- 10 de abril de 2001

Posto é depredado no Parque Intervales

Sete Barras, SP - Um posto de vigilância do Parque Estadual de Intervales, reserva florestal de mata atlântica em Sete Barras, interior de São Paulo, foi arrombado e depredado durante o último fim de semana. A Polícia Florestal acredita que a ação pode ter sido uma vingança pela morte do palmiteiro Odair Alves de Souza, baleado no dia 17 de fevereiro pelo vigia José Vieira, quando retirava palmitos da reserva.

Os invasores furtaram equipamentos de rádio-comunicação e utensílios, além de terem quebrado as janelas e portas da instalação. Também foram cortadas todas as palmeiras da espécie juçara que havia no entorno. Os palmitos que essas árvores produzem foram extraídos e levados.

O posto funciona também como base de apoio para cientistas que fazem pesquisas na reserva. Não havia ninguém na base, por segurança, desde a morte do palmiteiro, pois seus parentes vinham prometendo vingança. O trabalho de pesquisa também estava suspenso. O parque tem 49 mil hectares e conta com nove vigias.

José Maria Tomazela

Petrobras multada no Paraná

O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) considerou gravíssimo o vazamento do duto da Petrobras, na Serra do Mar, em 16 de fevereiro, que atingiu até 80 centímetros de profundidade no canal de drenagem. No ponto do rompimento, em razão da necessidade de remover o solo, a área diretamente atingida chegou a 300 metros quadrados.

O laudo foi entregue ontem ao Ibama, que o solicitou para subsidiar as ações contra a Petrobras. De acordo com o documento do IAP, foram coletados 52 mil litros de óleo diesel. O produto atingiu os rios do Meio, Sagrado, dos Neves e Nhundiaquara, numa extensão de 18 quilômetros, até chegar à Baía de Antonina.

Os técnicos consideraram o acidente gravíssimo, por ter atingido um ecossistema bastante frágil, em um dos trechos mais bem conservados da Mata Atlântica. Ainda segundo o laudo, o óleo de toxicidade aguda, dificultou a respiração dos peixes. O documento aponta que, 11 dias após o acidente, o IAP ainda registrava mortandade de peixes.

O relatório também registra falhas no atendimento da Petrobras, que divulgou número errado sobre a quantidade do produto derramado, culminando em falhas na distribuição de equipamentos e pessoal.

Polícia Federal retém barco com minérios

A Polícia Federal apreendeu ontem sete toneladas de ametista e 300 quilos de tantalita, retirados ilegalmente da reserva dos índios tucano, na fronteira do Brasil com a Colômbia. Os índios não tinham autorização para explorar os minérios em suas terras, decisão que cabe exclusivamente à União. O carregamento foi apreendido a bordo do barco de passageiros Tanaka, que está retido no porto de São Raimundo, em Manaus.

Segundo o diretor do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Fernando Burgos, a tantalita é um minério estratégico, e contém pequena taxa de radioatividade (principalmente urânio e tório). Todo o carregamento era destinado à cidade mineira de Governador Valadares, e suspeita-se que seria contrabandeado para o exterior, provavelmente, aos Estados Unidos.

A ametista e a tantalita foram extraídas pelos próprios tucanos do Rio Tiquié, patrocinados pela Cooperíndio — uma organização não-governamental, estruturada pelos índios para explorar os abundantes minérios que possuem em sua área. O estranho é que todo o minério foi apreendido em poder do minerador Adi Nagel Júnior, que se auto-denomina vice-presidente da cooperativa. As notas fiscais apresentadas por ele, com as quais poderia despachar a mercadoria, revelam preços irrisórios. Os 300 quilos de tantalita foram declarados com o preço de R$ 4,5 mil. (AJB)

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