Srinavo Ramanujan, 1887 — 1920
Um Gênio Miserável
Indiano calculava com a velocidade de uma máquina
O indiano
Srinavo Ramanujan (1887-1920) foi um dos maiores cérebros da história da
matemática. Fazia contas com a velocidade de uma máquina de calcular e era
considerado um prodígio para lidar com seqüências infinitas de números.
Apesar de ser paupérrimo, filho de um humilde escriturário em uma pequena cidade
do interior – Kumbakonam, mil quilômetros a sudeste de Bombain -, ele conseguiu,
a partir dos 15 anos, aprender matemática sozinho, decifrando um livro contendo
6 mil teoremas.
Tentou, então, sobreviver fazendo pesquisas sobre os números só com esse
aprendizado. Por si só, não conseguiu, mas aos 25 anos já havia demonstrado
teoremas que grandes matemáticos da Europa desconheciam. Sabia o suficiente para
deixar de boca aberta o colega inglês Godfrey Hardy, que lhe deu ajuda
providencial.
Ramanujan enviou a Hardy alguns de seus resultados, dizendo,
também, que estava à beira da fome. O inglês mandou-lhe passagem, alguns
trocados para comprar comida e prometeu tentar conseguir uma pequena bolsa de
estudos na Inglaterra, onde o indiano chegou em 1914. Estava em situação tão
difícil que, quem o viu, nessa época, pensou estar diante de um mendigo: muito
magro, vestia frangalhos e dava a impressão de não estar limpo.
Na Inglaterra, entrou para a Universidade de Cambridge, onde,
aos 29 anos, finalmente se formou, tornando-se depois o primeiro indiano
admitido na seleta Sociedade Real de ciência. Apesar de ter morrido, aos 33 anos,
deixou notáveis contribuições para a matemática, entre elas uma fórmula com a
qual foi possível, pela primeira vez, calcular o número
(pi) com um milhão de
casas decimais (
tem infinitas casas e não e possível conhecer todas elas).
Sobre sua capacidade de lidar com números, conta-se que Hardy
foi visitá-lo no leito de morte e, ao descer do táxi, anotou a placa: 1729.
Alguns segundos depois de ouvi-lo, o gênio doente cometeu que se tratava de um
número muito interessante – era o menor inteiro que é a soma de dois cubos de
duas maneiras diferentes.(Flávio Dieguez)
(Revista Galileu Especial no. 1, Editora Globo, Abril de 2003)