Amianto deve ser
banido do País até 2003
Rio de Janeiro - O uso de amianto deverá ser banido
no País até o fim do governo Fernando Henrique Cardoso,
em janeiro de 2003, garantiu hoje o ministro do Meio
Ambiente, José Sarney Filho. "A proposta de
banimento está sendo estudada pelo Conselho Nacional do
Meio Ambiente (Conama) há mais de um ano e já mandei
ofício pedindo pressa nos procedimentos, mas ainda não
recebi resposta. A posição do presidente é a
mesma", disse o ministro.
Com as declarações Sarney Filho afasta
especulações de que o governo federal desistira de
proibir o uso do mineral no País. "A questão é
muito complexa, mas vamos até o fim", afirmou. Ele
elogiou a decisão da Câmara Municipal de São Paulo de
banir o uso de amianto, que ainda depende de sanção da
prefeita Marta Suplicy (PT).
Em julho de 1999, o ministro do Meio Ambiente anunciou
sua intenção de banir "progressivamente" a
utilização do amianto no Brasil, a exemplo do que
determinara legislação aprovada na época pelos países
da União Européia (UE). Ele encaminhou o projeto ao
Conama, ainda sem prazo para ser efetivado, e criticou o
que chamou de "lobby do amianto". "Existem
forças poderosas, mas não estamos preocupados; essa é
uma decisão política do ministério, que vai ocorrer
progressivamente", afirmou então. O projeto está
sendo discutido até hoje.
Estudos indicam que o contato prolongado por
inalação com amianto pode causar câncer no pulmão,
mesotelioma de pleura (um tumor maligno) e asbestose, que
provoca a perda progressiva da capacidade respiratória.
Os sintomas das doenças podem levar mais de 15 anos para
surgir, após o início da exposição.
Atualmente, o uso do mineral é proibido em 21
países, entre eles o Chile, único na América Latina. A
partir de janeiro de 2005, a decisão valerá para todos
os países-membros da UE. No último dia 15, a Câmara
Municipal de São Paulo aprovou a proibição do uso de
materiais de construção à base de amianto. Foi o
quarto município a banir o mineral no Estado, depois de
Osasco, Mogi-Mirim e São Caetano do Sul. Mato Grosso do
Sul também já proibiu a substância. A principal
resistência ao banimento vem do Estado de Goiás, onde
se concentra a mineração de amianto no País.
"O banimento vai ser impulsionado pelas ações
locais. Não há vontade política de se definir um
projeto nacional, que foi atropelado pela truculência do
lobby do setor", afirma a coordenadora da Rede
Virtual-Cidadã pelo Banimento do Amianto, a engenheira
Fernanda Giannasi. A presidente da Associação
Brasileira do Amianto (Abra), Maria Cecília Pereira de
Mello, não foi localizada hoje para comentar o assunto.
Sarney Filho participou da inauguração do Centro de
Estudos Integrados sobre Meio Ambiente e Mudanças
Climáticas, uma iniciativa conjunta da Universidade
Federal do Rio de Janeiro, através da Coordenação dos
Programa de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe), e da
Universidade de São Paulo. O órgão reúne
especialistas para propor políticas públicas e ações
que reduzam a emissão de gases responsáveis pelo
aquecimento global.
Felipe Werneck
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Zoológico de
Brasília recebe cinco Cangurus
Depois de uma viagem de 12 horas, chegaram ontem a
Brasília cinco cangurus australianos, trazidos da
Holanda para o Zoológico da cidade. Os animais foram
cedidos pela Ape, organização não-governamental
holandesa que apreende animais vendidos ilegalmente e os
recoloca em seu ambiente natural ou em zoológicos.
As três fêmeas e os dois machos desembarcaram ontem às
16h20, e conheceram o novo lar meia hora depois. É um
recinto de aproximadamente 900 metros quadrados, com
quatro abrigos em madeira, que são refúgios para quando
quiserem se isolar dos outros ou estiverem estressados
com a presença do público. A partir de hoje, eles
terão de se acostumar aos olhares de curiosos. O local
onde vivem já está aberto para visitação. Esses
animais são mais ativos no início da manhã e no final
da tarde.
Segundo biólogos do Zoológico, os cangurus não terão
problema de adaptação porque o clima local é
semelhante ao do habitat natural. Eles são nativos do
continente australiano e partes de Papua-Nova Guiné.
