15 de abril de 2001.

Bush caminha para o isolamento


Paris — Aperta-se o cerco ao presidente americano, George W. Bush, que decidiu não enviar o Protocolo de Kyoto ao Congresso de seu país, para ser ratificado. Enquanto as Nações Unidas lançam uma proposta conciliatória entre as posições divergentes dos Estados Unidos e da União Européia (UE) sobre que medidas o mundo precisa tomar para conter o efeito estufa e o aquecimento da Terra, o coro dos governantes insatisfeitos com a decisão do presidente americano não pára de engrossar.

A reação tem sido puxada pelos europeus, que esta semana concluíram uma bem-sucedida operação, liderada pelo ministro do Meio Ambiente da Suécia (país que exerce a presidência da UE neste semestre), de aliciamento do Canadá, Rússia, Irã, China e Japão contra a decisão americana. Ontem, enquanto a Nova Zelândia anunciava também seu desagrado, rumores surgiam em Londres de que o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, também torceria o nariz para seu tradicional aliado.

O presidente francês, Jacques Chirac, também fez questão de manifestar seu desagrado ao secretário norte-americano de Estado, Colin Powell, quando os dois encontraram-se em Paris, na quarta-feira, para discutir a situação da Iugoslávia.

Tantos puxões de orelha demonstram o quanto os Estados Unidos se arriscam num possível isolamento político em torno de um tema crucial no mundo de hoje. Bush conta apenas com o apoio de alguns países que também querem maior complacência para poluir, como a Austrália, ou que poderiam se beneficiar do comércio de depósitos de lixo poluente, como é o caso da Rússia.

Na prática, a maior potência industrial do planeta não precisa do apoio de ninguém. Os Estados Unidos emitem cerca de 25% dos gases que causam o efeito estufa na atmosfera, e sem a ratificação de seu Congresso, o Protocolo de Kyoto fica inviabilizado.

De pouco adiantaria a decisão da União Européia, anunciada semana passada por Margot Wallström, comissária de Meio Ambiente da UE, de cumprir os compromissos assumidos. Em suma, um grupo de 38 países desenvolvidos comprometeram-se a reduzir, até 2012, suas emissões de gases de efeito estufa por volta de 5,2% em relação ao patamar de 1990.
A decisão de George W. Bush, alegando possíveis prejuízos que as metas de Kyoto poderiam causar na já combalida economia americana, apenas radicalizou um impasse que já existia desde o fracasso da reunião de Haia (Holanda), em novembro passado. Nela, os 110 países que assinaram o Protocolo de Kyoto em 1997 tentaram definir que tipo de mecanismos poderiam ser utilizados para se fazer cumprir a meta de 5,2% de redução nas emissões globais de gases de efeito estufa.

Na visão européia, cada país industrializado seria obrigado a fazer suas indústrias poluírem menos ou a adotarem energias limpas. Os Estados Unidos, por sua vez, preferem comprar florestas ou ‘‘créditos’’ de outros países que viessem a realizar sua lição de casa e, em troca, teriam permissão para continuar poluindo.

Uma nova tentativa de dobrar a administração Bush acontecerá nos dias 20 e 21, em Nova York, durante a reunião preparatória do encontro de Berlim, em julho, quando os 110 signatários do Protocolo de Kyoto tentarão chegar a um acordo.

Para convencer Bush a mudar de posição, o presidente da Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU, Jan Pronk (ministro de Meio Ambiente da Holanda), anunciou na quinta-feira uma proposta conciliatória, que prevê a utilização, em certos casos, dos sumidouros de dióxido de carbono para o cálculo das metas de redução de emissões.

Resta saber se isso bastará para dobrar George W. Bush, que defende que países em desenvolvimento, ao contrário do que prevê o Protocolo de Kyoto, também sejam obrigados a controlar suas emissões de gás carbônico — proposta rechaçada por países como a China, Índia ou Brasil.

Marcos Savini

Petrobras pode pagar multa máxima


A Petrobras será multada em até R$ 50 milhões pelo vazamento de 26 mil litros de óleo cru da Plataforma P-7, no Campo de Bicudo, na Bacia de Campos, norte fluminense, ocorrido na quinta-feira. Uma equipe de técnicos do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vai elaborar um relatório sobre o acidente, a ser encaminhado à presidência do instituto, que tomará a decisão sobre o valor da multa até a próxima semana.

segundo o diretor de Controle Ambiental do órgão, Humberto Candeias. ‘‘Não me arrisco a fazer uma previsão sobre quanto será’’, disse ele, esclarecendo que R$ 50 milhões é a multa máxima para esse tipo de caso. Após sobrevoar ontem novamente a área do vazamento, Candeias e o coordenador regional do Ibama no Rio, Carlos Henrique Abreu Mendes, constataram que a Petrobras intensificou as medidas de combate à mancha. Na véspera, representantes do Ibama e da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) consideraram insuficientes a quantidade de barcos, barreiras e lanchas usadas na operação. ‘‘As medidas agora são satisfatórias’’, atestou Candeias. Segundo ele, ontem havia três barreiras para coleta de óleo (na quinta, era só uma) e cinco lanchas de dispersão (antes, eram duas). Ao todo, 14 embarcações estão operando no local.

O diretor do Ibama avaliou que a mancha deve estar totalmente dispersada hoje. Ela já diminuiu de tamanho: dos 50km² da véspera, reduzira-se a cerca de 30km². ‘‘Dos 26 mil litros, há de 7 mil a 10 mil litros no mar; cerca de 16 mil a 20 mil litros já foram coletados ou dispersados.’’ A mancha continua em alto-mar, a mais de 100km da costa, e deve continuar assim se permanecerem as atuais condições climáticas e de mar, informou Candeias. Ele disse que o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, mandou preparar um plano de contingência para toda a Bacia de Campos, de onde sai 80% do petróleo extraído no Brasil. A região tem 40 plataformas. A Petrobras informou que a P-7, que produz 15,6 mil barris diários, voltará a operar hoje ou, no máximo, amanhã. Ontem, 96 pessoas já estavam a bordo. Imediatamente após o acidente, foram retirados 106 trabalhadores, dos 143 que estavam no local.

Geraldo Falcão

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