Stephen Wolfram, ?
A Simplicidade Reveladora
Pequenos programas que resolvem problemas difíceis
Numa época em que se acreditava que o Cosmo era finito e dividido em regiões “perfeitas” e “imperfeitas”, Galileu Galilei (1564-1642) apostou na idéia de que o Universo era infinito e totalmente homogêneo, semelhante ao espaço tridimensional concebido na mesma época na geometria do francês René Descartes (1596-1650). Como disse o historiador da ciência Alexander Koyré, foi um processo que levou à destruição do Cosmo e à geometrização do espaço, isto é, tornou-se possível compreender o mundo matematicamente. Uma geração depois, o inglês Isaac Newton (1642-1727) foi mais longe, descrevendo com equações matemáticas a própria força gravitacional.
Hoje, em pleno século 21, um homem quer radicalizar ainda mais, propondo usar programas simples de computador para descrever o mundo e suas leis. A idéia é do inglês Stephen Wolfram, 44 anos. Ele foi um menino prodígio que não terminou o ensino médio, mas escreveu seu primeiro artigo científico aos 15 anos e aos 20 já tinha o título de Ph.D. (doutor em ciências ou filosofia) pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia(Caltech). Mas para o jovem gênio não bastava ser reconhecido; queria estudar só o que lhe interessava. O Caltech disse “não”, e ele não teve dúvida: saiu e criou uma empresa, a Wolfram Research, onde desenvolveu o software “Mathematica” e ficou rico com uso por instituições como a Nasa, Intel e Boeing.
Com ajuda do “Mathematica”, Wolfram estudou por dez anos para mostrar que programas simples resolvem problemas que nenhuma equação conseguiu até hoje. Essas idéias estão em seu segundo livro, A New Kind of Science.
Como se formam os desenhos das conchas do mar? A resposta, segundo Wolfram, pode ser obtida por “autômatos celulares”, pequenos programas que individualmente seguem sempre uma só regra, mas cumprem outras mais complexas quando interagem. São como nossos neurônios: cada um é uma estrutura simples que transmite sinais elétricos de um lado para o outro do cérebro. Ao se relacionarem, são capazes de ações complexas, como ajudar você a ler este texto.
Veja nesta página alguns exercícios que mostram como rotinas simples se transformam em outras mais complexas, assim como as dos autômatos.(Alessandro Greco)
(Revista Galileu Especial no. 1, Editora Globo, Abril de 2003)