| Bush caminha para o
isolamento
Paris Aperta-se o cerco ao presidente americano,
George W. Bush, que decidiu não enviar o Protocolo de
Kyoto ao Congresso de seu país, para ser ratificado.
Enquanto as Nações Unidas lançam uma proposta
conciliatória entre as posições divergentes dos
Estados Unidos e da União Européia (UE) sobre que
medidas o mundo precisa tomar para conter o efeito estufa
e o aquecimento da Terra, o coro dos governantes
insatisfeitos com a decisão do presidente americano não
pára de engrossar.
A reação tem sido puxada pelos europeus, que esta
semana concluíram uma bem-sucedida operação, liderada
pelo ministro do Meio Ambiente da Suécia (país que
exerce a presidência da UE neste semestre), de
aliciamento do Canadá, Rússia, Irã, China e Japão
contra a decisão americana. Ontem, enquanto a Nova
Zelândia anunciava também seu desagrado, rumores
surgiam em Londres de que o primeiro-ministro britânico,
Tony Blair, também torceria o nariz para seu tradicional
aliado.
O presidente francês, Jacques Chirac, também fez
questão de manifestar seu desagrado ao secretário
norte-americano de Estado, Colin Powell, quando os dois
encontraram-se em Paris, na quarta-feira, para discutir a
situação da Iugoslávia.
Tantos puxões de orelha demonstram o quanto os Estados
Unidos se arriscam num possível isolamento político em
torno de um tema crucial no mundo de hoje. Bush conta
apenas com o apoio de alguns países que também querem
maior complacência para poluir, como a Austrália, ou
que poderiam se beneficiar do comércio de depósitos de
lixo poluente, como é o caso da Rússia.
Na prática, a maior potência industrial do planeta não
precisa do apoio de ninguém. Os Estados Unidos emitem
cerca de 25% dos gases que causam o efeito estufa na
atmosfera, e sem a ratificação de seu Congresso, o
Protocolo de Kyoto fica inviabilizado.
De pouco adiantaria a decisão da União Européia,
anunciada semana passada por Margot Wallström,
comissária de Meio Ambiente da UE, de cumprir os
compromissos assumidos. Em suma, um grupo de 38 países
desenvolvidos comprometeram-se a reduzir, até 2012, suas
emissões de gases de efeito estufa por volta de 5,2% em
relação ao patamar de 1990.
A decisão de George W. Bush, alegando possíveis
prejuízos que as metas de Kyoto poderiam causar na já
combalida economia americana, apenas radicalizou um
impasse que já existia desde o fracasso da reunião de
Haia (Holanda), em novembro passado. Nela, os 110 países
que assinaram o Protocolo de Kyoto em 1997 tentaram
definir que tipo de mecanismos poderiam ser utilizados
para se fazer cumprir a meta de 5,2% de redução nas
emissões globais de gases de efeito estufa.
Na visão européia, cada país industrializado seria
obrigado a fazer suas indústrias poluírem menos ou a
adotarem energias limpas. Os Estados Unidos, por sua vez,
preferem comprar florestas ou
créditos de outros países que
viessem a realizar sua lição de casa e, em troca,
teriam permissão para continuar poluindo.
Uma nova tentativa de dobrar a administração Bush
acontecerá nos dias 20 e 21, em Nova York, durante a
reunião preparatória do encontro de Berlim, em julho,
quando os 110 signatários do Protocolo de Kyoto
tentarão chegar a um acordo.
Para convencer Bush a mudar de posição, o presidente da
Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU, Jan
Pronk (ministro de Meio Ambiente da Holanda), anunciou na
quinta-feira uma proposta conciliatória, que prevê a
utilização, em certos casos, dos sumidouros de dióxido
de carbono para o cálculo das metas de redução de
emissões.
Resta saber se isso bastará para dobrar George W. Bush,
que defende que países em desenvolvimento, ao contrário
do que prevê o Protocolo de Kyoto, também sejam
obrigados a controlar suas emissões de gás carbônico
proposta rechaçada por países como a China,
Índia ou Brasil.
Marcos Savini
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Petrobras pode pagar
multa máxima
A Petrobras será multada em até R$ 50 milhões pelo
vazamento de 26 mil litros de óleo cru da Plataforma
P-7, no Campo de Bicudo, na Bacia de Campos, norte
fluminense, ocorrido na quinta-feira. Uma equipe de
técnicos do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e
Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vai elaborar um
relatório sobre o acidente, a ser encaminhado à
presidência do instituto, que tomará a decisão sobre o
valor da multa até a próxima semana.segundo o
diretor de Controle Ambiental do órgão, Humberto
Candeias. Não me arrisco a fazer uma
previsão sobre quanto será, disse ele,
esclarecendo que R$ 50 milhões é a multa máxima para
esse tipo de caso. Após sobrevoar ontem novamente a
área do vazamento, Candeias e o coordenador regional do
Ibama no Rio, Carlos Henrique Abreu Mendes, constataram
que a Petrobras intensificou as medidas de combate à
mancha. Na véspera, representantes do Ibama e da
Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente
(Feema) consideraram insuficientes a quantidade de
barcos, barreiras e lanchas usadas na operação.
As medidas agora são
satisfatórias, atestou Candeias. Segundo
ele, ontem havia três barreiras para coleta de óleo (na
quinta, era só uma) e cinco lanchas de dispersão
(antes, eram duas). Ao todo, 14 embarcações estão
operando no local.
O diretor do Ibama avaliou que a mancha deve estar
totalmente dispersada hoje. Ela já diminuiu de tamanho:
dos 50km² da véspera, reduzira-se a cerca de 30km².
Dos 26 mil litros, há de 7 mil a 10 mil
litros no mar; cerca de 16 mil a 20 mil litros já foram
coletados ou dispersados. A mancha continua
em alto-mar, a mais de 100km da costa, e deve continuar
assim se permanecerem as atuais condições climáticas e
de mar, informou Candeias. Ele disse que o ministro do
Meio Ambiente, José Sarney Filho, mandou preparar um
plano de contingência para toda a Bacia de Campos, de
onde sai 80% do petróleo extraído no Brasil. A região
tem 40 plataformas. A Petrobras informou que a P-7, que
produz 15,6 mil barris diários, voltará a operar hoje
ou, no máximo, amanhã. Ontem, 96 pessoas já estavam a
bordo. Imediatamente após o acidente, foram retirados
106 trabalhadores, dos 143 que estavam no local.
Geraldo Falcão
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