pelo Sistema de Vigilância da
Amazônia (Sivam). O acompanhamento será feito pelo novo
Centro de Monitoração de Ozônio, criado no âmbito de
um convênio firmado, hoje, entre a Coordenação dos
Programas de Pós-Graduação de Engenharia da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE-UFRJ) e a
Comissão de Implantação do Sistema de Controle do
Espaço Aéreo (CISCEA).
O projeto de pesquisa terá duração de dois anos e
conta com fiunanciamento do Sivam de R$200 mil. De acordo
com seu coordenador, Cláudio Esperança, da COPPE, as
análises da variação da camada estratosférica de
ozônio (alta altitude) serão feitas através de um
modelo matemático, com relatórios mensais ou até
diários, disponibilizados a qualquer usuário, via
Internet. Como o índice de radiação ultravioleta na
atmosfera também será monitorado, os relatórios podem
auxiliar nos estudos sobre o câncer de pele no país,
por exemplo.
Liana John
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