- 13 de abril de 2001.

Shell admite poluir subsolo

A representante da Shell admitiu ontem em depoimento à Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Assembléia Legislativa de São Paulo que, desde 1993, a empresa sabia da contaminação da área de sua fábrica de agrotóxicos em Paulínia com organoclorados de tipo drins e metais pesados, substâncias altamente tóxicas. Apesar de informada do problema desde 1994, quando a Shell se denunciou, a Cetesb não determinou que fosse analisada a água dos poços das chácaras vizinhas, a 15 metros da fábrica.

O secretário de Meio Ambiente de Paulínia, Henrique Padovani, não entende como a Cetesb ignorou o problema. ‘‘É área de preservação permanente, onde jamais deveria ter sido instalada uma indústria desse tipo.’’ No ano passado, por exigência dos moradores da vizinhança, a própria Shell analisou a água que eles bebiam. Desde então, a empresa fornece água aos moradores e compra sua produção agrícola.

Agência Estado

Conselho pela biodiversidade

A proposta de regulamentação do projeto que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (Snuc) — conjunto de parques, reservas e áreas de proteção ambiental —, que deverá ser recomendada pelo Ministério do Meio Ambiente à Presidência da República, prevê um equilíbrio de forças entre o poder público e a sociedade nas decisões sobre a exploração econômica de áreas sujeitas à proteção da biodiversidade. A proposta prevê que todas as unidades de conservação, exceto as Reservas Particulares do Patrimônio Natural, terão um conselho deliberativo ou consultivo.

Agência Estado

Vigilância conta febre aftosa

As Forças Armadas passarão a vigiar áreas vulneráveis ao contrabando de gado na fronteira entre Santa Catarina e Argentina para evitar a contaminação do rebanho bovino do estado pela febre aftosa, que se espalha pelo país vizinho. A ordem às Forças Armadas foi dada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e comunicada ao ministro da Agricultura, Pratini de Moraes.

Haverá vigilância em pontos considerados estratégicos para impedir a entrada clandestina de animais vivos ou mercadorias que possam ser portadoras da doença. O reforço na vigilância já efetuada pelo Ministério da Agricultura tem como objetivo proteger o rebanho catarinense, estimado em 2,5 milhões de cabeças de gado, que é considerado livre da febre aftosa ‘‘sem vacinação’’ pelas autoridades sanitárias brasileiras.

Para a operação, as forças armadas vão deslocar batalhões de soldados. Com a autorização para que o Exército, Marinha e Aeronáutica atuem na fronteira entre Santa Catarina e Argentina, fica faltando apenas atender ao pedido do governo do Paraná, encaminhado ao Ministério da Agricultura na última terça-feira, pelo secretário estadual da Agricultura, Antonio Poloni. Desde o mês passado as Forças Armadas já vêm atuando na fronteira do Rio Grande do Sul com o país vizinho, nas localidades consideradas mais vulneráveis ao contrabando na região. O maior receio do governo é que os produtores, atraídos pelos baixos preços do gado na Argentina (depreciados pela aftosa) comprem animais contaminados pelo vírus da doença.

Agência Folha

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