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Alzheimer - Experiência de uma cuidadora

     Nós temos a idéia de que queremos envelhecer, mas não queremos ser velhos e só nos preocupamos com a idade quando começamos a envelhecer. Ser velho é ser herói, para enfrentar a outra etapa da vida.

    Antes, na medicina era dado mais importância ao envelhecimento biológico, mas há mais ou menos, 20 anos, os geriatras e gerontólogos estão dando ênfase especial ao envelhecimento psicológico e, no momento, o envelhecimento psicológico é o que mais chama atenção em um envelhecimento.

    Masche, pediatra, prefaciando a obra "Enfermidades do Senium", criou o termo Geriatria que é a especialidade que trata das enfermidades do idoso. No século XX, em 1901, Metchinikoff, realizou estudos sobre a biologia do envelhecimento, criou o termo Gerontologia que é a especialidade que estuda o processo fisiológico do envelhecimento. em um tratamento no idoso com demência, os geriatras e gerontólogos mandam fazer testes psicológicos, para avaliar as condições mentais e psicológicas do paciente, em virtude das transformações psicológicas adaptativas a essa nova realidade da vida.

    O processo psicológicodo idoso está calcado em :

Envelhecimento e Capacidade de Adaptação

    Surge daí uma série de reações normais e anormais:

    1- Envelhecimento: São alterações físicas e intelectuais de uma pessoa.

    2- Capacidade de adaptação à realidade: São queixas e as inúmeras dificuldades que o idoso tem que enfrentar. Aceitação da velhice, rejeição dele próprio e do outro, aceitar o seu próprio envelhecimento, o preconceito da sociedade, considerando-o velho.

    Da mesma maneira que essas dificuldades acontecem com o envelhecimento normal, acontecem maiores ainda como complicadoras no envelhecimento demencial e mais difícil ainda quando pessoas jovens começam a apresentar essas dificuldades.

Demência

    É um enfraquecimento das faculdades mentais, que consiste no declínio do funcionamento intelectual provocando perturbações na inteligência, pensamento, memória, fala, coordenação motora, interferindo em todas as atividades rotineiras. A própria pessoa percebe que está acontecendo alguma coisa diferente e que não está bem, então surgem frustrações, choros, e a pessoa se sente constrangido e humilhado.

    A demência, não é uma doença por si própria e sim um grupo de sintomas que caracterizam certas doenças.

Alzheimer

    É a demência mais comum. É um distúrbio irreversível (por enquanto) do cérebro, cujas células se deterioram progressivamente provocando o envelhecimento do cérebro. É a degeneração dos neurônios. É uma doença lente, progressiva, apresentando alterações significativas da memória recente, do aqui agora e mais tarde outras alterações como:

    A incapacidade de raciocinar, de compreender, de fazer juízo crítico das coisas, da dificuldade de percepção dos órgãos dos sentidos, dificuldades motoras, de comunicação e confusão mental.

    Alzheimer faz diminuir a capacidade da pessoa de se cuidar (da higiene, do vestuário, de gerir sua vida emocional e profissional) não sabendo escrever e nem fazer contas simples e elementares.

    Diante deste quadro, alguém tem que cuidar deste doente, surgindo daí, além da vítima, o "Doente", a outra vítima não aparente, o "Cuidador"

Cuidador

    Partindo dessas observações foram criadas associações, cujo objetivo é exclusivamente colaborar com este cuidador, para amenizar sua vida.

O que é cuidar

    Cuidar significa uma situação que envolve a emoção de um indivíduo se transformando em proteção e segurança do outro.

Por que se tornar cuidador?

    1- Por instinto: Ele (a) assume o papel motivado por impulsos inconscientes que satisfaçam a uma necessidade de sobrevivência do indivíduo. Ex: relação mãe e filho

    2- Por vontade: Ele (a) é motivado por uma necessidade de satisfação das próprias emoções através da relação com o outro. Nesse caso se refere à relação entre familiares, podendo até ultrapassar os limites e surgir a super proteção, diante da emotividade do cuidador.

    3- Por capacidade: É aquele (a) que se prepara tecnicamente, através de estudos, ou por experiência, por longa prática.

    4- Por conjuntura: É aquele (a) que está na situação limite. onde há falta de outra opção ou essa opção é imposta. Nesse caso, não é através das leis da natureza, não existe afeto, é apenas por questões políticas, econômicas ou por falta de outro cuidador adequado. Esse cuidador atua por obrigação, comodismo ou benefício próprio. É daí que ocorre o maior desequilíbrio da relação de cuidado, com resultados pouco satisfatórios e cuja durabilidade depende da relação do cuidador/cuidado. Não há afinidade, não há empatia, tornando-se difícil a convivência.

    O cuidador precisa estar bem consigo próprio, ter paciência e principalmente aceitar a situação, para saber enfrentar a difícil tarefa que lhe foi imposta. Ele precisa estar bem atualizado, conhecer bem os sintomas, os cuidados, as práticas, porque a pessoa cada vez precisará dele. O cuidador deve compreender que o bem estar da pessoa torna o dia-a-dia mais tranquilo, transformando-o mais agradável possível para ambos.

   

A doença de Alzheimer é dividida em três fases:

Fase inicial

    É aquela em que a pessoa está consciente, percebe que algo está errado, se desorienta em relação ao tempo e mais tarde ao lugar, até mesmo em sua própria casa, entrando em depressão. Ocorre a perda da memória recente, dificuldade para aprender e reter novas informações, distúrbios de linguagem, dificuldade progressiva para as tarefas da vida diária, falta de cuidado com a aparência pessoal, irritabilidade, desorientação. Nesta fase os pacientes ainda apresentam boa qualidade de vida social, permanecendo alerta.

Fase intermediária

    O paciente é completamente incapaz de aprender e reter novas informações. O paciente se perde em sua própria casa, correndo o risco de queda ou acidente por confusão, necessitando da colaboração de alguém. Caminham distâncias sem rumo, aparecendo a agressividade física, comportamento social inadequado e incontinência.

Fase final

    O paciente está totalmente incapaz de andar (restrito ao leito), não fala mais, risco de pneumonia, desnutrição e úlceras por ficar deitado.

Complicações

Comportamentais: Hostilidade, agitação, caminhar sem rumo, não cooperativo.

Psiquiátricas: Depressão, ansiedade

Metabólicas: Desidratação, intoxicação por remédios.

Outras: Síndrome do entardecer, quedas, incontinências, infecções.

    Não se deve internar nunca o seu familiar sem necessidade, deve deixá-lo em seu lar, junto à família, pois, ele se sentirá mais seguro mas, diante das complicações da doença, a pessoa terá que ser internada em hospital ou instituição porque os limites do cuidador são ultrapassados se tornando impotente.

    "Ao nos depararmos com alguma dificuldade, a única solução é aceitarmos, lutarmos e enfrentarmos de frente  todos os obstáculos que a vida nos oferece."

Para que o cuidador tivesse acesso fácil às informações, criou-se o grupo de apoio.

 

 

 

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