Nesses locais, há mais de 60 espécies de cangurus. Os
que estão em Brasília são pequenos, conhecidos como
canguru de pescoço-vermelho. Medem cerca de 80cm de
altura e pesam cerca de 23kg, quando adultos. Têm fortes
pernas traseiras e pés grandes.
Em todo o país, apenas dois zoológicos têm o animal
de origem australiana — os de São Paulo e de Porto
Alegre. Em breve, o Zoológico fará concurso entre seus
visitantes para escolher os nomes dos novos moradores.
Ricardo Borba
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Preservadas para
sempre
Discriminado pela Constituição Federal, que só
reconhece como patrimônio nacional a Floresta
Amazônica, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal
e a Zona costeira, o cerrado começa a ganhar uma nova
legião de defensores.
Mesmo destruído pelo desenvolvimento das cidades e de
pouca importância para produtores rurais que insistem em
transformá-lo em pasto e extensas áreas de cultivo, tem
conquistado a atenção de gente que não tem poder para
controlar o crescimento nem frear a mentalidade
latifundiária, mas que, aos poucos, está descobrindo
que pode proteger o meio ambiente. Para sempre.
A arma é simples e se chama RPPN (ou Reserva Particular
do Patrimônio Natural) e para usá-la basta ter
consciência de que apenas 0,37% dos 2 milhões de km²
de cerrado brasileiro estão protegidos por unidades de
conservação federais (parques, florestas, estações
ecológicas, reservas biológicas, monumentos naturais,
santuários etc). E por conta disso, centenas de
espécies de animais e plantas correm o risco de
desaparecer definitivamente.
As RPPNs são áreas particulares que, pela vontade do
dono, são reconhecidas pelo Instituto Brasileiro de Meio
Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) como
locais de preservação ambiental. É só querer. Não
importa o tamanho, o importante é protegê-la. Em
qualquer lugar do Brasil. Quem transforma uma propriedade
em RPPN sabe que é para sempre. Mesmo que, um dia, as
terras mudem de dono. Ninguém vai poder lotear, desmatar
nem caçar animais.
No Brasil, atualmente, existem 301 RPPNs. Até setembro
do ano passado eram 278. Goiás tinha 28 — hoje são
36, das quais 10 estão localizadas em municípios do
Entorno do DF, que tem apenas três. Juntas, as RPPNs do
DF (Santuário Ecológico Sonhem, Chácara Púrpura e
Chakra Grisu) garantem a proteção de 135 hectares de
cerrado (o equivalente a 135 campos de futebol) e no
entorno são mais 2.570 hectares.
Segundo gerente de RPPNs do Ibama, geógrafa Célia da
Silva Pereira, aumentou bastante o interesse pelo
assunto. A principal dúvida as pessoas é quanto à
garantia de propriedade. ‘‘Temem que o governo
se aposse das terras. Mas esse risco não existe. Se
descumprirem o compromisso de preservar, serão multados.
Nunca perderão a propriedade’’, garante.
Em Brasília, muitos posseiros e arrendatários também
querem informações sobre RPPNs. ‘‘Mas,
existem muitas pendências sobre a titularidade da terra
na região’’, explica. ‘‘No caso de
posseiros, não damos autorização, porque não são
donos. É preciso ser dono legítimo’’. Em São
João da Aliança (GO), na Chapada dos Veadeiros, vinte
pessoas já estão providenciando a papelada para criar
novas reservas.
Outro município onde também está crescendo muito a
preocupação com a natureza é Alto Paraíso de Goiás,
uma região de monoculturas e pasto, no entorno do Parque
Nacional da Chapada dos Veadeiros. De acordo com o
coordenador do Projeto Veadeiros, da WWF (Fundo Mundial
para a Natureza), Ricardo Mesquita, existe uma lista de
40 donos de terras interessados em criar RPPNs. A WWF
presta assessoria técnica e contribui com ajuda de custo
com registro da área, que fica em torno de R$ 600,00
para cada propriedade.‘‘A gente explica que
não vão poder desmatar, nem criar animais na RPPN - só
animais silvestres’’, diz Mesquita. Hoje, Alto
Paraíso tem nove reservas particulares.
Além da vantagem para o meio ambiente, as RPPNs podem
significar mais recursos para os municípios.
‘‘Quanto mais áreas protegidas o município
tiver, maior será a parcela do ICMS (Imposto sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços) que vai
receber’’, explica Célia.
Kátia Marsicano
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