Roger Penrose, 1913 —
A técnica para entortar o espaço
O matemático inglês e suas aventuras com a teoria da relatividade
Os
especialistas em teoria da relatividade costumam dizer que elea se divide em
duas partes: antes e depois do matemático inglês Roger Penrose, da Universidade
de Oxford, Inglaterra. O motivo é que ele simplificou enormemente as contas
cabeludas dessa teoria ao desenvolver um método original de calcular por meio de
figuras geométricas. Nascido em 1931, ele aperfeiçoou a topologia, ramo da
matemática que analisa a deformação dos objetos. Por exemplo: como dar a uma
xícara a forma de um anel? A topologia diz se a transformação é possível ou não
e ensina a realizá-la. Penrose fez algo parecido, mas para estudar as
deformações do próprio espaço vazio – que, segundo a relatividade, pode se
entortar e se contorcido. É o que aconteceu, de maneira radical, nas vizinhanças
de um objeto muito pesado, como o Sol, ou, ainda mais violentamente, na
vizinhança de um buraco negro.
Foi graças aos cálculos de Penrose, elaborados nos anos 60,
que os físicos descobriram o que acontece quando se entra em um buraco negro e o
que ocorre lá dentro. Também aprenderam como planejar passeios no tempo
mergulhando nesses astros escuros, ou como viajar pelo espaço cortando caminho
da mesma forma. Atualmente, o inglês dedica-se, entre outras coisas, a estudar
se é possível construir computadores capazes de “pensar” como os humanos, ou
seja, a inteligência artificial. Penrose acha esse feito impossível e escreveu
sobre o assunto um livro polêmico, de grande repercussão, A Mente Nova do
Imperador. Mas pouca gente sabe que ele também gosta de se divertir com a
matemática. Foi ele quem criou algumas das figuras geométricas desenhadas pelo
holandês Mauritius Escher. Um exemplo famoso é o da água que percorre uma
escadaria maluca – o líquido às vezes que está numa impossível subida.(Flávio
Dieguez)
(Revista Galileu Especial no. 1, Editora Globo, Abril de 2003)