- 14 de abril de 2001.

Reunião dos verdes


Representantes de partidos verdes do mundo inteiro cansaram de assistir tranqüilamente à destruição do planeta. Cerca de 700 deles, 330 estrangeiros, se reunirão a partir de amanhã em Camberra, capital australiana, para o Encontro Verde Global, maior reunião desse tipo já realizada no mundo. Eles discutirão problemas de meio ambiente e, com mais ênfase, a recusa do presidente norte-americano, George W. Bush, em ratificar o Protocolo de Kyoto, que prevê menores emissões de gases causadores do efeito estufa na atmosfera.
‘‘É o momento de todos os movimentos ambientalistas do mundo se unirem e reafirmarem seu forte interesse nas negociações sobre mudanças climáticas. Isso acontece num momento importante por causa do que está acontecendo nos Estados Unidos’’, afirmou Patrina Dunaru, diretora do Centro de Recursos do Pacífico, nas ilhas Fiji. Durante a visita de Fernando Henrique Cardoso aos Estados Unidos no mês passado, Bush anunciou que não vai assinar o protocolo criado em 1997 no Japão, estabelecendo metas para 38 países industrializados.

Participam da reunião representantes de 29 países. Do Brasil foram cinco integrantes do Partido Verde. O objetivo é divulgar no domingo um manifesto que está em elaboração há dois anos e será seguido por grupos de ambientalistas do mundo inteiro e seus simpatizantes. ‘‘Esse manifesto será acompanhado de um documento político que pretende unir os partidos políticos verdes, principalmente nos países em desenvolvimento’’, explicou o organizador do encontro, o senador australiano Bob Brown.

Ele ressaltou que os partidos verdes são a principal alternativa ao racionalismo econômico, pois investem mais em políticas sociais. Isso explica o crescente sucesso dos verdes em países europeus — onde participam de diversos governos — e até nos Estados Unidos, onde o candidato à Presidência Ralph Nader obteve uma votação surpreendente em novembro do ano passado. ‘‘Questões como o aquecimento global, o crescente abismo entre ricos e pobres e as ameaças à democracia são prioritárias em nossa agenda’’, afirmou Brown.

Segundo o senador, o resto do mundo não deve desistir de lutar pela preservação ambiental por causa da decisão americana. A postura de Bush frente ao Protocolo de Kyoto causou revolta na Europa, onde os países demonstraram maior interesse em reduzir as emissões de gases estufa — principalmente em usinas de energia e nos escapamentos dos carros. ‘‘Não é o tipo de medida ambiental que deva ser ignorada ou ter sua importância reduzida’’, disse Margot Wallstroem, ministra do Meio Ambiente da União Européia (UE), que não descartou a possibilidade de retaliar os governo de Bush por sua atitude.

O ministro do Meio Ambiente britânico, Michael Meacher, considerou a decisão de Bush ‘‘excepcionalmente séria’’. Outros pediram uma resposta radical. ‘‘Não vejo problema se o mundo inteiro boicotar as companhias energéticas dos Estados Unidos’’, sugeriu o ex-ministro do Meio Ambiente finlandês, Pekka Haavisto, repetindo a idéia proposta pela organização defensora do meio ambiente Greenpeace.

O Protocolo de Kyoto estabeleceu que até 2012 os países industrializados devem reduzir em média 5,2% a emissão de gases estufa, como dióxido de carbono e metano. A União Européia prometeu reduzir em 8%, e o Japão em 6%. Os EUA sugerem que a medida se estenda às nações em desenvolvimento e que qualquer governo possa comprar ‘‘cotas de poluição’’ dos países que não emitem os gases estufa. ‘‘Continuaremos trabalhando com nossos aliados para reduzir as emissões, mas não aceitarei uma proposta que esfrie nossa economia e prejudique os trabalhadores americanos’’, disse Bush.

AP e Reuters

Órgãos ambientais vão fiscalizar Petrobras

Há suspeita de que algumas plataformas da empresa na Bacia de Campos estejam operando sem licenciamento ambiental e de que a logística adotada no combate a vazamentos seja deficiente.

Rio de Janeiro - As plataformas da Petrobras na Bacia de Campos serão fiscalizadas a partir de segunda-feira pelos órgãos ambientais. A afirmação é do presidente da Federação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema), Axel Grael. Segundo ele, algumas plataformas estão operando sem licenciamento ambiental. A Feema e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), que vão realizar o trabalho de fiscalização, poderão solicitar uma auditoria ambiental da empresa nas plataformas.

Jacqueline Farid

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