- 09 de abril de 2001

Poluentes formam grande mancha na atmosfera

Altas concentrações de poluentes provenientes da Ásia formam uma neblina marrom, de 10 milhões de km2, sobre a Índia e reduzem a luz solar

Campinas - Uma densa mancha de gases e partículas, com cerca de 10 milhões de quilômetros quadrados de extensão e 3 a 5 km de espessura, permanece na atmosfera sobre a Índia e o Oceano Índico, durante alguns meses, reduzindo a penetração da luz solar em até 10%. Para os cientistas do INDOEX (Indian Ocean Experiment), um grande experimento internacional, a mancha resulta da alta concentração de poluentes produzidos em toda a Ásia e ali acumulados devido aos padrões de circulação atmosférica.

Fuligem, sulfatos, nitratos, partículas orgânicas, cinzas e poeira mineral, resultantes da queima de combustíveis fósseis e de queimadas, estão entre os principais componentes da neblina marrom, examinada por satélites, aviões e instrumentos de solo, no Indoex. Com levantamentos de campo realizados em 1999 por 250 especialistas norte-americanos, europeus e indianos, o experimento consumiu US$ 25 milhões e teve seus resultados apresentados, na semana passada, a especialistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, IPCC, durante uma reunião realizada em Nairóbi, no Quênia.

A neblina marrom se forma sazonalmente, durante a estação seca, e todo ano é literalmente lavada pelas monções, chuvas de junho a setembro, com ventos fortes, que caracterizam o verão indiano. Um fenômeno semelhante acontece sobre o Oceano Atlântico Sul, com o acúmulo de gases e fuligem das queimadas realizadas na África Equatorial e no Brasil, sobretudo entre os meses de setembro e outubro. Um grande experimento realizado por cientistas da agência espacial norte-americana (NASA) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) também estudou a mancha do Atlântico Sul. A diferença básica entre os dois é a composição, sendo que na mancha da Índia há mais poluentes industriais, com maior dano potencial à saúde humana.

Também as queimadas agrícolas das ilhas do Pacífico, próximas da Indonésia, acumulam poluentes, empurrados de Leste para Oeste pelos ventos predominantes. A "linha de chaminés", como é chamada, acaba contribuindo para a grande mancha da Índia.

"Ainda é cedo para saber de que forma a neblina marrom altera as monções e os padrões climáticos regionais e globais", declarou em nota oficial à imprensa um dos coordenadores do experimento, Veerabhadran Ramanathan, do Instituto de Oceanografia Scripps, dos Estados Unidos. Os cientistas concordaram em ampliar e aprofundar os estudos e, para tanto, devem estabelecer uma rede de estações de monitoramento de solo em vários pontos da Ásia. Para o ganhador do Prêmio Nobel de Química, Paul Crutzen, do Instituto Max Planck, outro coordenador do Indoex, "este estudo é tão importante quanto o da destruição da camada de ozônio (que lhe rendeu o Nobel), dada a escala potencial do problema e o número de pessoas que podem ser afetadas".

Liana John

Seminário debate o Sistema Nacional de Unidades de Conservação

Pirenópolis, GO - A minuta do decreto que irá regulamentar o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) começou a ser consolidada hoje em um seminário promovido pelo Ministério do Meio Ambiente, que reuniu cerca de 130 representantes de órgãos governamentais e organizações não governamentais (ONGs) de todo o País, relacionados ao meio ambiente. O encontro, realizado na cidade goiana de Pirenópolis, termina nesta quarta-feira, quando o texto aprovado será entregue ao ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, que o encaminhará à Casa Civil da Presidência para a análise final.

Para o Ministério do Meio Ambiente, o maior desafio desse seminário será produzir uma regulamentação que torne aplicável a Lei do SNUC, aprovada em julho do ano passado. O recado foi transmitido pelo presidente do Ibama, Hamilton Casara, que abriu o seminário em nome do ministro Sarney Filho. “Não podemos perder de vista duas coisas: a amplitude e diversidade das variáveis (ambiental, social, cultural, econômica e política) e a necessidade de desburocratização”, recomendou Casara, observando que, se o governo não dispuser dos instrumentos adequados para assegurar a preservação ambiental, não terá como acompanhar a agilidade do processo produtivo.

“É preciso diminuir os papéis e melhorar os sistemas de controle de campo, que é o que funciona na prática, senão, vamos sempre chegar atrasados”, salientou.

A diretora do Programa Nacional de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente, Inah Simonetti, deixou claro no seminário os limites do decreto, procurando evitar a repetição dos embates entre preservacionistas radicais e socioambientalistas. “Não podemos extrapolar os limites da lei, invadir competências de Estados e municípios e nem criar novas obrigações tanto aos poderes públicos quanto aos particulares”, frisou Simonetti, observando que a função do decreto será a de lapidar a Lei do SNUC e estimular a aproximação das unidades de conservação (parques, reservas etc) das comunidades locais.

Ambientalistas de tendências diversas compartilham com o Ministério do Meio Ambiente a idéia de que é necessário tornar a Lei aplicável. Mesmo discordando em relação a alguns dispositivos, como a possibilidade de manejo em áreas particulares que devem ser integralmente protegidas, os ambientalistas concordam que o mais importante agora é fortalecer o Ministério do Meio Ambiente apresentando uma proposta de consenso. “Temos que formar uma coalizão em torno do decreto para que a Lei seja efetivamente aplicada”, afirmou Muriel Saragoussi, da Fundação Vitória Amazônica.

“A discussão agora tem de ser o mais técnica e participativa possível, temos de pensar em como divulgar a Lei e implementá-la e também em quem serão nossos oponentes, pois essa briga ainda é longa”, defendeu Analuce Freitas, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF).

Nelson Breve

Ibama inicia combate à pesca predatória

Brasília - O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) começará nesta terça-feira pela região Sul uma operação nacional de combate à pesca predatória e ao derramamento de óleo de embarcações em todo o litoral brasileiro.

A operação contará com o apoio da Petrobras e da Marinha. Hoje, os crimes ambientais marinhos são considerados dos mais graves do País.

O Ibama pretende estender as operações, que incluem fiscalização, treinamento específico e orientação, a uma área equivalente à 20 milhas da costa no Sul do País e depois a todos os Estados litorâneos.

Um dos principais alvos do orgão são os barcos de bandeira estrangeira que derramam óleo e substâncias químicas nas águas brasileiras e raramente são punidos.

Mas um dos principais problemas observados nos últimos anos pelo Ibama é a pesca predatória, principalmente a que é feita por arrastão.

Segundo fiscais da área ambiental, nos últimos anos tem havido um grande prejuízo para a fauna e flora marinha, reduzindo-se os estoques pesqueiros e destruindo-se a cadeia alimentar marítima.

Edson Luiz

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