| Reunião dos verdes
Representantes de partidos verdes do mundo inteiro
cansaram de assistir tranqüilamente à destruição do
planeta. Cerca de 700 deles, 330 estrangeiros, se
reunirão a partir de amanhã em Camberra, capital
australiana, para o Encontro Verde Global, maior reunião
desse tipo já realizada no mundo. Eles discutirão
problemas de meio ambiente e, com mais ênfase, a recusa
do presidente norte-americano, George W. Bush, em
ratificar o Protocolo de Kyoto, que prevê menores
emissões de gases causadores do efeito estufa na
atmosfera.
É o momento de todos os movimentos
ambientalistas do mundo se unirem e reafirmarem seu forte
interesse nas negociações sobre mudanças climáticas.
Isso acontece num momento importante por causa do que
está acontecendo nos Estados Unidos, afirmou
Patrina Dunaru, diretora do Centro de Recursos do
Pacífico, nas ilhas Fiji. Durante a visita de Fernando
Henrique Cardoso aos Estados Unidos no mês passado, Bush
anunciou que não vai assinar o protocolo criado em 1997
no Japão, estabelecendo metas para 38 países
industrializados.
Participam da reunião representantes de 29 países. Do
Brasil foram cinco integrantes do Partido Verde. O
objetivo é divulgar no domingo um manifesto que está em
elaboração há dois anos e será seguido por grupos de
ambientalistas do mundo inteiro e seus simpatizantes.
Esse manifesto será acompanhado de um
documento político que pretende unir os partidos
políticos verdes, principalmente nos países em
desenvolvimento, explicou o organizador do
encontro, o senador australiano Bob Brown.
Ele ressaltou que os partidos verdes são a principal
alternativa ao racionalismo econômico, pois investem
mais em políticas sociais. Isso explica o crescente
sucesso dos verdes em países europeus onde
participam de diversos governos e até nos Estados
Unidos, onde o candidato à Presidência Ralph Nader
obteve uma votação surpreendente em novembro do ano
passado. Questões como o aquecimento global,
o crescente abismo entre ricos e pobres e as ameaças à
democracia são prioritárias em nossa
agenda, afirmou Brown.
Segundo o senador, o resto do mundo não deve desistir de
lutar pela preservação ambiental por causa da decisão
americana. A postura de Bush frente ao Protocolo de Kyoto
causou revolta na Europa, onde os países demonstraram
maior interesse em reduzir as emissões de gases estufa
principalmente em usinas de energia e nos
escapamentos dos carros. Não é o tipo de
medida ambiental que deva ser ignorada ou ter sua
importância reduzida, disse Margot
Wallstroem, ministra do Meio Ambiente da União Européia
(UE), que não descartou a possibilidade de retaliar os
governo de Bush por sua atitude.
O ministro do Meio Ambiente britânico, Michael Meacher,
considerou a decisão de Bush
excepcionalmente séria. Outros
pediram uma resposta radical. Não vejo
problema se o mundo inteiro boicotar as companhias
energéticas dos Estados Unidos, sugeriu o
ex-ministro do Meio Ambiente finlandês, Pekka Haavisto,
repetindo a idéia proposta pela organização defensora
do meio ambiente Greenpeace.
O Protocolo de Kyoto estabeleceu que até 2012 os países
industrializados devem reduzir em média 5,2% a emissão
de gases estufa, como dióxido de carbono e metano. A
União Européia prometeu reduzir em 8%, e o Japão em
6%. Os EUA sugerem que a medida se estenda às nações
em desenvolvimento e que qualquer governo possa comprar
cotas de poluição dos países
que não emitem os gases estufa.
Continuaremos trabalhando com nossos aliados
para reduzir as emissões, mas não aceitarei uma
proposta que esfrie nossa economia e prejudique os
trabalhadores americanos, disse Bush.
AP e Reuters
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Órgãos ambientais
vão fiscalizar Petrobras
Há suspeita de que algumas plataformas da
empresa na Bacia de Campos estejam operando sem
licenciamento ambiental e de que a logística adotada no
combate a vazamentos seja deficiente.
Rio de Janeiro - As plataformas da Petrobras na Bacia
de Campos serão fiscalizadas a partir de segunda-feira
pelos órgãos ambientais. A afirmação é do presidente
da Federação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente
(Feema), Axel Grael. Segundo ele, algumas plataformas
estão operando sem licenciamento ambiental. A Feema e o
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos
Renováveis (Ibama), que vão realizar o trabalho de
fiscalização, poderão solicitar uma auditoria
ambiental da empresa nas plataformas.
Jacqueline Farid
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